COLAPSO
Nova nota da Defesa Civil indica aumento da velocidade. O local continua isolado e com risco iminente de desmoronamento do terreno

Um novo relatório divulgado pela Defesa Civil de Maceió, na tarde desta terça-feira (5/12), revelou um aumento na velocidade de afundamento da mina número 18 no bairro de Mutange, mantida pela empresa Braskem. A região agora está afundando a uma taxa de 0,27 cm/hora, ou seja, 0,01 a mais do que o registro anterior. O ritmo de afundamento vinha desacelerando desde o dia 21 de novembro. O deslocamento vertical acumulado já afundou 1,86 metros do solo, evidenciando um movimento de 6,2 cm nas últimas 24 horas. A mina, explorada para extração de sal-gema, apresenta um afundamento do solo que representa alto risco de colapso.
A Defesa Civil também determinou uma mudança no status de “alerta máximo” para um grau inferior de “alerta”. Essa decisão foi baseada na evolução dos dados e no comportamento do solo nas últimas horas.
Na prática, isso significa que saímos de um risco iminente de colapso para um estágio de menor gravidade, mas que ainda requer atenção. O monitoramento continua sem parar. Com trabalho e união, vamos superar mais esse desafio”, disse o prefeito de Maceió.
As autoridades recomendam que a população evite transitar na área desocupada até novas atualizações da Defesa Civil. Estão sendo aplicadas medidas de controle e monitoramento para reduzir os riscos.
Os dados, fundamentados em análises sísmicas, indicam uma diminuição no ritmo de deslocamento em comparação com registros do último fim de semana. Contudo, o cenário continua preocupante, com avaliação constante da possibilidade de colapso nos bairros de Mutange, Pinheiro e Bebedouro, que foram os mais afetados por abalos sísmicos recentes.
Na sequência de eventos relacionados ao afundamento do solo, observou-se uma queda consecutiva ao longo dos dias. Inicialmente, na manhã de sexta-feira (1/12), a velocidade de afundamento atingiu 2,6 cm/hora, mas ao final do dia, já apresentava uma desaceleração de 1 cm/hora. No sábado (2/12), houve uma nova redução para 0,7 cm/hora, seguida por outra queda para 0,3 cm/hora no domingo (3/12). Na tarde de segunda-feira (4/12), a velocidade se manteve em 0,26 cm/hora.
Para o geólogo e especialista em geoconservação Silas Costa, o fenômeno atual envolve o deslocamento do solo, onde camadas inferiores estão passando por um colapso, afetando as camadas superiores até atingir a superfície. Além disso, na dificuldade em retardar naturalmente o deslocamento, ele ressalta a natureza imprevisível da situação, apontando para variações ao longo do tempo.
“Isso realmente não tem controle, existem vários fatores geológicos que controlam e pode ser que esses fatores não estejam no controle do ser humano”, observa o geólogo.
Em nota, a Agência Nacional de Mineração(ANM) declara que vem acompanhando regularmente a implementação do plano de fechamento das minas da Braskem em Maceió e que, em virtude dos eventos microssismos, houve o isolamento do acesso ao entorno da área da mina 18.
A Braskem se mostra ciente do problema, mas apático com as consequências perigosas que a extração de sal-gema de suas minas tem sobre a região e população de Maceió. A empresa petroquímica global não é 100% privada. Segundo informações disponíveis na Bolsa de Valores de São Paulo, dados indicam uma divisão de pouco mais de 50% das ações ordinárias, que conferem direitos de opinião na gestão do negócio, que estão sob a posse da Novonor, anteriormente denominada Odebrecht, enquanto a Petrobras detém uma participação equivalente a 47%.
Possivelmente o maior desastre de mineração do Brasil
O especialista Silas comenta que para evitar que o solo ceda, o processo realizado pela Braskem deveria bastar, mas frente a situação atual, os esforços não teriam mais efeito. “No estado que está, eu não acredito que seria viável devido a desestabilização geotécnica de toda a área”. Silas acredita que se tivesse havido uma auditoria melhor sobre o método de lavra, possivelmente a situação poderia ter sido evitada. “Porém, quem paga a conta é o povo. Quem acaba sendo responsabilizado pela tragédia é a população”, adiciona.
“A situação pode ser considerada o maior desastre relacionado à mineração no Brasil. A quantidade de pessoas afetadas, a área urbana que vai ser completamente perdida e a área ambiental que é frágil são preocupações”, finaliza Silas.
*Informações: Correio Brasiliense