POLÍTICA

Por Anthony Santana
Com aproximação entre Eduardo da Fonte e João Campos, demais postulantes ao Senado buscam alternativas
A janela partidária, período em que parlamentares podem migrar de partido sem sofrer sanções, está gerando rearrumações para além das agremiações. As composições para o Senado Federal nas chapas que concorrerão ao governo do estado mudaram até de lado desde o início do processo em 3 de março.
Pré-candidatos, a ex-deputada Marília Arraes (SD) e o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos) já estão em tratativas para, possivelmente, compor a chapa da governadora Raquel Lyra (PSD), que disputará a reeleição para o comando do estado.
A primeira deve se reunir com a gestora em Brasília amanhã. Já o segundo, estaria com as negociações mais avançadas. Nas redes sociais, ele indicou que ouvirá a base do partido e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), para confirmar a aliança.
“Ao longo dos próximos dias, ouviremos prefeitos, ex-prefeitos, vereadores, deputados e, naturalmente, o presidente Lula. Será uma decisão construída de forma coletiva, com responsabilidade e diálogo”, escreveu o ministro Silvio Filho no X.
Além deles, o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (UB), também ensaia um movimento de aproximação com Raquel Lyra.
Em agenda na cidade de Petrolina, ontem, Coelho afirmou que será candidato ao Senado pelo União Brasil.
“Tudo o que aconteceu em Pernambuco nos últimos dias, vocês irão compreender. O que vai acontecer nos próximos dias vai legitimar a postulação não apenas de uma candidatura, mas de um movimento de afirmação de uma nova geração da política pernambucana que quer oferecer uma alternativa diferente do que está sendo ofertado”, garantiu.
Os três postulantes chegaram a circular em eventos e participar de agendas no Recife ao lado do prefeito e presidente nacional do PSB, João Campos (PSB), que deve liderar a chapa da Frente Popular de Pernambuco na corrida pelo comando do estado.
O fato que deu início às mudanças veio do palanque da governadora. O presidente do Partido Progressistas em Pernambuco, o deputado federal Eduardo da Fonte, que tem controle sobre a Secretaria de Turismo e Lazer, além de órgãos como o Detran, Lafepe e o Porto do Recife, não firmou compromisso de estar na chapa da gestora.
Também pré-candidato ao Senado, o líder partidário, no entanto, abriu negociações com o gestor recifense. O tamanho do partido Progressistas em Pernambuco torna Eduardo da Fonte cacifado para disputar o acesso à Casa Alta do Congresso Nacional. Foram eleitos pela sigla 24 prefeitos em 2024 no estado, além de contar com oito deputados estaduais e três federais.
A aproximação de Eduardo e João deixa distante a presença de algum dos postulantes na chapa como candidatos ao Senado. Isso porque uma das duas vagas desde o início estava reservada para o atual senador Humberto Costa (PT), que terá o mandato expirado este ano e tentará a reeleição para mais oito anos no cargo.
O acordo tem a finalidade de firmar o apoio do PT à candidatura de João Campos e seria um pedido pessoal do presidente Lula (PT), de acordo com informações de bastidores. Com isso, restam aos demais postulantes tentarem uma candidatura avulsa ou se aliar à governadora e disputar pela chapa da situação, movimento que está ganhando força.
Em visita a Pernambuco na última semana, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, que deverá abonar a ficha de filiação de Marília Arraes como nova filiada da legenda até o fim do mês, revelou que a governadora Raquel Lyra se mostrou disposta a ter a ex-opositora na chapa e teve uma “conversa boa” com ela.
As portas não estão, de todo, fechadas, na chapa do prefeito do Recife. Por iniciativa do gestor, hoje, ele deve se reunir com Lupi e Marília para tentar manter a prima no seu projeto e evitar que ela migre para a oposição.