O Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria Estadual de Cultura (Secult-PE) e da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe), divulgou, nesta quinta-feira (10), o resultado final da seleção do concurso anual de Registro de Patrimônios Vivos de Pernambuco (RPV-PE).
Foram escolhidos mais dez mestres, mestras e grupos. Assim, o Estado passa a ter 95 Patrimônios Vivos registrados de diferentes regiões do Estado. A eleição ocorreu durante reunião presencial do Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CEPPC-PE), na Academia Pernambucana de Letras. Os dez novos eleitos participaram do edital que contou com 103 candidaturas inscritas e 101 habilitadas.
O forrozeiro serra-talhadense, Assisão, é um dos contemplados com o titúlo de Patrimônio Vivo de Pernambuco. Além dele, o Coco de Roda Negros e Negras do Leitão da Carapuça, de Afogados da Ingazeira, também foi contemplado na região do Pajeú.
A titulação dos dez novos Patrimônios Vivos está marcada para a próxima quinta-feira (17), Dia Nacional do Patrimônio Histórico, durante cerimônia da 16ª Semana do Patrimônio Cultural de Pernambuco, a ser realizada no Teatro Santa Isabel. Na ocasião também será feita a entrega do Prêmio Ayrton de Almeida Carvalho, premiação promovida pela Fundarpe.
Na reunião, na qual foram eleitos os dez novos Patrimônios Vivos, o Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural fez a leitura dos critérios e diretrizes que foram norteadores para a difícil missão da avaliação das candidaturas e escolha dos contemplados.
Os novos Patrimônios Vivos de Pernambuco são:
As Cantadeiras do Povo Indígena Pankararu, de Tacaratu (Sertão de Itaparica);
Afoxé Alafin Oyó, de Olinda (Região Metropolitana do Recife);
Reisado da Comunidade Quilombola do Saruê, de Santa Maria da Boa Vista (Sertão do São Francisco);
Caboclinho Canindé de Goiana (Zona da Mata Norte);
Troça Carnavalesca Mista Pitombeira dos Quatro Cantos, de Olinda (Região Metropolitana do Recife);
Assisão, de Serra Talhada (Sertão do Pajeú);
Coco de Roda Negros e Negras do Leitão da Carapuça, de Afogados da Ingazeira (Sertão do Pajeú);
Mestra Nilza Bezerra da Bonequinha da Sorte de Gravatá (Agreste Central);
Ilé Axé Oxalá Talabi, de Paulista (Região Metropolitana do Recife);
Mestra Vera Brito, de Vicência (Zona da Mata Norte), artesã que confecciona bonecas com fibra de bananeira e palha de milho. * Por Redação Sertão Notícias.
Tem cinema de graça para o Sertão do Pajeú de 22 a 25 de agosto: a cidade de Afogados da Ingazeira receberá a segunda edição da Mostra da Diversidade Sexual no Sertão do Pajeú, evento que reúne filmes e oficinas formativas gratuitas para o público em geral. Com incentivo do Funcultura, Fundarpe e Governo do Estado de Pernambuco, a mostra é uma realização da Xerém Produções, em parceria com a Pajeú Filmes e apoio da Prefeitura Municipal de Afogados da Ingazeira.
Na edição de 2023 foram inscritos 137 filmes, dos quais 15 serão exibidos nas noites de 23 (quarta) a 25 (sexta) de agosto (confira a programação no fim do texto). A curadoria ficou por conta das especialistas Dayanna Louise e Bruna Tavares. “Este projeto surgiu com objetivo de proporcionar maior visibilidade a todes trabalhadores LGBTQIA+ do audiovisual, porque cinema é ferramenta importante para expressar a potência e a diversidade desse movimento”, destaca Lúcio Vinícius, produtor executivo do evento.
Além dos filmes, a mostra ainda promoverá ações formativas: a oficina de Minidocumentário com Marlon Meireles e a oficina de Elaboração de Projetos com Bruna Tavares e William Tenorio. “É importante, para além dos projetos culturais que a Xerém Produções vem fazendo nos últimos tempos, incluir neles ações formativas para que outras pessoas aprendam a também fazer projetos e, assim, a cadeia de cultura e arte crescer ainda mais em nossa região”, reforça Lúcio.
O curso Mini Documentário é destinado a alunos da rede municipal, enquanto as inscrições para o curso de Elaboração de Projetos são abertas para todes e estão disponíveis até 14/8 no instagram da mostra:
https://www.instagram.com/mostradadiversidade
FILMES POR UMA SOCIEDADE SEM PRECONCEITO
A curadoria da mostra aponta que os filmes deste ano produzem “riscos, rasuras e rasgos em contratos tidos como inegociáveis, provocando descompasso no discurso neoconservador ao adotar formas outras de habitar, sentir e como(ver) o mundo”, na fala das curadoras. “Acreditamos, ainda, na importância de ter esses filmes exibidos em tela, difundindo produções que hasteiam e carregam essa bandeira marcada por orgulho, sensibilidade e muita luta que é o universo LGBTQUAP+”, finaliza Lúcio.
PARA ENTENDER
A sigla LGBTQIAP+ significa: Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais/Transgêneros/Travestis, Queer, Intersexual, Assexual, Pansexual.
