Abuso da fé

ONDE VAMOS PARAR?

Claudio Soares. Foto: Divulgação

A corrente Bolsonarista diz que Lula vai fechar igrejas para afastar os católicos dele. A ala Lulista fala que Bolsonaro é ligado a maçonaria para os evangélicos não votarem nele. Onde vamos parar?

Fake News (notícia falsa) é fofoca e um vírus pernicioso que destrói reputações. O remédio é se despir da extremidade, do ódio, fanatismo, maldade e ignorância. Para evitar cair em notícias falsas é imprescindível que você busque outras fontes de informações e não fique restrito na primeira notícia que se ler.

A democracia e a religião têm por finalidade: o bem-estar do povo. Realizar e apoiar a vontade das pessoas, de viver livre e feliz em seu país é o ponto central da democracia. A religião, por sua vez, é um catálogo de regras, que orienta as pessoas sobre como elas podem conviver contentes numa sociedade.

Sabe-se que não se trata de um fenômeno novo – a exploração religiosa, como se percebe, remonta a séculos em nossa conturbada história –, não há como negar que o acelerado processo de globalização também se traduz por meio de valores religiosos.

A denominada “teologia de Deus acima de tudo”, tão ao gosto das recentes expressões em defesa das famílias, constitui um exemplo paradigmático.

A situação é agravada em conjunturas de crise socioeconômica e eleições, ocasiões em que se fazem mais fortes e mais frequentes os apelos à divindade, no sentido de socorrer milagrosamente desempregados, endividados, enfermos graves, lares desintegrados.

Quase tudo passa do terreno das possiblidades humanas para o campo da segurança exclusiva em Deus. Transfere-se para Deus tudo o que, antes, era da tarefa dos homens.

Esses pastores que pregam o falso amor são capazes de até negociarem votos em troca de cargos eletivos. Mas nunca vão defender uma autêntica reforma tributária para acabar com a imunidade tributária de seus templos e patrimônios.

No Brasil, segundo o IBGE, anualmente são abertas 14 mil igrejas evangélicas. Mantida a tendência atual de crescimento no número de evangélicos, os católicos devem representar, em poucos anos, menos de metade da população brasileira.

Nesse contexto, a tendência dominante é de abusar da vulnerabilidade das pessoas e arregimentar multidões, “em nome de um candidato e não de Jesus” visando a disputa política e o poder político.

Por Cláudio Soares. Advogado e jornalista

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