CULTURA

Cantor e compositor natural de Iguaracy, no Sertão do Pajeú, tem carreira marcada pela valorização da cultura nordestina e difusão das tradições sertanejas
A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) concede o título de Doutor Honoris Causa ao artista pernambucano Maciel de Melo Santos. Conhecido por seu trabalho como cantor, compositor e escritor, Maciel Melo tem uma carreira marcada pela valorização da cultura nordestina e difusão das tradições sertanejas. O artista receberá o título em evento a ser realizado nesta quinta-feira (18), a partir das 16h, no hall do Complexo de Convenções, Eventos e Entretenimento da UFPE, no Campus Joaquim Amazonas, no Recife. A proposta de outorga do Doutor Honoris Causa, feita pelo Gabinete do Reitor, foi aprovada em sessão ordinária do Conselho Universitário realizada em 1º de dezembro.

“Ter esse reconhecimento pela universidade valida junto à sociedade pernambucana e brasileira, todos os poetas, compositores, atores, demonstrando que tão importante quanto à produção acadêmica pode ser a produção feita lá fora”, continuou Canuto.
E em sua fala, após ser decretado oficialmente um Doutor Honoris Causa, Maciel Melo – autor de cantorias como “Que Nem Vem Vem”, “Caia Por Cima de Mim”, “Terra Prometida” e a clássica “Caboclo Sonhador”, entre outras centenas de composições – entoou falas de agradecimento à família, em especial à sua mãe, que já foi cantada por ele na canção “Rainha”, integrante da trilha da global “Flor do Caribe”. Mas, por óbvio, ele trouxe também versos rimados, que desde sempre o traduzem:
“Sei que nada se perdeu por completo, ainda resta um restinho de esperança, um fiapo, uma nesga de lembrança de um passado feliz que me marcou: um poeta, um boêmio, um cantador”.
Tal qual sua aprovação se deu por unanimidade junto ao Conselho Universitário, concedendo-lhe, assim, o título, a história de Maciel Melo e sua contribuição à cultura nordestina e brasileira, na música, na poesia, em trilhas de novela e programas televisivos, tem o assentimento de uma multidão, inclusive de artistas e contadores de causos, como ele.
“Com alegria e gosto presencio tudo isso, nada mais merecido. Maciel como poucos sabe fazer a verdadeira tradução da linguagem, do sentimento e da paisagem sertaneja, emocionando a todos com a verdade nordestina”, ressaltou o paraibano Jessier Quirino, que em comum ao mais novo Honoris Causa pernambucano, exalta o linguajar do Nordeste em palcos Brasil afora.

Dia importante
Para Marcelo Canuto, presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife, presente na solenidade, representando o prefeito do Recife João Campos, o dia de ontem foi “de uma representação importante para a produção da cultura popular”, tendo Maciel como uma figura merecedora por tudo que já fez como artista.
Sobre o artista
Natural de Iguaracy, no Sertão do Pajeú pernambucano, Maciel Melo é autor de mais de 20 álbuns e inúmeras composições consagradas na voz de artistas como Elba Ramalho, Dominguinhos, Fagner, Xangai, Geraldo Azevedo e Zé Ramalho, entre outros.
Com a canção “Caboclo sonhador”, interpretada pelo cantor Flávio José, tornou-se referência do forró contemporâneo fiel a sua matriz tradicional. Muitas das suas músicas também foram incluídas em trilhas sonoras de novelas e filmes.
Em 1991, Maciel ficou em segundo lugar na categoria Traditional Folk do Grammy. O artista também se destaca como autor de obras literárias de crônica, memória e poesia, na atuação em televisão e cinema e na participação em projetos culturais.
“É como se eu tivesse recebendo um diploma, é uma sensação que só quem está recebendo sabe do peso e responsabilidade de uma comenda como essa, principalmente vindo de uma das universidades mais importantes do País.
Fico com o sentimento de dever cumprido e de que valeu a pena todo o esforço que fiz para resistir e ser o que sou hoje, e daqui para frente tenho que procurar fazer melhor”, complementou o agora Doutor Honoris Causa reverberado por tantos em música, e aclamado por traduzir com maestria um ver, ouvir e viver sob memórias sertanejas.
Unanimidade
“Uma trajetória belíssima, enraizada na cultura do povo, que sabe cantar suas músicas, aprecia seus versos (…). A universidade precisa fazer reconhecimento a pessoas de sua estatura e representação no campo cultural. Maciel faz um trabalho de resistência daquilo que é típico e identitário da cultura nordestina.
É uma alegria tê-lo entre os Doutores Honoris Causa, vai ficar muito bonita a imagem dele junto às demais figuras que nós já honramos com esse título”.
A fala, em tom orgulhoso, é do reitor da UFPE, professor Alfredo Macedo Gomes, que presidiu a sessão de entrega do título. Além dele, o vice-reitor Moacyr Cunha de Araújo Filho também estava na composição da mesa, junto ao prefeito da cidade natal de Maciel Melo, Pedro Alves, e Marcelo Canuto, presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife, entre outros nomes.

Em meio a aplausos, sorrisos e olhos marejados, o “Caboclo Sonhador” de Iguaracy, Sertão pernambucano, admitiu lhe faltar palavras para um momento que ele chamou de “imenso”.
E em sua fala, após ser decretado oficialmente um Doutor Honoris Causa, Maciel Melo – autor de cantorias como “Que Nem Vem Vem”, “Caia Por Cima de Mim”, “Terra Prometida” e a clássica “Caboclo Sonhador”, entre outras centenas de composições – entoou falas de agradecimento à família, em especial à sua mãe, que já foi cantada por ele na canção “Rainha”, integrante da trilha da global “Flor do Caribe”. Mas, por óbvio, ele trouxe também versos rimados, que desde sempre o traduzem:
“Sei que nada se perdeu por completo, ainda resta um restinho de esperança, um fiapo, uma nesga de lembrança de um passado feliz que me marcou: um poeta, um boêmio, um cantador”.
Por Germana Macambira