PROGRAMAÇÃO COMPLETA E GRATUITA TERÇA – 22/07
14h – Oficina de Elaboração de Projetos com Bruna Tavares e William Tenorio – Auditório da secretaria de Assistência Social;
QUARTA – 23/07
13h – Oficina de Elaboração de minidocumentário com Marlom Meirelles – Escola Munº Profª Giselda Simões;
14h – Oficina de Elaboração de Projetos com Bruna Tavares e William Tenorio – Auditório da secretaria de Assistência Social;
19h- Abertura oficial – CINE SÃO JOSÉ – Afo. da Ingazeira-PE
Apresentação de Bennedita Arcoverde- Arcoverde/PE
mostra de curtas: mover-se para além da dor – 1h29
Tá fazendo sabão (BA, 2022, 6´) de Ianca Oliveira
Nunca estarei lá (SP, 2022, 24´) de Rodrigo Campos
Sethico (PE, 2021, 14´) de Wagner Montenegro
Justa causa (SP, 2023 , 22´) de Ubirajara Gonçalves Filho
No início do mundo (MG, 2023, 24´) de Gabriel Marcos
Após as sessões debate com mediação de: Dayanna Louyse e Lúcio Vinicius
QUINTA – 24/07
13h – Oficina de Elaboração de minidocumentário com Marlom Meirelles –
Escola Munº Profª Giselda Simões
14h – Oficina de Elaboração de Projetos com Bruna Tavares e William Tenorio – Auditório da secretaria de Assistência Social
19h- CINE SÃO JOSÉ – Afo. da Ingazeira-PE
Apresentação de Renna Costa- Buíque/PE
mostra de curtas: a vida é filme a morte é fotografia – 1h20
Céu (PB, 2022,15´) de Valtyennya Pires
São Marino (SP, 2022, 20´) de Leide Jacob
Eu nunca contei a ninguém (PE, 2022,10:30´)de Douglas Duan
Ave Maria (RJ, 2022, 15´) de Pê Moreira
Dance (PB, 2020, 19´) de Jorja Moura
Após as sessões debate com mediação de: Dayanna Louyse e Lúcio Vinicius
SEXTA – 25/07
13h – Oficina de Elaboração de minidocumentário com Marlom Meirelles – Escola Munº Profª Giselda Simões;
19h- CINE SÃO JOSÉ – Afo. da Ingazeira-PE
Apresentação de Palloma Sales – Afogados da Ingazeira/PE
mostra de curtas: fazer do tremor uma dança – 1h10
Quinze primaveras (CE, 2022,15:33´) de Leão Neto
No reflexo do meu nome (SC, 2023,17´) de Sillas H e Vini Poffo
Avôa (PB, 2022, 4´) de Lucas Mendes
Amor by nigth (PE, 2022, 19:10´) de Henrique Arruda
Nordeste futurista (PB, 2022, 18´) de Luana Flores
Após as sessões debate com mediação de: Dayanna Louyse e Lúcio Vinicius
SERVIÇO:
segunda edição da Mostra da Diversidade Sexual no Sertão do Pajeú
De 22 a 25 de agosto em Afogados da Ingazeira com oficinas e exibições de filmes gratuitos. Informações e inscrições: Instagram da Mostra.
Henrique Marinho, Secretário de Cultura, Turismo e Esportes de São José do Egito, esteve em reunião com membros da Fundarpe e garantiu a assinatura de termo que irá proporcionar o restauro do Paço Municipal, um dos prédios mais antigos da Cidade, o qual futuramente receberá os acervos do tão esperado Museu.
O Projeto tramita há anos e por questões burocráticas, só agora pode caminhar com a liberação de mais de meio milhão de reais, oriundo de emendas parlamentares do então Deputado Federal Tadeu Alencar.
“Este projeto sempre foi uma prioridade minha enquanto Secretário e uma pauta de destaque da Gestão. As questões burocráticas acabam deixando o processo bastante lento, mas nós temos caminhado e insistido para que o sonho do Museu da Poesia seja uma realidade de todo povo egipciense e de todo Pajeú”, pontua Henrique Marinho.
O setor cultural pernambucano vai receber um grande reforço em investimento para a sua cadeia produtiva. Após aprovação do plano de ação da Lei Paulo Gustavo (LPG), em junho, o Governo de Pernambuco já tem em caixa R$ 100,1 milhões que serão destinados para a aplicação da lei.
A liberação, junto ao Ministério da Cultura, seguirá diretrizes de descentralização e acessibilidade dos recursos, mediante mecanismos como editais de fomento, premiações e incentivos.
A Secretaria de Cultura vai executar o total disponibilizado ainda neste segundo semestre por meio dos editais, que já estão em fase de elaboração e validação para serem lançados em agosto.
“Já está nas contas do Governo do Estado mais de R$ 100 milhões repassados pelo Governo Federal via Lei Paulo Gustavo. Nossa determinação é sermos o mais diligentes e ágeis para que os editais sejam divulgados nas próximas semanas e o investimento chegue na ponta até o fim do ano, dobrando o orçamento da cultura”, ressalta a governadora Raquel Lyra.
A Lei Paulo Gustavo (Lei Complementar nº 195, de 8 de julho de 2022), que recebe esse nome em homenagem ao ator falecido em decorrência da covid-19, tem o objetivo de apoiar o setor cultural diante dos desafios causados pela pandemia.
“Tenho certeza que há muitos projetos, muitas iniciativas legais aguardando esta oportunidade, que chega para todos: o artista erudito, o artista pop, o da cultura popular, o da periferia, do audiovisual e de todas as linguagens. É importante reforçar e convocar a todos para fazer o cadastro ou atualizar seus dados no Mapa Cultural de Pernambuco, para fazer a submissão de propostas à LPG”, destaca o secretário de Cultura, Silvério Pessoa. Uma das principais norteadoras da atual gestão, a cultura periférica terá um edital específico, em alinhamento com as diretrizes da regulamentação da Lei Paulo Gustavo.
A partir da aprovação dos R$ 100,1 milhões para Pernambuco pelo Governo Federal, o orçamento da Cultura executado pela administração do Estado passará de R$ 115,4 milhões para R$ 215,5 milhões. Do total do valor entregue, R$ 73 milhões serão destinados para a produção audiovisual (artigo 5º e 6º da LPG), por se tratar de recursos do Fundo Setorial do Audiovisual, que, por lei, precisam ser obrigatoriamente destinados para o segmento. Os outros R$ 26 milhões irão para as demais linguagens (artigo 8º).
O plano de ação prevê editais de fomento, idealizando ações de apoio à produção e incentivo a salas de cinema, formação e qualificação, além da realização de cineclubes, festivais, mostras e mais. Ainda contempla editais para artesanato, artes circenses, artes visuais, cultura popular e tradicional, dança, entre outros formatos.
Além de uma parcela dos investimentos repassada para o setor cultural via processos como o lançamento de editais, haverá outra que será destinada diretamente a ações da própria gestão estadual. Assim, uma parcela dos recursos possibilitará investimentos públicos em equipamentos culturais de responsabilidade do Estado, como o Cinema São Luiz, no Recife, e o Theatro Cinema Guarany, em Triunfo, no Sertão.
A lei também concede investimentos considerando a desconcentração territorial, com a seguinte distribuição: 20% para a macrorregião do Sertão; 20% para o Agreste; 20% para Zona da Mata; e 40% destinado à Região Metropolitana.
Os projetos que possuírem iniciativas de acessibilidade destinados a pessoas com deficiência contarão com um repasse de, no mínimo, 10% a mais.
