Cimento Nassau: Grupo João Santos é multado em R$ 200 mil por descumprir acordo para quitar impostos e direitos trabalhistas estimados em R$ 10,7 bilhões

PERNAMBUCO

Cimento Nassau é uma das empresas do Grupo João Santos, um dos maiores conglomerados empresariais de Pernambuco (arquivo) — Foto: Reprodução/TV Globo
Cimento Nassau é uma das empresas do Grupo João Santos, um dos maiores conglomerados empresariais de Pernambuco (arquivo) — Foto: Reprodução/TV Globo

Por g1 Pernambuco

Segundo MPF, conglomerado de empresas deixou de prestar contas sobre cumprimento de transação tributária e venda de bens. Dívida com o FGTS é estimada em R$ 270 milhões.

Após firmar acordo, em agosto de 2023, para quitar débitos com a União estimados em R$ 10,7 bilhões, o Grupo João Santos foi multado em R$ 200 mil, pela Justiça Federal, por descumprir diversas vezes o tratado. A conciliação é considerada a maior transação tributária da história do Brasil.

Além do valor inicial, a justiça determinou multa de R$ 100 mil para cada novo descumprimento de cláusulas por parte do grupo empresarial.

O conglomerado formado por 41 empresas, incluindo a Cimentos Nassau, tem cinco dias, a partir da notificação, para pagar a multa de R$ 200 mil e atualizar informações que estejam faltando junto à União.

Segundo o Ministério Público Federal, a decisão de aplicar a multa aconteceu após o Grupo João Santos solicitar a liberação de valores que estão bloqueados pela Justiça Federal desde 2021 – pela Operação Background – que investigou crimes tributários, financeiros, trabalhistas e de lavagem de dinheiro.

Além de sonegar impostos, o Grupo João Santos tinha uma dívida milionária em direitos trabalhistas. Segundo as investigações, os funcionários das empresas do conglomerado ficavam sem receber salários e outros direitos.

Apenas as dívidas em créditos de trabalhadores junto ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) são calculadas em R$ 270 milhões. Para validar o tratado, o grupo empresarial deveria pagar uma entrada de R$ 230 milhões, que seriam obtidos com a venda de bens, priorizando quitar débitos com o FGTS.

De acordo com o MPF, a prestação de contas sobre os pagamentos e a alienação de bens era uma das condições para a liberação parcial dos bens bloqueados, no valor de R$ 684,25 milhões.

Também segundo o MPF, desde o mês de agosto não há informações sobre o cumprimento do acordo, além de outras prestações de contas que deveriam ter sido feitas e cujos prazos não foram cumpridos.

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