Como a crise vem mexendo com clientes e funcionários nas Americanas

NEGÓCIOS

Americanas tenta seguir em frente nas vendas, em meio a crise. Foto/Divulgação

Reportagem do Metrópoles esteve em uma unidade da Americanas perplexos, clientes revelam preocupação com futuro da varejista.

O dia de tempo firme na cidade de São Paulo se transformou, logo no início da tarde de terça-feira (7/2), quando o céu escureceu e um vendedor de guarda-chuvas abriu sua barraca bem em frente à unidade das Lojas Americanas na Rua Doze de Outubro, na Lapa, zona oeste da capital. Poucos minutos depois, um temporal desabou.

Apesar da chuva, o movimento era intenso tanto na rua, um conhecido centro de comércio popular paulistano, quanto dentro da loja da Americanas. Clientes e funcionários, contudo, não eram indiferentes à crise sem precedentes provocada pelo rombo bilionário nas contas da varejista.

Na semana anterior, a cerca de 440 quilômetros dali, na Cinelândia, centro do Rio de Janeiro, sindicatos ligados ao comércio fizeram um protesto em frente a uma loja da Americanas cobrando respostas da empresa para a maior crise de sua história.

Afundada em dívidas estimadas em quase R$ 48 bilhões, com mais de 16 mil credores, a companhia teve aprovado pela Justiça um pedido de recuperação judicial.

No início de fevereiro, a Americanas demitiu cerca de 60 empregados terceirizados em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre e encerrou o serviço de televendas.

Enquanto acionistas minoritários da empresa vão à Justiça contra os acionistas de referência – os bilionários Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira –, pedindo o bloqueio de bens dos majoritários e o afastamento de conselheiros e diretores da Americanas, no dia a dia do consumidor o que resta são dúvidas e preocupações com o futuro de uma das marcas mais populares do Brasil.

“Difícil de acreditar”

O contador Sérgio Pama, de 44 anos, que fazia compras na Americanas acompanhado pelo filho, demonstrou ceticismo ao ser questionado se acreditava na versão apresentada pelo trio de acionistas de referência da Americanas – a de que, assim como os demais acionistas, foram pegos de surpresa pelo rombo bilionário na companhia.

Deixaram de notar R$ 20 bilhões, depois R$ 40 bilhões e agora sabe-se lá quanto… É muito estranho isso, é difícil acreditar que foi um erro. Parece uma maquiada para a empresa não entrar em crise”, afirmou. “Não sei exatamente os pormenores do caso, mas, pelo que a gente acompanha na imprensa, parece que não é uma coisa de falha humana, não.”

Ainda de acordo com a empresa, “o sortimento do marketplace voltou a patamares similares aos meses anteriores aos últimos acontecimentos”. “A Americanas reitera que segue operando normalmente, focada na gestão do negócio e no propósito de oferecer a melhor experiência a seus clientes, parceiros e fornecedores”, diz a nota.

A companhia afirma ainda que “não iniciou nenhum processo de demissão de funcionários” e “apenas interrompeu alguns contratos de empresas fornecedoras de serviços terceirizados”. “A Americanas atua neste momento na condução de seu processo de recuperação judicial, cujo objetivo é garantir a continuidade das atividades da empresa, incluindo o pagamento dos salários e benefícios de seus funcionários em dia. O plano de recuperação definirá quais serão as ações da empresa para os próximos meses e será amplamente divulgado assim que for finalizado.”

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