POLÍTICA

Uma informação que circula nos bastidores diz respeito a suposta apreensão do presidente da Comissão de Constituição, Legislação e Justiça da Alepe em colocar para apreciação o projeto do governo Raquel Lyra (PSDB) para um empréstimo de R$ 3,4 bilhões, hoje na Casa.
Esse dinheiro vai servir para garantir investimentos em infraestrutura que vão desde saneamento básico até moradia para pessoas que vivem em situação de risco.
É dinheiro também para melhorar a estrutura de segurança do estado. Sim, você que tem medo de sair na rua, que se amedronta com assaltos e homicídios em Pernambuco. Esse dinheiro pode ajudar. Mas esse dinheiro pode não ser liberado para Pernambuco, porque alguns deputados estaduais estão chateados com a governadora.
A função administrativa constitui o dever do Estado de atender ao interesse público. Não há maneira melhor de analisar uma afirmação como essa se não for reconstruindo ela do fim para o começo, assim: “se o dever do Estado é atender ao interesse público, a função administrativa deixa de existir caso não faça isso”.
Segundo divulgou o Blog de Jamildo, esta semana, o movimento de insatisfação dos deputados tem o objetivo de “sinalizar descontentamento com a gestão, no relacionamento com a casa”. Agora, pense nessa justificativa dada por alguns deputados e releia a frase do parágrafo anterior: “o dever do Estado é atender ao interesse público”.
O interesse público deveria estar sujeito à simpatia dos deputados com a governadora? O tamanho do investimento que o Governo de Pernambuco fará para controlar a violência deveria estar sujeito à simpatia dos deputados? E o saneamento básico?
O deputado Antônio Moraes (PP) que preside a comissão de Constituição, Legislação e Justiça na Alepe deveria estar preocupado com a possibilidade de ter uma liberação de recursos por empréstimo no valor de R$ 3,4 bilhões recusada se os colegas dele estivessem agindo em acordo com o dever de atender ao interesse público?
Os deputados, incluindo a oposição e a tal bancada independente, podem ter todas as diferenças com a governadora. Isso é um problema que os dois lados, Executivo e Legislativo, precisam resolver. Os deputados podem não gostar da maneira como estão sendo tratados. Os deputados podem não apreciar o método de Raquel e isso não seria incomum, já que o histórico dela na hora de lidar com o Legislativo costuma ser alvo de críticas desde que ela era prefeita em Caruaru.
Muito bem. Senhoras e senhores, tenham suas rusgas e divergências. Mas, não se pode servir a Deus e a Mamom, como se lê em Mateus naquele livro que todos conhecem como Bíblia. Não se pode servir às antipatias privadas e ao interesse público ao mesmo tempo, também.
Se o empréstimo não for autorizado, os deputados de Pernambuco estarão colocando suas antipatias e questões pessoais à frente da Segurança e da Saúde dos pernambucanos? É uma pergunta sincera. Por Igor Maciel/JC/NE.