ELEIÇÕES 2022
Jair Bolsonaro (PL) participou de missa na Basílica Nossa Senhora Aparecida e eleitores causaram alvoroço ao acompanhar a passagem do presidente pelo Santuário.

Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) causaram tumulto ao acompanharem a passagem do candidato à reeleição pelo Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em São Paulo, na tarde desta quarta-feira (12/10). Eleitores do presidenciável agrediram jornalistas e vaiaram o padre que celebrava a missa em celebração ao Dia de Nossa Senhora Aparecida.
Equipes da TV Vanguarda, afiliada da TV Globo, e da TV Aparecida, emissora da Igreja Católica, foram hostilizadas no pátio da Basílica. Durante a cobertura do evento religioso, os apoiadores gritaram com os funcionários da TV Aparecida, ao mesmo tempo que colocavam o dedo no rosto do jornalista e cinegrafista. Enquanto alguns bolsonaristas hostilizavam a imprensa, outros entoavam o coro “É Bolsonaro!”.
De acordo com a repórter Daniela Lopes, da TV Vanguarda, ouvida pelo UOL, os bolsonaristas tentaram agredir fisicamente a imprensa, que ficou acuada em meio ao grupo de pessoas vestindo verde e amarelo e carregando a bandeira do Brasil. A tentativa de agressão foi impedida por um segurança que acompanhava os jornalistas.
A confusão se estendeu para dentro do Santuário, onde o padre Eduardo Ribeiro celebrava a missa das 14h. Seguidores do presidente interromperam o momento com vaias, palavras de ordem e tentaram puxar o coro de “mito”, que não teve adesão. O padre pediu silêncio e rogou aos fiéis que preparassem o “coração, viemos aqui para rezar”.
Arcebispo vaiado ao falar sobre fome e direito ao voto
Durante a homilia na principal missa celebrada no Santuário de Aparecida nesta quarta-feira (12), pela manhã, o arcebispo da Arquidiocese, Dom Orlando Brandes, falou no sermão que o Brasil precisa “vencer muitos dragões”. “Temos o dragão do ódio, que faz tanto mal. E o dragão da mentira, e a mentira não é de Deus, é do malígno. O dragão do desemprego, o dragão da fome. O dragão da incredulidade”, declarou.
O arcebispo defendeu o direito ao voto e disse aos cristãos que é “necessário exercer esse direito e poder do povo”. Logo em seguida, o católico voltou a falar sobre a fome e ressaltou que o Brasil precisa de “paz e fraternidade”. “Escutar Deus, mas escutar também o clamor do povo. Porque ela escutou muito bem no Evangelho. Eles não têm mais vinho. No nosso caso, faltando pão, faltando paz, faltando fraternidade. Esses são os vinhos que todos nós precisamos nos dias de hoje”, aconselhou.
Nas redes sociais, internautas afirmam que os apoiadores do presidente vaiaram o arcebispo por suas falas sobre a fome. Usuários do Twitter também registraram que os causadores dos alvoroços estavam com canecas de bebida alcoólica dentro do templo. “O mais absurdo foi ver os apoiadores do B [Bolsonaro] com canecas de chopp na mão, em frente à igreja, xingando padre e tentando agredir repórter da TV Aparecida, a Tv da basílica”, escreveu Pastor Fellipe na rede.
O padre também alertou sobre a devoção e disse que, neste dia, as palmas devem ser a Nossa Senhora. “É a ela as nossas palmas, é a ela a nossa clamação, é a ela o nosso ‘viva’, porque só temos segurança nas mãos de Deus e no colo de Maria”, ressaltou.
Na fala, o religioso aproveitou para chamar atenção sobre a ida de Bolsonaro à Basílica como compromisso da agenda de campanha. “Hoje não é dia de pedir voto, hoje é dia de pedir benção”, exclamou o padre, que foi aplaudido pelos fiéis.
A ida de Bolsonaro ao Santuário estava prevista dentro do cronograma eleitoral dele, que vem priorizando eventos em busca do voto dos religiosos. O presidente, que se declara católico, foi à missa acompanhado do candidato ao Governo de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos), do senador eleito por SP, Marcos Pontes, do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e da deputada federal Bia Kicis (PL-DF). A primeira-dama, Michelle Bolsonaro, que é evangélica, não esteve presente.
Mesmo se dizendo católico, Bolsonaro não cumpriu os protocolos da religião durante a missa. Como apontou o portal UOL, o presidenciável não comungou, ao contrário dos políticos que o acompanhavam, não rezou o Pai Nosso e permaneceu calado a maior parte da cerimônia religiosa, sem completar as orações.
Correio Brasiliense