Os instrumentos da execução da lei em Pernambuco também contarão com ações afirmativas, com indutores de 20% para pessoas pretas, pardas ou indígenas; 20% para mulheres cis ou trans/travesti; 15% para povos e comunidades tradicionais, indígenas e quilombolas; 5% para pessoas com deficiência; 5% para pessoa idosa, com idade igual ou superior a 60 anos; e 5% para identidade não cisgênera ou ageneridade. Por Carlos Recúpero Acessa Caruaru.
A Prefeitura de Sertânia comemorou nessa segunda-feira, 3, a aprovação de seu Plano de Ação referente à Lei Paulo Gustavo, garantindo ao município um aporte de R$ 340 mil para fomento da cultura. O plano foi elaborado após o governo local criar o Fundo Municipal de Cultura e atualizar o Conselho de Cultura.
“A partir daí, fizemos o cadastro do nosso Plano de Ação e, na última quinta-feira, tivemos a notícia da aprovação pelo Ministério da Cultura”, celebrou o secretário municipal de Cultura, Tácio Henrique.
Segundo a prefeitura, todos os fazedores de cultura serão ouvidos nesse processo para aplicação da verba proveniente da Lei Paulo Gustavo. Em breve serão divulgadas as datas para realização das escutas e apresentação das chamadas públicas dos editais, conforme os prazos da legislação.
Sobre a lei
Lei Paulo Gustavo é a denominação da Lei Complementar 195/2022, criada para socorrer o setor cultura, muito prejudicado pelos efeitos adversos da pandemia de Covid-19. Ela leva o nome do ator e humorista que morreu aos 42 anos, em maio de 2021, por consequência da infecção respiratória. Por Alvinho Patriota.
A Prefeitura de Quixaba, através da Secretaria Municipal de Cultura e Esportes, vai promover o VIII Festival de Quadrilhas Juninas. O evento acontecerá no dia 1 de julho, com início às 17h, no ginásio de esportes José Carlos Pereira Cabral.
O Festival terá uma premiação de 6 mil reais em dinheiro, valor que será distribuído entre o 1º e 3º lugar, e mais troféus.
As inscrições são grátis e podem ser feitas na sede da Secretaria de Cultura e Esportes, que fica localizada à Rua José Solidônio Pereira de Carvalho, no Centro da cidade, ou pelo e-mail: culturaquixaba@gmail.com. As vagas são limitadas.
Poderão participar do evento quadrilhas de municípios de Pernambuco e de outros estados.
Confira as quadrilhas e horário de cada apresentação:
17h: Quadrilha Renascer, de Juru (PB);
17h40: Quadrilha Andarilhos, de Tabira (PE);
18h20: Quadrilha Sanfonar, de Afogados da Ingazeira (PE);
19h: Quadrilha Flor de Chita, de Tupanatinga (PE);
19h40: Quadrilha Amor Junino, de Água Branca (PB);
20h20: Quadrilha Levanta Poeira, de Ibimirim (PE).
CONFIRA A PREMIAÇÃO DETALHADA:
1º Lugar: R$ 3.000,00 e Troféu
2º Lugar: R$ 2.000,00 e Troféu;
3º Lugar: R$ 1.000,00 e Troféu.
O VIII Festival de Quadrilhas Juninas faz parte da programação do São João das Tradições 2023, que tem a realização do Governo Municipal. *Inf. Ascom.
Do Marco Zero, por Maryane Martins, em parceria com o Coletivo Acauã
Entre bandeira e balões coloridos, comidas típicas e muito forró, junho se anuncia em Caruaru, no agreste pernambucano. Nesta cidade, o São João não se limita a um dia. É um mês inteiro de festa. Na verdade, em 2023, são 65 dias de duração, iniciados em 28 de abril, com o São João na Roça, e indo até 1º de julho. São mais de 1200 atrações que passam pelos 25 pólos distribuídos nas zonas urbana e rural da cidade. O maior deles é o Pátio de Eventos Luiz Gonzaga, por muitos anos chamado de “Pátio do Forró”, inaugurado em 1995 para receber shows para multidões.
Nos últimos anos, porém, o gênero cantado por Gonzaga passou a ter cada vez menos espaço no grandioso pólo. E, não por coincidência, a quantidade de atrações sertanejas aumentou (neste ano, são 13 delas). Por outro lado, vozes importantes do forró como Jorge de Altinho, Alcymar Monteiro e Joana Angélica ficam de fora do Pátio de Eventos.
O São João cresceu com a cidade. Por isso, as mudanças são inevitáveis e muitas vezes intencionais, principalmente dentro de uma festa que a cada ano se torna mais comercial. Entre 2017 e 2023, triplicaram-se os artistas do gênero sertanejo no pátio de eventos. Com essa “sertanejização”, neste ano o ritmo é quase tão tocado quanto o forró, no espaço marcado pelo balão gigante e colorido aceso durante o período junino, a estátua de Luiz Gonzaga e o letreiro com a expressão: “A Capital do Forró”.
De acordo com o professor e pesquisador Daniel Silva, a composição de Jorge de Altinho, gravada pelo Trio Nordestino, que deu slogan a Caruaru, “retrata os anos 60, 70, 80 e até no comecinho dos anos 90 porque a cidade respirava o forró tradicional”. Hoje, o título parece ocupar um campo mais simbólico do que real.
O pesquisador explica que isso acontece porque as festividades passaram, e ainda passam, por um processo chamado de espetacularização:
“As festas juninas em Caruaru acontecem desde sempre, mas antes não havia uma musicalidade que fosse associada a elas. Isso foi criado a partir de Luiz Gonzaga. O São João acontecia nas casas, nas ruas. Com o tempo, a celebração passou a ser mais pública, centralizada, uma festa de todos, da cidade. E nesse crescimento, ela encontra uma fase em que as festas populares começam a ser espetacularizadas, sabe? Caruaru entra nesse processo, do mesmo jeito que o carnaval do Recife, de Salvador, do Rio de Janeiro, a festa do Boi de Parintins, que saem do controle das pessoas e vão para o controle dos patrocinadores”, completa Daniel.
Jorge de Altinho ficou de fora da programação de Caruaru. Crédito: Prefeitura de Caruaru
Ou seja, a celebração do São João em Caruaru veio muito antes da sua associação com o forró. Mas é devido a força desse “casamento”, que a cidade é lembrada pelo toque da zabumba, sanfona, do triângulo, o soprar do pífano e os tiros de bacamarte. A festividade é o que é hoje porque existem o forró e as tradições da cultura popular. A chamada “espetacularização” abriu caminho para que a indústria cultural lançasse sobre a organização das festas a sua interferência e influência. O pesquisador percebe esse movimento como uma consequência de dois fatores: “o poder do mercado e o significado das coisas”.
