Lula culpa Bolsonaro por atos violentos

POLÍTICA

Foto: Reprodução

Ao comentar os atos de vandalismo realizados por bolsonaristas radicais, na noite da última segunda-feira, em Brasília, o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou que o atual presidente, Jair Bolsonaro (PL), tem uma parcela de culpa no caos que se instaurou na Capital Federal. Segundo Lula, Bolsonaro incentiva “ativistas fascistas”.

“Esse cidadão (Bolsonaro) até agora não reconheceu a sua derrota, continua incentivando os ativistas fascistas que estão nas ruas se movimentando. Segunda, ele recebeu esse pessoal no Palácio da Alvorada, não sei qual foi o estrago que foi feito no Palácio da Alvorada. Ele tem de saber que aquilo é patrimônio público, não é dele, da mulher dele, do partido dele. É do povo brasileiro”, afirmou Lula.

Ontem, Bolsonaro se encontrou com integrantes da Marinha e divulgou uma nova mensagem de teor dúbio. Na nota, o presidente afirmou que a Marinha é comprometida com o futuro da pátria. Disse ainda que os fuzileiros navais, com sacrifício da própria vida, “lutaram e sempre lutarão para impedir qualquer iniciativa arbitrária que possa vir a solapar o interesse do nosso país”. Na semana após a derrota eleitoral, Bolsonaro disse defender os atos que aconteciam pelo país, apenas condenou os bloqueios de estradas por seus apoiadores.

Ao fim de sua fala culpando o atual presidente, Lula disse que Bolsonaro segue o rito que todos os “fascistas” seguem no mundo. “É importante a gente saber que eles fazem parte de uma organização de extrema direita que não existe apenas no Brasil. Existe na Espanha, na Itália, França, nos Estados Unidos, que tem como líder o ex-presidente [Donald] Trump, existe na Hungria, existe em vários outros países, inclusive na nossa querida Argentina”, concluiu o presidente eleito.

Nenhuma prisão – A equipe de Lula fez chegar ao Governo do Distrito Federal o incômodo gerado com a atuação da Polícia Militar na contenção dos atos de violência que ocorreram na capital federal na segunda-feira. Segundo relatos de pessoas do entorno do petista, o maior descontentamento é com a chefia do departamento de operações da PM do DF. Para os petistas, a corporação deveria ter atuado de maneira mais rígida contra os apoiadores de Jair Bolsonaro (PL) diante de episódios de violência horas após a diplomação de Lula pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). A falta de detenções causou surpresa até na Polícia Civil do DF e virou alvo de questionamentos também do Ministério Público.

Foto: Reprodução

Bolsonaro sem foro privilegiado – O Senado não aprovará uma mudança na Constituição para dar mandato vitalício aos ex-presidentes da República. O recado foi dado pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, ao presidente da Câmara, Arthur Lira. Pacheco disse a Lira que a proposta de emenda constitucional não tem chance de ser aprovada na Casa que comanda. A ideia era costurada em silêncio pelo líder do governo no Congresso, senador Eduardo Gomes. O objetivo da emenda era claro: manter Jair Bolsonaro com foro privilegiado após deixar a Presidência. O que significaria blindá-lo da caneta de juízes de primeira instância.

Padre incitando a violência – Um dia após rezar no Palácio do Alvorada ao lado do presidente Jair Bolsonaro (PL), o padre Genésio Lamunier Ramos, conhecido entre bolsonaristas e ligado à Diocese de Anápolis (GO), incitou a militância a “parar o Brasil” nos próximos dias. “Todos aqueles, não só caminhoneiros, empresários, todo mundo que puder parar o Brasil e vir para as manifestações, agora é a hora”, disse ontem.

Coluna do Magno Martins

 

Compartilhe:

Deixe um comentário