COPA DO MUNDO 2022

O ambiente da seleção brasileira na Copa do Mundo foi estruturado com uma preocupação principal, que está por trás das duas vitórias iniciais e a classificação antecipada às oitavas de final: a saúde dos jogadores, não só física, como mental, é a prioridade no dia a dia de trabalho e de jogos.
Das frases que se multiplicam no vestiário do Centro de Treinamento localizado no estádio Grand Hamad, uma resume com perfeição a intenção nos bastidores, que é de tirar o peso da disputa de um Mundial para um grupo mais jovem do que em 2018, mas sem abrir mão da responsabilidade: “Concentrem e desfrutem”.
O lema tem sido alcançado com um grande entrosamento entre os atletas dentro e fora das quatro linhas, mas também com interação constante junto aos familiares. Sem falar nos cuidados oferecidos por ex-campeões do mundo que exercem papéis variados na comissão técnica, e dividem toda sua experiência.
– A gente vê muita coisa, no hotel, no treino, no vestiário. Essa alegria deles, na batucada. Há responsabilidade e descontração – afirmou Taffarel, preparador de goleiros e campeão do mundo em 1994. Segundo ele, o grupo está focado no objetivo de fazer os sete jogos e ser campeão: – Vivendo isso no dia a dia. Não tem um senão, uma reprovação, um cuidado. Acaba o jogo, é outra história, outro adversário. É um prazer viver isso.
Diferentemente da Copa de 2018, quando havia uma mistura maior com a presença dos convidados dos atletas no mesmo hotel, agora é tudo dividido, com momentos para trabalhar e para relaxar. Em Sochi, balnerário russo, o dia a dia era de convivência diária dos atletas com seus entes próximos. E os envolvidos remanescentes do último torneio admitem que dessa vez o plano tem sido melhor.
Na Rússia, houve vazamento de treinos por parte de amigos de jogadores, reclamações de parentes sobre escalação e pouca privacidade. A circunstância enfraqueceu o então diretor de seleções, Edu Gaspar, que era quem coordenava tudo, acima de Tite. Hoje, Juninho Paulista, campeão em 2002, ocupa a função e é visto com semblante tranquilo e alegre ao verificar que esse tipo de preocupação tem dado resultado. – Não tem nenhuma competição parecida. Por mais experiência que se tenha, o primeiro jogo, o início de Copa, é diferente – admite o pentacampeão, preocupado com o aspecto mental nos primeiros compromissos.
Leveza no dia a dia
Entre curtos intervalos, um clima mais seco e fuso horário bem diferente do Brasil, a concentração da seleção brasileira ganha, após as primeiras partidas, um ar cada vez mais familiar, com a presença de parentes e amigos sempre que é possível. A cada dia que passa o otimismo cresce e o CT recebe mais pessoas e mais animação. Mas quando se aproxima da preparação para o próximo jogo, há uma blindagem gradativa. O estádio todo preparado para a rotina de trabalho funciona como uma empresa preocupada que seus funcionários estejam felizes, e não apenas sejam explorados.
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