“Com relação a primeira delas, a questão do mercado, o São João de Caruaru vem deixando de ser uma festa popular e se tornando um exemplo mercadológico. Então a cerveja tal compra o patrocínio, a outra empresa insere um camarote ali e há uma preocupação maior com o que é vendável, dentro da lógica da indústria cultural. A segunda, fala a partir do significado que as coisas têm para as pessoas, principalmente para o público jovem. Se eu passo o ano todinho sem ouvir o forró tradicional, se as rádios não tocam, se eu nem sou apresentado a essa música, quando chegar no período junino eu não vou sentir falta dela”, explica Silva. Isso reflete em outro ponto importante: a valorização dos forrozeiros do Nordeste e dos artistas locais.
Jorge de Altinho fora, de novo
Em 2022, Jorge de Altinho, forrozeiro e compositor da música “A Capital do Forró”, pela primeira vez ficou fora da programação do São João, assim como na atual edição da festa. Em um vídeo publicado nas suas redes sociais, em junho do ano passado, Jorge lamenta a decisão dos organizadores do São João de Caruaru e diz não ter mais clima para cantar naquele ano. Também à época, a assessoria do cantor declarou que “se Caruaru honrasse o título que tem, colocaria Jorge como tradição para abrir oficialmente a festa, todos os anos. Seria Jorge primeiro, depois todas as outras atrações, sem desmerecer ninguém.”
Em entrevista a Marco Zero, Jorge falou sobre o assunto e a importância de Caruaru para os cantores e compositores de forró: “para mim, que fui criado em Altinho (nascido em Olinda), Caruaru sempre foi a cidade grande que se tinha por perto. Eu só vim conhecer Recife já rapaz feito, como se dizia. Então, Caruaru era a minha capital. Tinha vários palhoções nas ruas, o povo já fazia uma festa caprichada. As rádios tocavam grandes sucessos na voz de Marinês, Luiz Gonzaga e Trio Nordestino”, completa. Porém, tais sucessos têm ficado cada vez mais distantes das rádios, do Pátio do Forró e da memória das novas gerações.
E, quanto a isso, Jorge lamenta. “Sinto muito que a festa venha se transformando e privilegiando outros estilos musicais. Quando a gente padroniza o evento, ele fica igual a qualquer outro, deixa de ser exclusivo, original e corre o risco de perder a essência. Mas eu acredito que temos condições de fazer uma festa que preserve a tradição e seja atrativa a todos os públicos”. As possibilidades de uma “festa de e para todos” são muitas, afinal, nas últimas décadas, o São João de Caruaru, nomeado pelos caruaruenses como “O maior do mundo”, se tornou a maior vitrine da cidade para o resto do Brasil devido a sua força cultural.
Palco pequeno, cachê também
Além disso, é um momento muito significativo economicamente para vários segmentos que ultrapassam as fronteiras do município. De acordo com a Fundação de Cultura, em 2023 houve um recorde de inscrições dos artistas locais, englobando bandas de pífanos, trios pé de serra, bacamarteiros, quadrilhas juninas e artistas individuais. “Ano passado houve um aumento de 30% no cachê dos artistas locais, esse ano mais 10%. Nossa programação é feita com o movimento de cada palco. Temos 25 pólos e cada um traz uma marca, tem o Pólo Camarão, que leva o nome do maestro e tem uma diversidade enorme, o Pólo Juarez Santiago, dos trios pés de serra, o Pólo do Repente, o Alto do Moura com o forró tradicional e muito mais”, explica Hérlon Cavalcanti, vice-presidente da Fundação.
Joana Angélica. Crédito: Geyson Magno/Pref. de Caruaru
Apesar dessa diversidade, os inúmeros músicos/forrozeiros da região insistem na necessidade de preservar o gênero, sobretudo o “tradicional”, pé de serra. Afinal, quando o ritmo não tem espaço no mais central e maior dos palcos, não só a visibilidade dos cantores, mas os seus cachês são afetados. “São 60 dias de festa e me dão um show no dia 30 de abril e outro dia 24 de junho. Passei seis anos sem vir cantar por conta dos valores, da desvalorização. Aqui, eles pagam o que querem e não o que merecemos. Nada contra, mas o que é que Daniel tem a ver com o São João de Caruaru? Aí esses músicos recebem o dinheiro na hora e a gente só em setembro ou outubro”, afirma Joana Angélica, forrozeira caruaruense, referindo-se ao cantor sertanejo Daniel, atração principal da noite mais importante da festa, a de 23 de junho.
O cantor citado por Joana, se apresenta dia 23 de junho, véspera do São João, no Pátio de Eventos. Outra atração do mesmo gênero também sobe no palco neste mesmo dia, a dupla Israel e Rodolfo. Na noite de 25 de junho, das quatro apresentações, três serão de artistas sertanejos: Eduardo Costa, Ana Castela e Leonardo. “Não me chamam mais não para cantar no palco principal. Em 2017, quando fui homenageada, foi o último ano que cantei lá”, lamenta Angélica, que teve seu nome artístico “batizado” por Luiz Gonzaga. No registro, ela se chama Risoleide Maria da Silva, mas só lá. “Eu sou Joana há mais de 50, dos meus 74 anos”, afirma a caruaruense, popularmente nomeada como a rainha do forró. Também foi a primeira mulher homenageada no São João de Caruaru, recebeu o título de patrimônio vivo e integrou, durante 30 anos, a banda do Maestro Camarão.
“Esse ano tive que praticamente implorar para fazer mais de um show no São João, inclusive no Pólo Camarão deram uma hora para eu me apresentar. Quando morava fora, até me visitar em casa eles iam, hoje eu não existo. Tenho 16 discos gravados, as rádios de caruaru não tocam uma música minha. É muito frustrante, me sinto desprezada. Amo caruaru, meu bairro, minha casa, mas isso tudo me dá vontade de ir embora de novo.” Joana continua sua fala com um questionamento que parece ter a força e ecoar as vozes de tantos outros forrozeiros: “Como é que ‘A Capital do Forró’ só tem forró uma vez por ano? E o forró no ‘Pátio do forró’? Cadê?”
De acordo com o presidente da Fundação de Cultura, Josenildo Barboza, a iniciativa de realizar a escuta pública de forma híbrida é para proporcionar aos fazedores de cultura maior possibilidade de participação na construção das diretrizes para os investimentos da Lei.
