Após 400 dias, a Petrobras reajusta preço do diesel na bomba em meio do debate da inflação dos alimentos

ECONOMIA

Petrobras deve aumentar o preço do diesel depois de 400 dias
Petrobras deve aumentar o preço do diesel depois de 400 dias – Divulgação

Por Fernando Castilho/JC

Produção de óleo e gás natural alcançou 2,7 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed). A produção comercial chegou 2,4 milhões de boed

A diretoria da Petrobras tem reunião marcada para esta quarta-feira (29), no mesmo dia em que o Copom se reúne pela primeira vez sobre a presidência de Gabriel Galípolo que também deve aprovar a elevação da taxa básica de juros em 1 ponto percentual.

São notícias ruins para o governo Lula que apesar de tudo vai dizer que esses reajuste são necessários numa completa mudança de discurso. Primeiro por que a presidente da Petrobras foi uma escolha com apoio e articulação de Lula com o ministro da Minas e Energia, Alexandre Silveira para levar a disciplinada

Magda e Galípolo

Depois por que Magda Chambriard no comando da estatal assim como Galípolo foram um nome escolhidos (no caso por Fernando Haddad), também com apoio de Lula que passou quase metade do seu governo brigando com Roberto Campos Neto todas as vezes que ele anunciava um aumento da taxa de juros. Lula, Silveira e Haddad dirão que os reajustes são técnicos.

Sempre foram. Quem se dar ao trabalho de ler as atas dos gerentes da Petrobras recomendando os reajustes vai ver que não há espaço para nenhuma consideração técnica dada a sofisticação da análise e sua conclusão. Sempre foi assim desde que a companhia ampliou as normas de compleance depois da Lava Jato da qual foi a principal vítima.

Atas do Copom

Assim como são as notas e os comunicados do Copom desde que o real foi implantado e as reuniões passaram a ser feitas com base em informações macroeconômicas que ancoram as decisões, ainda que nos tempos de Dilma Rousseff elas tenham sido ignoradas.

Foram tempos de personagens como Alexandre Tombini, na mesma presidente do Banco Central a serviço do Governo e que nos levou à crise de 2015 e 2016. A decisão de fazer o cargo da diretoria do BC ser autônoma ajudou a devolver ainda mais credibilidade da instituição respeitada internacionalmente pelos seus quadros.

Óleo diesel

Mas os preços do diesel vendido pela Petrobras que chegaria nesta quinta-feira ao 400º dia de vigência se tornaram necessários. Segundo dados da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). a empresa carrega uma defasagem média de -14% no Óleo Diesel e de -6% para a Gasolina.

E mesmo com a estabilidade no câmbio e a ligeira redução nos preços de referência da gasolina e do óleo diesel no mercado internacional no fechamento do dia útil anterior existia nesta segunda-feira uma defasagem de R$0,30/L nos preços praticados pela Petrobras.

Balanço forte

A Petrobras deve divulgar em breve o seu balanço com uma informação que apresenta um resultado extraordinário. No ano passado, ela atingiu todas as metas de produção estabelecidas em seu Plano Estratégico 2024-2028, dentro do intervalo de ±4%. A produção total de óleo e gás natural alcançou 2,7 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed).

A produção comercial de óleo e gás natural alcançou 2,4 milhões de boed e a produção de óleo foi de 2,2 milhões de barris por dia (bpd).

Força do pré-Sal

A companhia estabeleceu novos recordes anuais de produção total própria e operada no pré-sal, com 2,2 milhões de boed e 3,2 milhões de boed, respectivamente. O volume de produção no pré-sal representa 81% da produção total da companhia.

Mesmo computando parcialmente as perdas decorrentes de paradas para manutenção e do declínio dos campos. Como produtora de petróleo, a empresa brasileira é um negócio de classe mundial.

Exuberância

O problema é que essa exuberância em termos de performance precisa ser vista na conta bancária dos investidores e mesmo com todo aquela discurso do pessoal da esquerda de que a Petrobras é uma empresa que deve estar a serviço do governo esquecendo que quando no Governo Dilma Rousseff ela fez isso explodiu a taxa de inflação que ajudou a criar as condições políticas do impeachment.

Magda Chambriard ao seguir o caminho de Gabriel Galípolo e fez uma visita de cortesia para mostrar os numero de performance de extração da Petrobras, para na saída dizer que a diretoria deve mesmo aprovar a proposta da gerência de preços no sentido de promove o novo reajuste depois de icônicos 400 dias.

Mais um ponto

E assim como aconteceu com Galípolo que lhe disse que não tinha como o Copom não aprovar mais 1% de reajuste, o presidente compreendeu. Se se confirmarem as especulações o impacto na bomba deve ficar entre R$0,18 e R$0,24 por litro de diesel.

Magda Chambriard, ao que se sabe, disse ao presidente que ao menos por enquanto a gasolina que não sobe há 205 dias vai ter seus preços mantidos. O que não quer dizer que os postos de combustíveis e distribuidoras não tenham feito suas correções.

Defasagem

Em 9 de julho quando a Petrobras elevou em R$0,20 por litro, para R$3,01, o preço da gasolina para as distribuidoras o preço nas bombas era de R$5,94 por litro.

Entretanto, a gasolina fechou 2024 a um preço médio de R$ 6,29 por litro, com uma alta de 9,39% no acumulado do ano de 2024, segundo o Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), um levantamento que consolida o comportamento dos preços em 21 mil postos de abastecimento espalhados pelo País.

Declarações

Isso quer dizer que tanto na Petrobras como no Copom as notícias produzidas serão de aumento. O que será diferente serão as declarações de aceitação e até justificação dos integrantes do governo já que as centrais sindicais e entidades empresariais vão distribuir as tradicionais notas reclamando da Selic.

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