TCE-PE

Por Maysa Sena
Carlos Neves visitou a Folha de Pernambuco para convidar para a posse, marcada para 15 de janeiro, e apresentou os desafios e prioridades da gestão no biênio 2026/2027, com foco em inovação, sustentabilidade e melhoria dos serviços públicos
Aproximação com a sociedade, diálogo com gestores públicos e uma comunicação mais acessível estão entre as principais diretrizes da nova gestão do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE). O direcionamento foi apresentado pelo presidente Carlos Neves durante visita à sede da Folha de Pernambuco, nesta quinta-feira (8), ocasião em que entregou o convite para a posse solene.
Neves foi recebido pela vice-presidente do jornal, Mariana Costa; pelo diretor-operacional, José Américo Lopes Góis; pela editora-chefe, Leusa Santos; pela gerente de mercado, Tânia Campos; e pela colunista da Folha, Betânia Santana. A cerimônia de posse está marcada para o dia 15 de janeiro, às 17h, no Recife Expo Center, no bairro de São José.
Segundo o presidente, a própria imagem institucional do Tribunal de Contas ainda dificulta o entendimento da população sobre o seu papel. “Existe a ideia de que o tribunal apenas julga e pune, quando, na verdade, atuamos também de forma pedagógica, orientativa e preventiva”, afirmou.
Carlos Neves destacou que o TCE-PE realiza avaliações de políticas públicas e auditorias operacionais que não têm caráter sancionatório, mas visam apontar falhas, sugerir correções e melhorar a eficiência da gestão pública. “Fiscalizamos a legalidade, mas também colaboramos com os gestores para aprimorar a prestação do serviço público”, explicou.
O presidente ressaltou ainda a importância da Ouvidoria como canal de diálogo com o cidadão, mas reconheceu os desafios impostos pela desigualdade social. “Muitas vezes, o cidadão sequer sabe que pode recorrer ao Tribunal para reclamar da qualidade do transporte escolar ou da merenda. Comunicar isso é um desafio enorme”, afirmou.
Sustentabilidade
A sustentabilidade e a preparação dos municípios para eventos climáticos extremos também estão entre as prioridades da gestão no biênio 2026/2027. Durante o encontro, Neves revelou dados de um levantamento realizado pelo Tribunal que apontam que 75% dos municípios pernambucanos não estão preparados para enfrentar eventos extremos, como ondas de calor intenso, chuvas fortes ou fenômenos climáticos atípicos. “Estamos vivendo uma nova realidade climática, e os municípios precisam estar preparados para isso”, alertou.
Segundo o presidente, o TCE-PE tem ampliado a atuação na avaliação de políticas públicas e obras, considerando critérios ambientais, urbanísticos e de resiliência climática. “Hoje, quando uma prefeitura realiza uma obra, ela precisa pensar se aquela estrutura está preparada para eventos extremos. Essa variável já não pode ser ignorada”, afirmou.
Além da atuação externa, Carlos Neves destacou que o Tribunal também pretende reforçar as ações internas de sustentabilidade, alinhadas aos princípios de ESG. “Não dá para cobrar apenas dos outros. Precisamos olhar para dentro do Tribunal, dar o exemplo e fortalecer nosso programa interno de sustentabilidade”, disse.
Fala Gestor
Um dos instrumentos destacados pelo novo presidente do TCE-PE para aproximar o órgão dos gestores públicos é o programa Fala Gestor, iniciativa voltada ao diálogo, à orientação técnica e ao compartilhamento de boas práticas entre o Tribunal e as administrações municipais e estaduais.
Segundo Neves, o programa está alinhado à proposta de fortalecer o modelo de tribunal pedagógico, aproveitando a ampla produção de conhecimento técnico do TCE-PE. “O Fala Gestor permite transformar essas informações em orientação prática para quem está na ponta”, afirmou.
O presidente também ressaltou que o Fala Gestor reflete a mudança no modelo de fiscalização adotado pelo TCE-PE, que passou a investir mais em diagnósticos prévios, capacitação e prevenção. Como exemplo, citou a atuação do Tribunal na melhoria do transporte escolar, que envolveu treinamento das equipes municipais, orientação sobre contratos e gestão de rotas, além da cobrança por ajustes.
“E cobrando do outro lado, corrige, dando a mão da orientação e a mão da exigência de fiscalização. Hoje é uma política pública estadual. […] O Tribunal participou disso. Essa é a forma”, concluiu.