Com o objetivo de aperfeiçoar os investimentos na área cultura através dos recursos da Lei Paulo Gustavo, a Fundação de Cultura de Serra Talhada vai realizar um processo híbrido de escuta pública dos representantes culturais da cidade. Aqueles que não puderem participar do encontro presencial – que será realizado no final de junho, podendo se estender a julho em casos excepcionais – poderão contribuir com informações através de uma plataforma online.
De acordo com o presidente da Fundação de Cultura, Josenildo Barboza, a iniciativa de realizar a escuta pública de forma híbrida é para proporcionar aos fazedores de cultura maior possibilidade de participação na construção das diretrizes para os investimentos da Lei. “Esse momento vai servir de troca de experiência, como processo de aprendizado e proporcionais melhorias dos editais, atendendo a necessidade dos artistas locais”, declarou.
O município vai contar com recursos de R$ 759.786,92 oriundos da lei, sendo R$ 402.535,11 para apoio a Produções Audiovisuais; R$ 92.010,20 destinados a salas de cinema; R$ 46.195,04 para capacitação, formação e qualificação no audiovisual; apoio a cineclubes e a festivais e mostras; e R$ 219.046,57 para apoio às demais áreas da cultura que não o audiovisual.
O objetivo das escutas é ampliar os processos de interlocução com a sociedade civil, para assegurar que as mais diversas categorias e linguagens tenham suas necessidades e prioridades contempladas pelos editais municipais, cuja missão é assegurar que os recursos federais cumpram o papel de fomentar inovações e potencializar vocações e assegurar mobilização cultural de maneira descentralizada e democrática.
SOBRE A LEI
A Lei Paulo Gustavo investirá R$ 3,8 bilhões no setor cultural brasileiro até o final de 2023. O mecanismo prevê o repasse direto dos recursos da União a todos os estados e municípios, fracionados em função dos indicadores populacionais, sociais e econômicos de cada lugar. Além de cumprir o preceito constitucional de assegurar o direito à cultura no país, o investimento traz contrapartidas fundamentais para o desenvolvimento do país: gera emprego e renda, movimenta a economia e proporciona transformação social e educacional, celebrando a cultura como força motriz prioritária para o desenvolvimento brasileiro. Os municípios poderão se cadastrar até o dia 11 de julho e têm até o dia 31 de dezembro para repassar os recursos aos projetos aprovados. *Portal Nayn Neto.
Estão abertas as inscrições para a mostra competitiva Festival de Cinema de Triunfo, no Sertão pernambucano. Elas deverão ser feitas até o dia 30 de junho, exclusivamente pela plataformaMapa Cultural de Pernambuco. O festival é realizado pelo Governo de Pernambuco, por meio da Secretaria de Cultura e Fundarpe, e chega à sua 14ª edição entre os dias 28 de agosto e 2 de setembro, no centenário Theatro Cinema Guarany.
Serão seis mostras competitivas: Longa-metragem nacional; curta e média-metragem nacional; curta e média-metragem pernambucano; curta e média-metragem infantojuvenil; curta e média-metragem dos Sertões; e filme experimental. Serão aceitos filmes finalizados entre janeiro de 2021 e os meses vigentes de 2023, ficção, documentário, animação, videoclipes, dentre outros, realizados em qualquer formato, desde que possuam cópia de exibição em formato digital (FullHD).
Para estar apto a concorrer nas categorias pernambucanas, o filme precisa ser realizado por diretor(a) pernambucano(a) ou residente em Pernambuco há pelo menos um ano e/ou por empresa produtora pernambucana. Para a categoria dos Sertões, os filmes precisam ser realizados em cidades do Sertão (Semiárido brasileiro) da região Nordeste. Os proponentes podem ser pessoas físicas, coletivos ou grupos sem personalidade jurídica e pessoa jurídica.
As obras serão avaliadas por uma comissão de análise de mérito, composta por representantes da Secretaria de Cultura de Pernambuco e profissionais de reconhecido saber e competência no campo audiovisual. Serão avaliados aspectos como argumento/roteiro, criatividade, qualidade técnica e qualidade artística.
Os filmes selecionados concorrerão ao Troféu Caretas, com o Prêmio do Júri Oficial e do Júri Popular. Cada prêmio destinará R$ 3 mil para o melhor longa, R$ 2 mil para os melhores curtas de cada categoria e R$ 1 mil para o melhor filme experimental. Também haverá troféus Caretas para melhor direção, fotografia, montagem, roteiro, produção, direção de arte, trilha sonora, som, ator e atriz para os longas e curtas. Já o Troféu Fernando Spencer será concedido para o melhor personagem das obras concorrentes.
A cidade de Quixaba, iniciou na noite desta terça feira 13, as atrações da programação do São João das Tradições, promovido pelo governo municipal através da Secretaria Municipal de Cultura, Lazer e Esportes.
Com um grande público a abertura dos festejos aconteceram no Pátio de Eventos Solidônio Pereira de Carvalho, com as presenças do Prefeito José Pereira Nunes, da Primeira Dama e Secretária de Assistência Social Socorro Salvador, do Vice Prefeito Zé de Joaquim Preto e do Vereador João Vianney.
As atrações foram coordenadas pela Secretaria de Cultura e Pelo Núcleo de Assistência Social que levara ao público apresentações de quadrilhas juninas e orquestra da Escola de Música Antônio Salvador de Araújo, com os maestros Cláudio Vitorino, Guêga e Sivuca.
A programação segue nesta quarta feira com o projeto Viva o São João com Saúde, oferecido pela Secretaria Municipal de Saúde na feira livre a partir das 09:00 da manhã.
Os shows musicais acontecem na quinta feira 15, em palco montado na Praça de Eventos Solidônio Pereira de Carvalho, se apresentam o forrozeiro Potiguar Pedrinho Pegação e a dupla Ramon & Randinho a partir das 21:00 horas.
No dia 1º de Julho, o São João das Tradições terá o Festival de Quadrilhas Juninas, evento que já se tornou tradição na região. *As informações são de João V. Rodrigues (Cauê Rodrigues).
Triunfo comemora nesta terça-feira, 13, com diversas apresentações culturais em praça pública, aniversário de 139 anos de emancipação política. A festividade começa às 7h30, com hasteamento dos pavilhões, desfile cívico, pronunciamento do prefeito, assinatura de ordem de serviço e apresentações culturais. Toda a programação será realizada na Praça Carolino Campos.
