ELEIÇÕES 2022
Especialistas avaliam que disputa nacional reproduziu cenário agressivo de eleições municipais.

Brasileiros vão às urnas neste domingo (2) sob clima inédito de medo e violência em eleições presidenciais. De assassinatos de eleitores a ameaças a candidatos, a disputa reproduziu um cenário que costumava ser visto em pleitos municipais e sinalizou que a polarização política chegou a outro patamar.
“Nunca chegamos a uma eleição desse jeito. Em geral se vê mais violência em eleições municipais, candidatos a vereador. Além de violência contra postulantes, a novidade é essa onda de violência gratuita e de intolerância à divergência”, diz a diretora-executiva do Instituto Sou da Paz, Carolina Ricardo.
Antes mesmo do início oficial da campanha, casos de agressão já se acumulavam. Em julho, um policial bolsonarista invadiu uma festa de aniversário e matou a tiros um militante petista em Foz do Iguaçu (PR).
No mesmo mês, uma caminhada com Marcelo Freixo (PSB), candidato ao Governo do RJ, foi encerrada após apoiadores armados do deputado estadual bolsonarista Rodrigo Amorim (PTB) fazerem ameaças.
O receio de violência levou a Polícia Federal a montar o maior esquema de segurança da história para a proteção dos candidatos à Presidência. A campanha de Lula chegou a cancelar viagens, rever a estrutura de comícios e a traçar um plano para evitar que apoiadores deixem de votar por medo de agressão.
“Houve casos em Foz do Iguaçu, Mato Grosso, Ceará, Santa Catarina. São pessoas que não estavam no centro do debate político”, afirma o sociólogo David Marques, coordenador de projetos do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. “As pessoas agora estão com medo de sair na rua com camiseta, de colar adesivo no carro, colocar broche na mochila. Elas temem sofrer ameaças ou se envolver em algum conflito.”
No início de setembro, um apoiador do presidente Jair Bolsonaro (PL) confessou ter matado a facadas um colega de trabalho em Mato Grosso após uma discussão política em que a vítima defendeu Lula.
Em setembro, um simpatizante do PT matou em Santa Catarina, também a facadas, um homem que vestia uma camisa com menção a Bolsonaro. A polícia investiga se houve motivação política.
Na última quinta-feira (29), o carro e a casa da ex-mulher de Bolsonaro, a candidata a deputada distrital Ana Cristina Valle (PP-DF), foram alvos de vandalismo em Brasília. Ela e o filho, Jair Renan Bolsonaro, publicaram vídeos curtos nas redes sociais sobre o ocorrido e sugeriram motivos políticos pelo ataque.
folha/Uol