Poeta, cantador e compositor Maciel Melo recebe Título de Doutor Honoris Causa nesta quinta (18)

CULTURA

Maciel Melo recebeu Título Doutor Honoris Causa em solenidade nesta quinta (19), na UFPE – Ricardo Fernandes/Folha de Pernambuco

Cantor e compositor natural de Iguaracy, no Sertão do Pajeú, tem carreira marcada pela valorização da cultura nordestina e difusão das tradições sertanejas

A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) concede o título de Doutor Honoris Causa ao artista pernambucano Maciel de Melo Santos. Conhecido por seu trabalho como cantor, compositor e escritor, Maciel Melo tem uma carreira marcada pela valorização da cultura nordestina e difusão das tradições sertanejas. O artista receberá o título em evento a ser realizado nesta quinta-feira (18), a partir das 16h, no hall do Complexo de Convenções, Eventos e Entretenimento da UFPE, no Campus Joaquim Amazonas, no Recife. A proposta de outorga do Doutor Honoris Causa, feita pelo Gabinete do Reitor, foi aprovada em sessão ordinária do Conselho Universitário realizada em 1º de dezembro.

Crédito: Ricardo Fernandes/Folha de Pernambuco

“Ter esse reconhecimento pela universidade valida junto à sociedade pernambucana e brasileira, todos os poetas, compositores, atores, demonstrando que tão importante quanto à produção acadêmica pode ser a produção feita lá fora”, continuou Canuto.

E em sua fala, após ser decretado oficialmente um Doutor Honoris Causa, Maciel Melo – autor de cantorias como “Que Nem Vem Vem”, “Caia Por Cima de Mim”, “Terra Prometida” e a clássica “Caboclo Sonhador”, entre outras centenas de composições – entoou falas de agradecimento à família, em especial à sua mãe, que já foi cantada por ele na canção “Rainha”, integrante da trilha da global “Flor do Caribe”. Mas, por óbvio, ele trouxe também versos rimados, que desde sempre o traduzem:

Sei que nada se perdeu por completo, ainda resta um restinho de esperança, um fiapo, uma nesga de lembrança de um passado feliz que me marcou: um poeta, um boêmio, um cantador”.

Tal qual sua aprovação se deu por unanimidade junto ao Conselho Universitário, concedendo-lhe, assim, o título, a história de Maciel Melo e sua contribuição à cultura nordestina e brasileira, na música, na poesia, em trilhas de novela e programas televisivos, tem o assentimento de uma multidão, inclusive de artistas e contadores de causos, como ele.

“Com alegria e gosto presencio tudo isso, nada mais merecido. Maciel como poucos sabe fazer a verdadeira tradução da linguagem, do sentimento e da paisagem sertaneja, emocionando a todos com a verdade nordestina”, ressaltou o paraibano Jessier Quirino, que em comum ao mais novo Honoris Causa pernambucano, exalta o linguajar do Nordeste em palcos Brasil afora.

Maciel Melo recebeu Título Doutor Honoris Causa em solenidade nesta quinta (19), na UFPE – Ricardo Fernandes/Folha de Pernambuco

Dia importante
Para Marcelo Canuto, presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife, presente na solenidade, representando o prefeito do Recife João Campos, o dia de ontem foi “de uma representação importante para a produção da cultura popular”, tendo Maciel como uma figura merecedora por tudo que já fez como artista.

Sobre o artista
Natural de Iguaracy, no Sertão do Pajeú pernambucano, Maciel Melo é autor de mais de 20 álbuns e inúmeras composições consagradas na voz de artistas como Elba Ramalho, Dominguinhos, Fagner, Xangai, Geraldo Azevedo e Zé Ramalho, entre outros.

Com a canção “Caboclo sonhador”, interpretada pelo cantor Flávio José, tornou-se referência do forró contemporâneo fiel a sua matriz tradicional. Muitas das suas músicas também foram incluídas em trilhas sonoras de novelas e filmes.

Em 1991, Maciel ficou em segundo lugar na categoria Traditional Folk do Grammy. O artista também se destaca como autor de obras literárias de crônica, memória e poesia, na atuação em televisão e cinema e na participação em projetos culturais.

“É como se eu tivesse recebendo um diploma, é uma sensação que só quem está recebendo sabe do peso e responsabilidade de uma comenda como essa, principalmente vindo de uma das universidades mais importantes do País.

Fico com o sentimento de dever cumprido e de que valeu a pena todo o esforço que fiz para resistir e ser o que sou hoje, e daqui para frente tenho que procurar fazer melhor”, complementou o agora Doutor Honoris Causa reverberado por tantos em música, e aclamado por traduzir com maestria um ver, ouvir e viver sob memórias sertanejas.

Unanimidade

“Uma trajetória belíssima, enraizada na cultura do povo, que sabe cantar suas músicas, aprecia seus versos (…). A universidade precisa fazer reconhecimento a pessoas de sua estatura e representação no campo cultural. Maciel faz um trabalho de resistência daquilo que é típico e identitário da cultura nordestina.

É uma alegria tê-lo entre os Doutores Honoris Causa, vai ficar muito bonita a imagem dele junto às demais figuras que nós já honramos com esse título”.

A fala, em tom orgulhoso, é do reitor da UFPE, professor Alfredo Macedo Gomes, que presidiu a sessão de entrega do título. Além dele, o vice-reitor Moacyr Cunha de Araújo Filho também estava na composição da mesa, junto ao prefeito da cidade natal de Maciel Melo, Pedro Alves, e Marcelo Canuto, presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife, entre outros nomes.

Dona Maria de Lourdes, mãe de Maciel Melo, o acompanhou na solenidade | Crédito: Ricardo Fernandes/Folha de Pernambuco

Em meio a aplausos, sorrisos e olhos marejados, o “Caboclo Sonhador” de Iguaracy, Sertão pernambucano, admitiu lhe faltar palavras para um momento que ele chamou de “imenso”.

E em sua fala, após ser decretado oficialmente um Doutor Honoris Causa, Maciel Melo – autor de cantorias como “Que Nem Vem Vem”, “Caia Por Cima de Mim”, “Terra Prometida” e a clássica “Caboclo Sonhador”, entre outras centenas de composições – entoou falas de agradecimento à família, em especial à sua mãe, que já foi cantada por ele na canção “Rainha”, integrante da trilha da global “Flor do Caribe”. Mas, por óbvio, ele trouxe também versos rimados, que desde sempre o traduzem:

“Sei que nada se perdeu por completo, ainda resta um restinho de esperança, um fiapo, uma nesga de lembrança de um passado feliz que me marcou: um poeta, um boêmio, um cantador”.

Por Germana Macambira

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