“Vou disputar um quarto mandato”, diz Lula em encontro com presidente da Indonésia

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Lula é recebido pelo presidente da Indonésia para assinatura de acordos econômicos – Foto: Yasuyoshi Chiba / AFP

Durante a visita, presidente anuncia que pretende disputar um quarto mandato e comenta sobre a importância das relações com o sudeste asiático

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanhou nesta quinta-feira (23) a assinatura de acordos econômicos com a Indonésia, no início de uma viagem pelo sudeste asiático, também afetado pelas tarifas dos Estados Unidos.

Em Jacarta, Lula foi recebido no palácio presidencial da capital indonésia por seu homólogo Prabowo Subianto. Os dois acompanharam a assinatura de acordos sobre petróleo, gás, energia elétrica, tecnologia, mineração e agricultura.

“Eu vou completar 80 anos, mas pode ter certeza: estou com a mesma energia de quando eu tinha 30 anos de idade. Vou disputar o quarto mandato no Brasil”, disse Lula a Subianto, na ocasião.

Na Indonésia, o quarto país mais populoso do mundo e novo membro dos Brics, o presidente do Brasil inicia uma visita à região que recordou ser o quinto maior parceiro comercial do seu país.

A viagem o levará em seguida à Malásia para participar na reunião de cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), que começa no domingo e durante a qual poderia se reunir com o presidente americano Donald Trump.

A viagem acontece alguns meses após Trump impor uma tarifa de 19% às importações procedentes da Indonésia, em virtude de um acordo comercial, e uma tarifa de 50% aos produtos brasileiros.

“Como é possível que dois países tão importantes no mundo, como Indonésia e Brasil, que juntos somam quase 500 milhões de habitantes, tenham um comércio de apenas 6 bilhões de dólares? É pouco para a Indonésia e é pouco para o Brasil”, questionou Lula durante uma declaração à imprensa.

Subianto destacou que os dois países estão trabalhando para estabelecer um acordo de livre comércio entre a Indonésia e o Mercosul, formado por Brasil, Argentina, Paraguai, Bolívia e Uruguai.

Em uma referência velada à guerra tarifária iniciada por Washington, Lula ressaltou: “A Indonésia e o Brasil não querem uma segunda Guerra Fria. Queremos livre comércio (…), queremos multilateralismo, não unilateralismo”.

Os dois presidentes também se comprometeram a combater juntos a crise climática.

“Somos dois dos países com maiores florestas tropicais e maior biodiversidade do mundo. Também somos grandes produtores de biocombustíveis, que terão um papel fundamental na transição (…). Indonésia e Brasil trabalharão juntos”, disse Lula.

O Brasil é um dos principais parceiros comerciais da Indonésia na América do Sul. O comércio total entre os dois países entre janeiro e agosto alcançou 4,3 bilhões de dólares (23 bilhões de reais), segundo dados do governo indonésio.

Em janeiro, a Indonésia aderiu ao bloco Brics, do qual o Brasil é um dos fundadores.

Por AFP

“Não vamos deixar o Brasil sair nunca mais”, diz primeiro-ministro português

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Lula e Costa à frente do cargueiro KC-390, produzido pela Embraer e comprado pela Força Aérea Portuguesa - (crédito: Ricardo Stuckert/PR)
Lula e Costa à frente do cargueiro KC-390, produzido pela Embraer e comprado pela Força Aérea Portuguesa -Foto/Ricardo Stuckert/PR)

O líder português assinalou que um dos caminhos para reforçar as parcerias entre Brasil e Portugal é o acordo que envolve o Mercosul e a União Europeia.

Lisboa — Num bom-humor impressionante para quem enfrenta turbulências pesadas no governo, o primeiro-ministro de Portugal, António Costa, disse que seu país e o Brasil não podem perder a histórica oportunidade que têm neste momento para ampliar os laços comerciais e os investimentos mútuos. “Agora que o Brasil voltou, não vamos deixar o Brasil sair nunca mais”, afirmou, reforçando o descontentamento com os últimos quatro anos, de Jair Bolsonaro, quando houve um afastamento sem precedentes das duas nações.

A uma plateia de empresários luso-brasileiros, ele ressaltou que, mesmo o Brasil sendo o segundo maior investidor estrangeiro em Portugal, fora da União Europeia, atrás apenas da China, o país está muito aquém de seu potencial. A mesma ressalva foi feita em relação a Portugal, apenas o 18º investidor no Brasil. “Temos que incrementar essas posições. São muitas as oportunidades em que podemos atuar juntos”, frisou. “Há possibilidades de crescimento de lado a lado.”

O líder português assinalou que um dos caminhos para reforçar as parcerias entre os dois países é o acordo que envolve o Mercosul e a União Europeia, esperando por uma definição há mais de 20 anos. “Serei um ponta de lança para que esse acordo finalmente saia. O Brasil pode contar comigo, pois a pareceria é absolutamente estratégia para o aumento das relações comerciais de um lado e do outro”, prometeu. Segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, faltam pequenos detalhes para que o acordo seja assinado ainda neste ano.

Para dar o tamanho da atual relação entre Brasil e Portugal, o primeiro-ministro listou uma série de negócios. “Na transição digital, temos um novo cabo de fibra ótica que liga Fortaleza, no Ceará, ao Porto de Sines, em Setúbal. Com isso, o porto poderá se tornar um polo de tecnologia. O Brasil já responde pelo maior número de participantes do Web Summit, que terá a sua primeira versão no Rio de Janeiro este ano. Trata-se de um ecossistema muito dinâmico para o empreendedorismo”, disse. Há, ainda, a parceria entre a Embraer e a Ogma, agora para a construção e manutenção de aviões Super Tucano.

Costa ainda acrescentou os investimentos de 5,7 bilhões de euros (R$ 32 bilhões) que as portuguesas Galp, petroleira, e EDP, de energia, farão no Brasil nos próximos cinco anos. Os recursos serão destinados para a produção de hidrogênio verde. “A EDP produziu as primeiras células de hidrogênio verde da América Latina no Ceará”, detalhou. Ele afirmou que energias renováveis serão prioridade em Portugal, com investimentos programados de 60 bilhões de euros (R$ 340 bilhões) até 2028. Isso nos garantirá energia muito mais barata”, complementou. As informações são do (Correio Brasiliense).