Estão previstas apresentações culturais das escolas Alfredo de Carvalho e Monsenhor Luiz Sampaio; homenagem aos Caretas de Triunfo; recitação de poema em homenagem ao município, do poeta Bruno Almeida; apresentação do Renascer do Sertão; Cambindas de Triunfo; Cesinha Badalê e Banda, com a música “Eu subo e desço a ladeira”; e a quadrilha junina Estilar.
O cantor serra-talhadense, Rei do Forró, Assisão, dá o pontapé inicial, na próxima segunda-feira (22), ao projeto “No Terreiro da Fazenda”. Trata-se de uma aula-espetáculo, realizada em parceria com o grupo de Xaxado Cabras de Lampião, que reverencia a cultura sertaneja e dá destaque ao Xaxado como marca da identidade cultural do Brasil. A primeira aula-espetáculo, no dia 22, será na escola estadual EREM Arão Peixoto de Alencar, em Ipubi, no Sertão do Araripe, às 15h. A iniciativa também vai passar por Belo Jardim (Agreste); São Caetano (Agreste), Recife (Região Metropolitana) e Vicência (Mata Norte).
A aula-espetáculo tem como ponto de partida a musicalidade e o ritmo da obra de Assisão, numa interação estética e inovadora com a poesia e a dança do Grupo de Xaxado Cabras de Lampião, resultando numa apresentação emocionante e de singular beleza. Além disso, de acordo com a presidente da Fundação Cultural Cabras de Lampião, Cleonice Maria dos Santos, a ação é uma forma de reafirmar os fundamentos da identidade cultural sertaneja. “O projeto ‘No Terreiro da Fazenda – Aula Espetáculo com Assisão’ chegará dentro das escolas, de uma forma maravilhosa, para contribuir com a consciência cultural dos jovens”, afirma Cleonice.
Já para o produtor da aula-espetáculo, Karl Marx, a iniciativa chega ao público num momento de afirmação da retomada do fazer cultural no Brasil. O projeto “No Terreiro da Fazenda – Aula Espetáculo com Assisão” tem a produção da Fundação Cultural Cabras de Lampião, com Agência Cultural de Produção e Criação e o Instituto Nosso Clima, com o Incentivo do Funcultura/Fundarpe/Secretaria de Cultura/Governo de Pernambuco.
Confira abaixo o roteiro do projeto:
Ipubi, no Sertão do Araripe: Segunda-feira (22), às 15h, na Escola estadual EREM Arão Peixoto de Alencar.
Belo Jardim, no Agreste: Terça-feira (23), às 10h, na Escola de Referência em Ensino Médio.
São Caetano, no Agreste: Terça-feira (23), às 15h, no EREM Agamenon Magalhães.
Recife, na Região Metropolitana: Quarta-feira (24), às 10h, na Escola Antônio Farias filho/San Martim.
Vicência, na Mata Norte: Quinta-feira (25), às 15h, no Ginásio de Esportes Amaury Pedrosa.
Assisão
Francisco de Assis Nogueira, Assisão, nasceu no dia 5 de maio de 1941 na Fazenda Escadinha, município de Serra Talhada (PE). Já aos 11 anos de idade começou suas atividades artísticas como compositor. Embora não tenha nenhuma formação em música, pois nunca frequentou nenhuma escola de música, é exímio compositor, tendo sido chamado por Dominguinhos de “O maior sanfoneiro de boca do Nordeste”, tal sua versatilidade em compor sem ter conhecimento musical formal.
O início de suas atividades profissionais como cantor começou com o lançamento de um compacto e até hoje já gravou vários discos. Seus maiores sucessos, no entanto, aconteceram nos anos de 1987, 1988 e 1989. No trabalho de 1987, foram vendidas cerca de 210 mil cópias. Em 1988 foram 180 mil cópias e em 1989, 190 mil cópias. Somente nestes anos foram quase 600 mil cópias vendidas de seus trabalhos em todo País. Ele ganhou três discos de ouro consecutivos, além do título de ‘Rei do Forró’. Suas músicas são tocadas em todas as regiões do Brasil. Com a agenda sempre cheia, Assisão é um dos artistas mais requisitados do Nordeste. Já compôs mais de 800 músicas, destas, mais de 300 já foram gravadas, por ele e por muitos outros artistas. Inf. (Diário de Pernambuco).
Revista O Grito, publicação online sobre cultura e entretenimento, colocou em destaque a história do tradicional grupo de Coco de Afogados da Ingazeira
O Leitão da Carapuça e tudo que está ali é uma preciosidade de Afogados Da Ingazeira. Assim define o jornalista Leonardo Lemos sobre a localidade e sobre o grupo de Coco Negras e Negros do Leitão, folguedo tradicional do Nordeste brasileiro que se desenvolveu de maneira espontânea na comunidade a partir da década de 1920 e que já deve ter pelo menos 40 anos de existência ao longo de várias formações.
Após um convite de seu ex professor da Universidade Católica de Pernambuco, o jornalista Alexandre Figueiroa, Leonardo mergulhou na história e registros do grupo. O resultado é a matéria em destaque no portal da Revista.
Leia a matéria em https://revistaogrito.com/coco-negras-e-negros-leitao-da-carapuca/
“Para mim é gratificante dar voz a um grupo que é genuinamente brincante do Coco, reconhecidamente talentosos no que fazem. Gostaria de ajudá-los ainda mais, quem sabe inscrevendo o grupo em editais públicos e ajudando aos integrantes mais jovens a dominar a linguagem de editais”, afirma o jornalista Leonardo, que também é produtor cultural. “Também me orgulha levar o nome de Afogados aos quatro cantos. Temos uma cultura incrível e pouco valorizada, mas estamos aí lutando pela cultura popular”, finaliza.
A matéria foi produzida entre Fevereiro e Março de 2023 e publicada no começo de Maio de 2023.
Mestre Inácio Pedro da Silva, 77 anos, e Manoel Miguel da Silva, 66 anos, são os Mestres atuais do Grupo de Coco Negras e Negros do Leitão.
Com Lula, Chico Buarque recebe o seu Prêmio Camões, titulado em 2019 Foto/Reprodução/AFP
Canto e compositor recebeu prêmio em evento organizado no Palácio Nacional de Queluz, em Sintra: ‘Reconforta-me que o ex-presidente tenha tido a rara fineza de não sujar o meu prêmio.
Chico Buarque finalmente recebeu o seu Prêmio Camões, a mais importante láurea dada a escritores lusófonos. Vencedor da honraria em 2019, o cantor e compositor precisou esperar quatro anos para ter o documento assinado pelo Presidente do Brasil, uma vez que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se recusou a cumprir o rito que o Camões exige e reconhecer o mérito de Chico.
