Comissão de Finanças da Alepe adia votação de projeto do governo sobre remanejamento do orçamento de 2026

CONFLITO NA POLÍTICA

Comissão de Finanças /Alepe
Comissão de Finanças /Alepe

Relator Antônio Coelho alegou necessidade de mais tempo para analisar possíveis duplicidades entre artigos propostos pelo Executivo e pelo Legislativo

Por Rodrigo Fernandes/JC

A Comissão de Finanças, Orçamento e Tributação (CFOT) da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) adiou nesta segunda-feira (23) a votação do parecer geral e da redação final do projeto de lei que autoriza o governo estadual a remanejar até 20% dos recursos previstos na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026.

A decisão foi anunciada em reunião extraordinária convocada exclusivamente para apreciar a matéria. O encontro durou pouco mais de dois minutos.

O projeto, de número 3694/2026, é considerado central para encerrar a disputa entre o Executivo e o Legislativo pelo controle da execução orçamentária. Na prática, o texto amplia a margem de manobra do governo para ajustar despesas por meio da abertura de créditos suplementares. O Legislativo defende que esse percentual seja de 10%.

O relator geral, deputado Antônio Coelho (União Brasil), presidente da comissão, justificou o adiamento dizendo ter sido alertado pela equipe técnica sobre possíveis duplicidades entre artigos propostos pelo Executivo e pelo Legislativo.

“Estamos envidando os melhores esforços para que superemos essas duplicidades e possamos fazer uma conciliação entre o que foi proposto pelo Poder Legislativo e o Poder Executivo”, justificou Coelho na sessão. A reportagem tenta contato com o parlamentar para entender quais pontos apresentaram duplicidade.

Durante a reunião, o deputado Rodrigo Farias (PSB) pediu acesso ao relatório de Coelho, caso já estivesse concluído, mas o parlamentar disse que o texto ainda não está pronto. Já o deputado Henrique Queiroz Filho (PP) questionou se havia prazo para entrega. O presidente da comissão respondeu apenas que será “em breve”.

A comissão de Finanças se reúne novamente nesta terça-feira (24), às 10h30, em sessão ordinária. A matéria não consta na pauta do colegiado publicada no Diário Oficial do Legislativo, mas Coelho pode incluí-la durante o encontro. Depois de passar pela comissão, o texto ainda vai a votação no plenário.

Parecer parcial foi aprovado na semana passada

O relatório parcial do projeto foi aprovado na comissão de Finanças da Alepe na última terça-feira (17). O texto havia sido encaminhado pelo Executivo em 29 de dezembro de 2025, depois que a governadora vetou trechos da LOA aprovada pela Alepe argumentando haver lacunas na execução orçamentária, e estava travado desde então.

Além da porcentagem dos créditos suplementares, o projeto também prevê regras para operações de crédito com uso de ICMS e Fundo de Participação dos Estados (FPE) como garantia, além de margens específicas de remanejamento para fundos, estatais e o Consórcio de Transportes da Região Metropolitana do Recife (CTM).

Esse percentual de remanejamento foi um dos principais focos de tensão política na Alepe desde a tramitação da LOA, no fim de 2025. Deputados defendiam maior rigidez no controle do orçamento, enquanto o governo argumentava que restrições poderiam comprometer sua capacidade de resposta.

Na semana passada, o avanço do projeto na comissão foi interpretado nos bastidores como sinal de distensão entre as partes.

O presidente da comissão, Antônio Coelho, vinha sendo um dos principais opositores da governadora na Alepe, mas passou a adotar postura mais conciliadora após seu irmão, o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil), aderir à chapa de Raquel Lyra e surgir como pré-candidato ao Senado em seu palanque nas eleições de outubro.

Ao lado de Fernando Monteiro e líderes do PT que não apoia, Márcia Conrado tenta equilibrar posição

CONFLITO

Foto; Reprodução

Nesta segunda-feira (02/03), a prefeita de Serra Talhada, Márcia Conrado (PT), realizou uma agenda na Praça Sérgio Magalhães, com a entrega de ambulâncias – fruto do mandato do deputado estadual Doriel Barros (PT).

O evento reuniu o próprio deputado estadual e o presidente estadual do PT, Carlos Veras, ambos do partido ao qual ela é filiada, mas que não recebem seu apoio eleitoral.

No mesmo palanque estava também Fernando Monteiro (PSD), aliado da governadora Raquel Lyra, de quem Márcia é adversária política no Estado.

Com Doriel e Carlos Veras presentes no dispositivo institucional, a prefeita proferiu um discurso que buscou justificar e equilibrar sua posição política em relação ao PT, conciliando aliados dentro e fora do partido:

“Podem ter certeza que o amor que eu tenho por Marina e Vitória, eu tenho por esses meninos [ Doriel e Carlos]. E não deixarei darem passo para trás, porque o futuro pertence a nós e a gente vai fazer da melhor forma. Não me cansarei em continuar nesse ritmo, porque tenho vocês sempre ao meu lado, acreditando que quando se pode, quando se quer, se conquista. Baixar a cabeça só para agradecer a Deus o que Ele nos permite fazer. Ao povo, o nosso trabalho, não mentiras, não brigas. Ao povo, o nosso compromisso de sempre fazer mais.”

A fala da prefeita Márcia busca equilibrar sua posição: ela mantém relações formais com líderes do PT que a ajudaram na reeleição, mas lançou seu marido, Breno Araújo (PSB), para estadual, e apoia Fernando Monteiro, para federal, mostrando que sua estratégia política não é alinhada com o partido.

A frase sobre “não mentiras, não brigas, não baixar a cabeça” evidencia que ela não se submete politicamente, enquanto a menção ao “futuro pertence a nós” funciona como uma sinalização de controle sobre a própria base eleitoral e o ritmo da política local, sem qualquer tom institucional ou de liderança partidária.

As informações são do Júnior Campos