Estiagem prolongada preocupa prefeitos pernambucanos

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Foto: Blog Dantas Barreto

Prefeitos estão presentes na Assembleia Extraordinária da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), nesta terça-feira (20), e um dos assuntos da pauta é a estiagem que atinge o interior. No Estado são 112 cidades com decreto de situação de emergência e há preocupação para atender, principalmente, as famílias que residem nas zonas rurais com carros-pipa e cestas básicas.

O presidente da Amupe, Marcelo Gouveia, disse que o Governo Federal garantiu 70 mil cestas básicas, sendo que metade já começou a ser distribuída e até o final deste mês o restante será entregue. “Há recursos federais também disponíveis para os municípios captarem e poderem investir em ações que minimizem essa situação”, acrescentou.

Prefeita de Serra Talhada, Márcia Conrado (PT) contou que ontem foram entregues 1.200 cestas básicas para atender, principalmente, os moradores da zona rural que estejam cadastradas no CRAS. O maior problema, segundo ela, é quanto ao abastecimento d’água .

“Os carros-pipa ainda não são suficientes porque com três dias as cisternas esvaziam. Serra Talhada tinha um bom fornecimento de água, mas agora o rodízio está mais longo. Mas quem mora nos distritos sofre mais. São cerca de 30 mil pessoas. Devido à estiagem, a produção de subsistência está prejudicada e sem produção há um impacto na economia”, relata Márcia Conrado.

Cacique Marcos (Republicanos), prefeito de Pesqueira, também disse que a zona rural é a que mais sente os efeitos da seca. Segundo ele, o Exército está transportando água para atender 600 famílias. A situação é melhor na área urbana por conta do fornecimento de água a partir da Adutora do Agreste. Porém o prefeito afirmou que as cestas básicas ainda não chegaram ao município.

“Estamos fazendo algumas ações, como recuperação de barragens e poços para armazenamento de água quando voltar a chover. E temos procurado o IPA para saber como o Estado e o Governo Federal podem ajudar o homem do campo”, contou Cacique Marcos.

Presente na Assembleia da Amupe, o secretário executivo da Defesa Civil do Estado, Coronel Ramalho, garantiu que há empenho para atender aos 112 municípios em estado de emergência. Segundo ele, a Região do Agreste sofre mais com a estiagem do que o Sertão.

Coronel Ramalho disse que há carros-pipa e cestas básicas à disposição e o Governo do Estado está investindo em obras estruturadoras para levar água até as áreas mais críticas. A Adutora do Agreste está garantindo parte do fornecimento e poços artesianos estão sendo construídos.

As informações foram extraídas do Blog Dantas Barreto

Situação de emergência por estiagem é decretada em 102 municípios de Pernambuco; veja quais são; Afogados está na lista

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102 cidades do estado estão em situação de emergência devido a estiagem — Foto: Agência Brasil

O Governo de Pernambuco decretou, na terça-feira (8), situação de emergência em 102 municípios do estado devido à estiagem prolongada. A medida, publicada no Diário Oficial, tem validade de 180 dias a partir da data de publicação e permite a adoção de ações emergenciais para minimizar os impactos da seca.

Das 102 cidades afetadas, 69 estão localizadas nas regiões do Agreste, do Sertão do Moxotó, do Sertão do Pajeú e do Sertão do São Francisco, onde a escassez de chuvas tem comprometido os reservatórios, a rede de abastecimento de água e a produção agrícola.

Segundo o decreto, o reconhecimento da situação de emergência tem como base parecer técnico da Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil (SEPDEC), além de notas da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac) e da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa). Os documentos apontam a estiagem como principal indutor da seca hidrológica nas áreas atingidas.

“O decreto permite que órgãos estaduais adotem, em cooperação com entidades federais e municipais, as medidas necessárias ao enfrentamento da situação de emergência”, destaca um trecho da publicação oficial.

A decisão leva em consideração danos humanos, materiais e ambientais já identificados, além de prejuízos econômicos e sociais expressivos. Segundo o governo, a mobilização de recursos é fundamental para restabelecer a normalidade nas cidades atingidas.

Entre as ações emergenciais previstas estão apoio logístico às prefeituras, distribuição de água por meio de carros-pipa, obras em sistemas de abastecimento e solicitação de ajuda humanitária ao governo federal.