“Reconforta-me que o ex-presidente tenha tido a rara fineza de não sujar o meu prêmio Camões”, disse o cantor durante uma cerimônia organizada em Lisboa. O autor de “Cálice” recebeu o Camões nesta segunda-feira, às 16h (12h no Brasil), no Palácio Nacional de Queluz, em Sintra.
“Recebo este prêmio menos como uma honraria pessoal, e mais como um desagravo a tantos autores e artistas brasileiros humilhados e ofendidos nesses últimos anos de estupidez e obscurantismo.”
Já à época da polêmica, o ex-mandatário afirmou, em tom irônico, que entregaria o prêmio ao cantor “até 31 de dezembro de 2026”, referindo-se a um possível segundo mandato. A polêmica se arrastou durante a gestão de Bolsonaro e Chico Buarque respondeu em sua conta oficial em uma rede social que “A não assinatura do Bolsonaro no diploma é para mim um segundo Prêmio Camões”.
Durante o evento, Lula fez um paralelo com o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e marcas de totalitarismo e ditadura no âmbito da cultura nacional. Ao citar a negação às artes, Lula disse corrigir um erro da gestão anterior contra a cultura brasileira.
“É uma satisfação corrigir um dos maiores absurdos cometidos contra a cultura. O prêmio Camões deveria ter sido entregue a Chico Buarque em 2019 e não foi”, declarou Lula, em evento de entrega do Prêmio Camões de 2019 ao cantor e compositor brasileiro.
“O ataque à cultura foi dimensão importante do projeto que a extrema direita tentou implementar no Brasil”, disse Lula. De acordo com presidente da República, se hoje ele pôde fazer esse “gesto de reparação e celebração” da obra do Chico, é “porque a democracia venceu no Brasil”.
No discurso, Lula destacou que o obscurantismo e negação das artes foram marca do totalitarismo e das ditaduras. “Esse prêmio é uma resposta do talento contra a censura, do engenho contra a força bruta”, disse. Também presente no evento, o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, disse que Lula é “amigo de Portugal e dos portugueses”.
Ministra da Cultura esteve na viagem
Em visita oficial a Portugal, primeira viagem à Europa da comitiva da Presidência da República, a Ministra da Cultura Margareth Menezes acompanhou o presidente Lula na agenda que promete firmar acordos para o fomento da cultura, como um tratado de cooperação para o fomento à coprodução cinematográfica e o retorno do Brasil ao Programa CPLP Audiovisual.
Entre outros acordos bilaterais, Margareth Menezes ressaltou a importância de mais esse reconhecimento para a obra do artista, autor de livros como Leite Derramado e Budapeste. “Essa entrega é simbólica porque representa a vitória da democracia. Chico Buarque é um artista de uma envergadura tremenda, pela história, por tudo que já produziu, tanto na música, quanto na literatura. Ser testemunha, participar enquanto ministra desse momento depois de sofrermos uma tentativa de golpe recente no Brasil e do desmonte da cultura nesses últimos quatro anos, é motivo de festa”, afirmou a Ministra em comunicado.
“É uma conquista extremamente forte e representa uma espécie de Nobel da língua portuguesa não só por todos aqueles que receberam África, os países africanos, Brasil e Portugal, mas também pela alta qualidade de seus jurados. Portanto, o Prêmio Camões é uma proposta que avança além das fronteiras e, no fundo, a partir da literatura promove a cultura do diálogo e da paz”, ressaltou em comunicado Marco Lucchesi, presidente da Biblioteca Nacional.
O radialista assinou contrato com a CBN Recife 105.7 FM. A informação foi publicada por ele mesmo, em seu perfil no Instagram. “Semana que vem estaremos conhecendo a rádio e, na semana seguinte, eu e Wagner Gomes estaremos aqui no horário da manhã”, disse.
“Mil agradecimentos ao pessoal da Rádio Jornal, mas agora é cada um do seu lado, trabalhando e levando as informações que todo mundo quer saber”, completou
Conhecido como ‘o comunicador da maioria’, Geraldo surpreendeu a todos, em fevereiro, ao deixar a Rádio Jornal. Ele trabalhou por 30 anos na emissora, apresentando o programa Super Manhã.
Com ele, também segue o arcoverdense Wagner Gomes, que havia sido demitido da Jornal. Para muitos, a saída de Wagner foi um dos fatores a motivar a saída de Geraldo.
A CBN Recife já conta com o talento dos comunicadores Aldo Vilella e Mário Neto.
Pelo que já se sabe, Geraldo e Wagner comandam o CBN Recife pela manhã. Aldo Vilela volta às tardes da grade com o CBN Total. (Caruaru e TV Asa Branca.)
O Grupo de Xaxado Cabras de Lampião volta ao Sambódromo do Anhembi, em São Paulo, neste sábado (dia 25), para participar do desfile das escolas campeãs. O grupo desfilou na Escola de Samba Mancha Verde, que conquistou a vice- liderança do Grupo Especial do Carnaval de São Paulo deste ano. A Escola, que trouxe para a avenida o samba-enredo: ” Oxente – Sou xaxado, sou Nordeste, sou Brasil”, perdeu o título por apenas um décimo, para a Mocidade Alegre.
Integrantes do grupo “Cabras de Lampião” vieram num carro alegórico, apresentando a história e tradição do xaxado. Ao todo, 13 pessoas desfilaram, sendo dez dançarinos no carro alegórico, e três participantes junto da diretoria da escola de samba.
A presidente da Fundação Cabras de Lampião, Cleonice Maria, comemora a participação do grupo. “É um momento apoteótico para nosso trabalho, pois estamos percorrendo uma longa estrada, mantendo acesa a chama da cultura nordestina”.
Grupo Cabras de Lampião – O Grupo de Xaxado Cabras de Lampião foi fundado em 1995 para manter viva a história de Lampião, tendo como ponto de partida o xaxado e tornou-se um dos maiores divulgadores desta dança criada pelos bandoleiros do sertão. É uma trupe de artistas sertanejos – exatamente da cidade onde nasceu Virgolino Ferreira da Silva – o Lampião.
O Grupo de Xaxado Cabras de Lampião trouxe os cangaceiros para frente das luzes e o Cangaço se transformou num show de arte, com uma nova e revolucionária imagem do Rei do Cangaço. É um grupo que conduz o espectador a um mergulho no mundo mágico e místico do sertão. O Cabras de Lampião já se apresentou em todas as regiões do Brasil e no exterior, em festivais nacionais e internacionais.
