POLÍTICA

Os dois líderes políticos estiveram juntos em uma agenda na periferia na Zona Norte da Capital
Após uma década de oposição à Frente Popular por Pernambuco, a vice-presidente do Solidariedade e ex-deputada federal, Marília Arraes, anunciou apoio à reeleição do prefeito do Recife, João Campos (PSB), na corrida às urnas de outubro deste ano. O gesto representa uma bandeira branca em uma disputa política e familiar que permeou as últimas eleições do Estado. O anúncio, contudo, foi discreto. Os dois líderes políticos estiveram juntos em uma agenda na periferia na Zona Norte da Capital do Estado para ratificar a aliança. Já a divulgação do apoio de Marília a João foi feito por meio de nota divulgada pela dirigente partidária para a imprensa.
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No texto, segundo Marília Arraes, a escolha do local teve um simbolismo. “Faremos isso na periferia do Recife, que conhece como ninguém os problemas e necessidades de nossa cidade e não em salas fechadas ou escritórios refrigerados”, afirmou. Após tecer diversas críticas a Campos na última eleição municipal, Marília relatou que “reconhecer o que é acerto é essencial para continuar avançado”. Segundo ela, desde 2022, na reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), “ninguém ficou parado em cima do muro” e “superamos divergências e avançamos com a melhor opção para o Brasil”.
O rompimento de Marília Arraes com a Frente Popular foi concretizado nas eleições de 2014, quando ela deixou o palanque do então candidato a governador Paulo Câmara e do então candidato a presidente da República, Eduardo Campos. Na ocasião, ela apoiou a reeleição da presidente da República na época, Dilma Rousseff (PT). No entanto, as divergências entre Arraes e o PSB já estavam sendo sentidas antes mesmo da corrida eleitoral.
A condução do PSB feita pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, virou alvo de duras críticas de Marília. Um alvo da disputa entre ambos foi o comando da secretaria estadual da Juventude Socialista em Pernambuco. Na época, a então vereadora do Recife defendia a escolha de um aliado, enquanto aliados de Eduardo defendiam o nome de João Campos. A dirigente também queria disputar a eleição para o cargo de deputado federal, mas Eduardo Campos não teria liberado o projeto. Na época, Marília negou que a recusa da legenda para disputar a vaga tenha sido motivo do rompimento e reforçou suas discordância com os rumos do partido no Estado e no País.
O afastamento ficou ainda mais nítido quando o PSB apoiou Aécio Neves no segundo turno das eleições de 2014 e o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) em 2016. Os movimentos da legenda foram duramente criticados por Marília.
Sem identificação e espaço no PSB, Marília deixou o partido e se filiou ao PT em 2016 para disputar a reeleição para o cargo de vereadora do Recife. Reeleita, ela endureceu o discurso contra o PSB e passou a percorrer o Estado, movimento que fortaleceu um projeto para disputar o Governo do Estado em 2018. A pré-candidatura de Arraes, contudo, foi motivo de forte embate interno no PT. A legenda acabou retirando a postulação da então petista para apoiar a reeleição de Paulo Câmara. Marília não seguiu a posição da legenda.
Eleição
O auge da rivalidade entre Marília Arraes e o PSB foi a eleição para a Prefeitura do Recife em 2020. Netos do ex-governador Miguel Arraes e primos, João Campos e Marília Arraes se enfrentaram nas urnas e protagonizaram uma disputa dura no segundo turno da corrida às urnas da Capital. Com a vitória de João Campos, a ex-deputada manteve o tom crítico ao PSB e passou a ser cotada para disputar o Governo do Estado.
Com uma nova negociação para aproximar PSB e PT, o nome de Arraes começou a ser cotado para disputar uma vaga no Senado na chapa da Frente Popular liderada por Danilo Cabral, pelo PSB. Em um movimento ousado, Marília deixou o PT e seguiu para o Solidariedade para se lançar na disputa majoritária estadual, mais uma vez, contra o PSB e com duras críticas ao partido.
No segundo turno, no entanto, a reaproximação entre Marília Arraes e seu antigo partido foi concretizada, com a benção do então candidato à Presidência da República, Lula. Na ocasião, o PSB declarou apoio ao projeto de Marília contra a governadora Raquel Lyra (PSDB). Nos bastidores, a avaliação é que a aliança foi firmada com um compromisso de apoio da ex-deputada a Campos na disputa deste ano. Os dois chegaram a cumprir uma agenda de rua juntos ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no centro do Recife. A partir dali, o caminho estava aberto para cicatrizar as feridas do passado e pavimentar um caminho para a aliança que foi concretizada nesta terça-feira (2).
Nota Oficial
Minha vida sempre foi marcada pela luta em defesa da democracia e das causas progressistas. Em 2022, quando reelegemos o presidente Lula para comandar o Brasil, conquistamos uma vitória conjunta, fruto uma frente ampla. De lá para cá, ninguém ficou parado em cima do muro. Superamos divergências e avançamos com a melhor opção para o Brasil. *Por Blog da Folha