Veja a lista dos municípios em situação de emergência

6. Altinho

11. Betânia

12. Bezerros

13. Bodocó

16. Brejão

17. Brejinho

19. Buíque

20. Cabrobó

22. Caetés

23. Calçado

24. Calumbi

25. Carnaíba

27. Caruaru

28. Casinhas

29. Cedro

30. Cumaru

31. Custódia

32. Dormentes

33. Exu

34. Flores

35. Floresta

37. Granito

38. Gravatá

39. Iati

40. Ibimirim

41. Ibirajuba

42. Iguaraci

43. Ingazeira

44. Ipubi

45. Itaíba

46. Itapetim

47. Jataúba

48. Jatobá

50. Jucati

52. Lajedo

53. Limoeiro

54. Manari

55. Mirandiba

57. Orobó

58. Ouricuri

61. Passira

62. Pedra

63. Pesqueira

65. Petrolina

66. Poção

67. Pombos

68. Quixaba

70. Sairé

71. Salgueiro

72. Saloá

73. Sanharó

85. Serrita

86. Sertânia

87. Solidão

88. Surubim

89. Tabira

90. Tacaimbó

91. Tacaratu

94. Toritama

95. Trindade

96. Triunfo

99. Venturosa

100. Verdejante

102. Vertentes 

Por g1 Caruaru

Crise hídrica acende alerta: Mais de 90 municípios em Pernambuco no Agreste e Sertão

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 (Foto: Compesa)
(Foto: Compesa)

Mananciais em colapso representam 19,35% da capacidade hídrica do estado

Com 18 reservatórios em situação de colapso, com volumes médios abaixo de 10% da capacidade total de armazenamento, a crise hídrica já afeta também o cotidiano de municípios do Agreste e do Sertão – regiões mais afetadas pelo problema. O mais símbolo dessa crise é o reservatório de Jucazinho, no Agreste, que opera hoje com apenas 3,47%, afetando diretamente o abastecimento de cidades como Caruaru, Santa Cruz do Capibaribe, Toritama, Surubim e Bezerros.

De acordo com a Apac, os mananciais em colapso representam 19,35% da capacidade hídrica do estado. Outros 11,83% estão em situação crítica, com volumes entre 10% e 30%. “Quando o reservatório atinge menos de 10%, dizemos que ele está tecnicamente em colapso. Nesse estágio, a água disponível já não atende às demandas básicas da população, da agricultura e da pecuária”, explica Kássio Kramer, gerente de Monitoramento de Recursos Hídricos da Apac.

A escassez de chuvas agrava o cenário. Até o dia 28 de março, 95 municípios pernambucanos tiveram situação de emergência reconhecida pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR). Esse reconhecimento permite que as prefeituras solicitem apoio financeiro emergencial para ações como abastecimento por carros-pipa, recuperação de reservatórios, distribuição de cestas básicas e assistência humanitária.

A liberação dos recursos ocorre após análise da Defesa Civil Nacional e publicação de portaria no Diário Oficial da União.

Sobre a infraestrutura dos reservatórios, Kramer explica que cada caso precisa ser avaliado individualmente. “Alguns açudes foram construídos há décadas, com materiais e técnicas menos avançadas, e hoje apresentam desgaste estrutural. Outros, mais recentes, como o de Serra Azul, têm maior resiliência. Existe uma política nacional de segurança de barragens que prevê inspeções regulares e intervenções emergenciais, se necessário.”

Em relação à possibilidade de alívio pelas chuvas, Kramer é cauteloso. “O trimestre de maio a julho costuma trazer as maiores precipitações para as regiões Metropolitana, da Mata e do Agreste. A tendência é de alguma recarga, mas de forma muito irregular e localizada. A previsão climática aponta para chuvas dentro ou abaixo da média. Não teremos um inverno forte. E no Sertão, a estação chuvosa já se encerrou em janeiro, o que nos deixa sem expectativa de recarga por lá.”

 “Estamos falando de uma crise que vai além da água na torneira. A falta de água paralisa plantações, compromete a criação de animais e impacta o comércio, especialmente nos pequenos municípios. É uma cadeia de prejuízos que afeta todos os setores”, conclui Kramer.

Por: Larissa Aguiar/DP