Trump diz que ‘Brasil não tem sido bom’ com os EUA e que vai divulgar tarifa até esta quinta-feira

ECONOMIA 

Republicano tem enviado cartas a líderes globais anunciando novas taxas sobre importações, com início previsto para 1º de agosto. Na segunda-feira, ele ameaçou aplicar uma tarifa de 10% aos países do Brics.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (9) que pretende realizar, entre hoje e amanhã, o envio de novas cartas a países sobre o aumento de tarifas. O Brasil foi citado diretamente pelo republicano e, dessa vez, estará entre os notificados.

“O Brasil, por exemplo, não tem sido bom conosco, nada bom”, disse Trump a repórteres durante um evento com líderes da África Ocidental na Casa Branca. “Vamos divulgar um número referente ao Brasil ainda esta tarde ou amanhã de manhã.”

O republicano começou a enviar nesta quarta-feira sua segunda leva de cartaspara notificar parceiros comerciais. Ele definiu tarifas mínimas sobre produtos importados, que variam entre 25% e 40%, a depender do país, com validade a partir de 1º de agosto.

Nesta segunda etapa, pelo menos sete países foram notificados até agora: Argélia, Brunei, Filipinas, Iraque, Líbia, Moldávia e Sri Lanka.

Só na segunda-feira, o republicano enviou os documentos a 14 nações. No mesmo dia, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que haveria “cartas adicionais nos próximos dias”.

Ao falar sobre a alteração das tarifas para produtos importados do Brasil, Trump afirmou que as novas taxas anunciadas se baseiam em “fatos muito, muito substanciais” e em um “histórico anterior”.

Apesar do argumento de Trump de que a aplicação de tarifas busca corrigir a balança comercial norte-americana, dados do Ministério do Desenvolvimento mostram que o Brasil tem registrado déficits comerciais seguidos com os EUA desde 2009 — ou seja, há 16 anos.

Ao longo desse período, as vendas americanas ao Brasil superaram suas importações em US$ 88,61 bilhões (equivalente a R$ 484 bilhões na cotação atual). Leia mais aqui.

Por isso, analistas apontam que a postura de Trump com as tarifas tem um forte componente geopolítico, com o objetivo de ampliar seu poder de barganha nas relações internacionais.

Veja abaixo a lista de países que já receberam os documentos e as taxas anunciadas por Trump até o momento:

  • África do Sul: 30%
  • Argélia: 30%
  • Bangladesh: 35%
  • Bósnia e Herzegovina: 30%
  • Brunei: 25%
  • Cambodja: 36%
  • Cazaquistão: 25%
  • Coreia do Sul: 25%
  • Filipinas: 20%
  • Indonésia: 32%
  • Iraque: 30%
  • Japão: 25%
  • Laos: 40%
  • Líbia: 30%
  • Malásia: 25%
  • Myanmar: 40%
  • Moldávia: 25%
  • Sérvia: 35%
  • Sri Lanka: 30%
  • Tailândia: 36%
  • Tunísia: 25%

Ameaçaa países do Brincs e resposta de Lula 

O presidente dos EUA afirmou nesta terça-feira (8) que os países do Brics vão receber uma tarifa de 10% “muito em breve”.

Segundo o republicano, o Brics estaria tentando prejudicar os EUA e substituir o dólar como moeda padrão global.

  • O Brics é um grupo de países emergentes que inclui Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul, Emirados Árabes Unidos, Egito, Arábia Saudita, Etiópia, Indonésia e Irã.

“O que eles estão tentando fazer é destruir o dólar para que outro país assuma a posição e torne sua moeda o novo padrão. Perder o padrão mundial do dólar seria como perder uma grande guerra mundial. Não seríamos mais o mesmo país. E não vamos deixar isso acontecer”, completou Trump.

Em resposta, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que os países do Brics são soberanos.

“Não aceitamos intromissão de quem quer que seja”, disse Lula. “Nós defendemos o multilateralismo”.

A nova ofensiva de Trump vem apenas um dia após o republicano ameaçar aplicar uma taxa adicional de 10% a qualquer país que se alinhasse “às políticas antiamericanas” do Brics, em uma publicação em seu perfil no Truth Social.

Trump não explicou o que entende por “políticas antiamericanas”. Autoridades do governo dos EUA afirmam que não há decreto em elaboração no momento, e que tudo dependerá dos próximos movimentos do bloco.

pressão pela conclusão de acordo comerciais 

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