Educação de Pernambuco sob perseguição política?

DENÚNCIA

Palácio do Campo das Princesas Governo de Pernambuco Governo do Estado de Pernambuco
Palácio do Campo das Princesas Governo de Pernambuco Governo do Estado de Pernambuco – Foto: Divulgação

A educação pública de Pernambuco vem sendo alvo de graves denúncias: a utilização de exonerações como instrumento de perseguição política por parte da gestão Raquel Lyra. Casos recentes em diferentes regiões do estado revelam um padrão preocupante de retaliações que atingem gestoras e educadoras com trajetória técnica, compromisso pedagógico e resultados reconhecidos.

No último dia 20, a gestora Jasdenir Maria Cavalcanti dos Santos, professora concursada da rede estadual desde 1990, foi exonerada da função de gestora da Escola de Referência Dom Adelmo Cavalcanti Machado, em Pesqueira. Vinculada à GRE Sertão Moxotó Ipanema (Arcoverde), a professora – mãe do vereador Mateus Leite (Podemos) – foi surpreendida com a exoneração sem justa causa, apesar de apresentar bons resultados e liderar a escola com trabalho em equipe e compromisso pedagógico.

A educação de Pernambuco não pode ser refém de disputas políticas. Escolas e gerências regionais precisam ser conduzidas por critérios técnicos, estabilidade institucional e respeito aos profissionais da área. A perseguição política apenas desmonta avanços históricos e penaliza quem mais precisa: os estudantes pernambucanos”, afirmou o deputado federal Pedro Campos.

Esse não foi um caso isolado. No início de novembro, a exoneração da vereadora de Santa Cruz do Capibaribe, Jessyca Cavalcanti, da função de gestora da Escola Estadual Professora Maria Lúcia Alves, teve grande repercussão no estado. A exoneração feita pela governadora Raquel Lyra, sem justificativa técnica apresentada, foi interpretada como punição política, desconsiderando a atuação da gestora à frente da unidade escolar e o impacto da medida sobre a comunidade educacional.

Raquel retrocedeu. Ela tem que colocar de forma clara para o povo de Pernambuco se o diretor, além de ser competente, tem que votar nela. Se essa função é uma indicação política. É por isso que as coisas não têm funcionado no nosso estado”, denunciou a vereadora em discurso na Câmara Municipal da cidade.

Na ocasião, Jessyca reforçou sua dedicação há 26 anos como servidora do estado de Pernambuco. “Em um ano que estou naquela escola, fiz jus ao compromisso de educadora, a qual sou formada e amo exercer. Modifiquei estrutura e principalmente o pedagógico, numa escola que tem várias problemáticas com alunos com uma baixa autoestima. Mas para a governadora o grande problema tinha sido uma fala minha dizendo que eu estava com João Campos”, denunciou a vereadora.

Outro episódio emblemático ocorreu no Sertão, com a exoneração de Silma Diniz, gestora da Gerência Regional de Educação (GRE) de Floresta, logo após o rompimento político entre o Governo do Estado e o deputado Fabrício Ferraz. A situação reforça a denúncia de retaliação política e afronta diretamente o espírito do processo seletivo das GREs, criado no governo Eduardo Campos justamente para assegurar critérios técnicos na escolha de quadros responsáveis por conduzir uma das áreas mais estratégicas de qualquer gestão pública: a educação.

Os episódios revelam um padrão que ameaça a autonomia da educação, fragiliza a gestão escolar e desestimula profissionais que dedicam a vida ao ensino público. Transformar cargos educacionais em moeda de troca política representa um retrocesso grave, que fere princípios republicanos e compromete a qualidade do serviço prestado à população. Por Wellington Ribeiro

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