O grupo tem escola de xaxado, mantém o Museu do Cangaço e o Sítio Passagem das Pedras – onde nasceu Lampião. Também realiza espetáculos de dança e eventos de caráter artístico e cultural. Ainda desenvolve um trabalho de inclusão social, através da cultura, com aulas de dança para mais de 100 crianças e adolescentes.
Leandro Vieira, responsável pelo enredo, se inspirou nos cordéis nordestinos que contam histórias sobre a chegada do cangaceiro Lampião, ao céu e ao inferno, sem ser recebido em nenhum dos destinos.
Reverenciando a história de Lampião, o chefe cangaceiro mais famoso da história brasileira, a Imperatriz Leopoldinense ganhou o título de campeã do Carnaval 2023 do Rio de Janeiro. Este ano, a escola de samba escolheu a trajetória de Virgulino Ferreira da Silva, nascido em Serra Talhada, Sertão de Pernambuco, em 7 de julho de 1897. O desfile da Imperatriz teve como tema a tentativa de Lampião de entrar no céu e no inferno, à luz da cultura do cordel e num Nordeste multicolorido.
A vitória veio 22 anos após o último título conquista pela Imperatriz, que este ano obteve 269.8 pontos. A única filha de Lampião, Expedita Ferreira, foi o destaque do último carro do desfile. O carnavalesco Leandro Vieira, responsável pelo enredo, se inspirou nos cordéis nordestinos que contam histórias sobre a chegada do cangaceiro Lampião, ao céu e ao inferno, sem ser recebido em nenhum dos destinos.
A história de Lampião divide opiniões. Há quem diga que o sertanejo foi Robin Hood do Nordeste. Contudo, ninguém discorda de que a sua luta o faz ser um dos maiores personagens da história do Brasil.
Prefeita de Serra Talhada, Márcia Conrado comemorou a vitória da escola de samba, que retratou a vida de um sertanejo pernambucano. A gestora relembra que chegou a receber, em agosto de 2022, a diretoria da Imperatriz Leopoldinense, com o então deputado estadual Diogo Moraes, para debater a temática escolhida. “Há alguns meses tive a felicidade de receber na Prefeitura de Serra Talhada os integrantes da escola, Felipe Drumond, João Drumond e Leandro Vieira, além de Moraes para uma conversa onde foi apresentada a temática que a escola de samba levaria para a avenida: Lampião e cangaço sertanejo. É uma grande honra levar a nossa cultura popular para o Brasil e para o mundo através do Carnaval, valorizando a história de Serra Talhada, uma terra rica, que representa como ninguém o imaginário do Sertão e do Nordeste. Sem dúvidas uma oportunidade muito grande para valorização da nossa terra, mostrando nosso potencial turístico para todo o mundo”, avaliou.
Lampião foi provavelmente o líder banditista de maior sucesso do Século XX. O apelido foi dado a Virgulino devido ter facilidade em manejar o rifle. Por parte das autoridades este simbolizava a brutalidade, uma doença que precisava ser cortada. Para uma parte da população sertaneja, ele encarnou valores como a bravura, o heroísmo e o senso da honra. Por conta disso, suas façanhas o transformaram em um herói popular no Brasil, principalmente na região nordeste do país. Inf. Ponto de Vista.
Lei é a primeira de autoria da senadora Teresa Leitão.
A senadora Teresa Leitão (PT/ PE) apresentou projeto de lei que concede ao carnaval de Pernambuco reconhecimento como manifestação de cultura nacional. O PL busca reconhecer e valorizar os festejos populares e tradicionais da cultura local e de repercussão nacional.
Protocolado nesta quinta-feira (9), data em que se comemora o Dia do Frevo em Pernambuco, este é o primeiro projeto de lei apresentado pela senadora.
“É um projeto simples, mas carregado de simbolismo e de muita afetividade. É importante lembrar que este carnaval de 2023 é o primeiro que a gente realiza depois da pandemia da covid-19. Foram dois anos que toda cadeia produtiva do carnaval ficou parada e isso teve impacto na vida das pessoas”, afirma a senadora.
O carnaval pernambucano é muito representativo para o todo o país e reconhecido no mundo. A influência da cultura africana e indígena atravessa os tempos e até hoje se faz presente em uma das mais antigas manifestações culturais brasileiras.
“O projeto faz com que a gente reconheça toda essa força criativa, toda essa multiculturalidade que faz o carnaval de rua de Pernambuco ser reconhecido no mundo inteiro. Eu espero que o carnaval seja mais valorizado, que gere mais emprego e renda, que mantenha a nossa tradição e que seja reconhecido, evidentemente, como um patrimônio cultural do povo brasileiro”, completa. Da (Folha-PE.)
A Prefeitura de Afogados promove nesta próxima Quinta Cultural (26) uma edição do concurso “passo livre: a dança do frevo”.
As inscrições e o concurso foram organizados pela Secretaria de Cultura e Esportes de Afogados. O objetivo é valorizar a singularidade do carnaval através do seu principal ritmo: o frevo.
A idade mínima para a participação é 12 anos completo. Serão distribuídos R$ 3 mil em premiações. A animação ficará por conta da nossa Orquestra Show de Frevo.
A Quinta Cultural acontece a partir das 19h, na Praça Monsenhor Alfredo de Arruda Câmara.
O fim da tarde desta sexta-feira (13) foi de grande movimentação no bairro Mutirão, em Serra Talhada. A gestão municipal levou até a localidade a primeira edição de 2023 do Giro da Cidadania, projeto que reúne diversas ações nos bairros da cidade.
Desta vez foram oferecidos serviços de saúde, aulão de ritmos, espaço leitura, atualização do CadÚnico, distribuição de mudas, apresentações culturais, pintura de rosto e brincadeiras para as crianças.
“Começamos o ano com todo o gás, levando ações importantes para a nossa população, e desta vez fomos até o bairro Mutirão com o Giro da Cidadania, um projeto que conta com o engajamento de todo o governo, com o intuito de levar atendimento de qualidade para os moradores, atividades físicas e muita diversão para as crianças”, comentou a prefeita Márcia Conrado.
O projeto é uma iniciativa da gestão municipal através das secretarias de Obras e Infraestrutura, Serviços Públicos, Saúde, Educação, Mulher, Assistência Social e Cidadania, Esporte e Lazer, Planejamento, Desenvolvimento Econômico e Turismo, Meio Ambiente, Agricultura, Comunicação, Iluminação e Fundação Cultural.