Bandeira vermelha na conta de luz pode durar até 2025 e apertar mais ainda o bolso. Entenda

ECONOMIA

Alta da conta de luz foi influenciada pela vigência da bandeira tarifária vermelha desde 1º de setembro
Alta da conta de luz foi influenciada pela vigência da bandeira tarifária vermelha desde 1º de setembro – Foto /Reprodução

Ausência de chuvas no território nacional pressiona a inflação, o que impacta trajetória da Selic

A ausência de chuvas no território nacional foi a responsável pela elevação de 0,84% no preço da energia elétrica no IPCA-15, de setembro, avalia André Braz, coordenador dos índices de preços do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre).

O item respondeu por 0,03 ponto percentual da alta de 0,13% do IPCA-15. Isso significa que, se o preço da energia tivesse ficado estável, o IPCA-15 teria subido 0,10%.

A alta da conta de luz foi influenciada pela vigência da bandeira tarifária vermelha desde 1º de setembro, “que pode durar até o ano que vem, caso não chova o suficiente para abastecer as usinas hidroelétricas”, salienta.

Além disso, o especialista recorda que a chuva tem influência direta também no preço dos alimentos, que subiram 0,05% em setembro, após dois meses consecutivos de queda.

Ou seja, a bandeira vermelha tem exercido uma pressão sobre a inflação que pode impedir uma reavaliação do cenário para a Selic. O IPCA funciona como uma espécie de bússola para o Comitê de Política Monetária (Copom), que é o corpo executivo do Banco Central (BC) que toma as decisões sobre a taxa de juros.

Enquanto a inflação não ceder de forma consistente, a trajetória de apertos na Selic pode ser mantida, uma vez que, da ponta fiscal, o mercado ainda não está convencido de que o governo entregará resultados dentro da banda de tolerância para a meta.

Além do encarecimento de itens do dia a dia e da conta de luz, o cidadão também estaria, neste cenário, em um ambiente de Selic alta por mais tempo. Então, além dos gastos maiores, o crédito tende a ficar ainda mais restrito.

Basicamente, este horizonte penaliza o consumidor em dois aspectos: pelo encarecimento das dívidas ou dificuldade de fazer empréstimos e pela corrosão do seu poder de compra.

Além disso, Braz afirma que o baixo índice de desemprego tende a elevar a inflação, pois “consequentemente há um aumento de demanda”.

Nesse cenário, Braz afirma que a tendência para outubro é de aceleração dos preços, mas acredita que a inflação oficial — calculada pelo IPCA, do qual o IPCA-15 é considerado uma prévia — encerre o ano dentro do limite da meta perseguida pelo BC, de 3,0% com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Com informações do Valor PRO, serviço de tempo real do Valor Econômico.

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