Serra Talhada: secretário admite ‘desvio de finalidade’ de R$ 9 milhões do Fundeb: “Vamos restituir”

IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA

secretário de Educação de Serra Talhada, Edmar Júnior – Foto/Divulgação

Convocado para prestar esclarecimentos durante a sessão da Câmara de Vereadores nesta terça-feira (23), o secretário de Educação de Serra Talhada, Edmar Júnior, admitiu que a gestão Márcia Conrado retirou R$ 9 milhões do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento dos Profissionais da Educação (FUNDEB) para pagamento irregular de outras despesas diversas do município, em descumprimento da legislação federal.

A denúncia do desvio de finalidade dos R$ 9 milhões do FUNDEB foi feita há alguns dias pelo vereador Vandinho da Saúde e confirmada pela presidente do Sindicato dos Profissionais da Educação de Serra Talhada – SINTEST, Veraluza Nogueira.

Na sabatina, Edmar Júnior admitiu que o município cometeu desvio de finalidade do recurso para pagamento de outras despesas da educação, mas prometeu que o valor será ‘restituído’, não apresentando, no entanto, nenhuma demonstração de lastro financeiro que garanta a devolução do montante até o final de 2024.

“Eu fiz pagamentos dentro da educação, de restos a pagar. Deveria ter sido pago com recursos próprios do município. E isso vai ter que voltar aos cofres para a gente restituir com correções os recursos do Fundeb. Já há entendimento do Tribunal de Contas de que esse uso de recurso de um ano com o anterior não é permitido, mas que dentro do ano isso seja resolvido. E vai ser resolvido. E se não for resolvido em 2025 estou pronto para arcar com a responsabilidade”, afirmou Edmar Júnior.

Ao ser confrontado pelo vereador André Maio, Edmar reconheceu que a gestão não poderia usar os recursos para outros fins, por se tratar de verba carimbada da educação. “Recurso de 2024 é só pagar em 2024. Se pudesse eu não teria que restituir”, admitiu. “Se usou dentro da legalidade, por que devolver? Atesta a incapacidade de gestão de quem estava a frente da pasta”, questiona André Maio.

IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA

O uso irregular dos recursos carimbados do FUNDEB  está em desobediência ao princípio da legalidade, da impessoalidade e da moralidade administrativa por ocasionar lesão ao patrimônio federal, configurando improbidade administrativa.

A proibição é prevista na Constituição Federal de 1988, nos arts. 25, 26 e 29 da Lei Federal n°14.113/2020 (Lei de FUNDEB) e nos arts. 70 e 71 da Lei Federal n° 9.394/1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional).

VISTA GROSSA

Apesar do secretário de Educação admitir na tribuna da Câmara Municipal que a gestão Márcia Conrado fez uso irregular dos recursos do FUNDEB para custeio de outras despesas, os vereadores da base governista não fizeram qualquer reprimenda ao governo, pelo contrário, rasgaram elogios ao secretário Edmar Júnior. Somente o vereador André Maio, que se intitula como independente na casa legislativa, questionou a ilegalidade da conduta praticada pelo governo. *Por Juliana Lima.

Senador gasta com gasolina o suficiente para dar 5 voltas na Terra

IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA

Imagem colorida mostra Alexandre Luiz Giordano andando sob microfones - Metrópoles
Foto/Fábio Vieira/Metrópoles

Em um ano, senador Giordano (MDB) gastou R$ 145,4 mil da cota parlamentar com gasolina; investigação sobre despesa foi arquivada pelo STF

Nos últimos 12 meses, o senador paulista Alexandre Giordano (MDB) gastou R$ 145,4 mil da cota parlamentar do Senado para abastecer quase 25 mil litros de combustível em postos de gasolina de São Paulo, volume suficiente para dar cinco voltas na Terra ou cruzar o Brasil, do Oiapoque ao Chuí, 45 vezes.

O levantamento foi feito a partir da prestação de contas do parlamentar no Portal da Transparência do Senado e considerou o preço médio do litro da gasolina de R$ 5,87, registrado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) na segunda semana de maio, e um consumo de 10 km por litro.

As contas apontam que os valores foram gastos em 21 postos de gasolina diferentes. A maior parte, R$ 69 mil, foi no Auto Posto Mirante, na zona norte de São Paulo, base eleitoral de Giordano. Já R$ 66 mil foram pagos ao Auto Posto Irmãos Miguel, estabelecimento da cidade de Morungaba, distante cerca de 480 quilômetros da capital.

Investigação no STF

Os gastos do senador paulista com gasolina, pagos pelo Senado, já motivaram uma representação ao Ministério Público de São Paulo (MPSP), que remeteu a apuração à Procuradoria-Geral da República (PGR) por causa do foro privilegiado de Giordano no Supremo Tribunal Federal (STF).

A representação destacou que o senador juntou notas fiscais emitidas pelo posto Auto Posto Mirante nos valores de R$ 3.940,78, em 19 de dezembro de 2022, e R$ 1.691,22, em 2 de janeiro de 2023. Os gastos feitos em um único dia corresponderam a 507,61 litros de gasolina e 188,67 litros de diesel, respectivamente, o que daria para encher o tanque de 12 carros.

No início deste ano, a PGR cobrou explicações de Giordano. “Diante desse quadro, como providência inicial, visando ao melhor deslinde da apuração, mostra-se adequado franquear ao parlamentar noticiado a oportunidade para prestar esclarecimentos acerca do caso”, escreveu o vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand.

Em ofício ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, o senador argumentou que os pagamentos “não se trata de abastecimento único”, e sim gastos com combustível de “veículos relacionados ao mandato” de Giordano e durante a “atividade parlamentar” no estado “ao longo de 15 dias”.

A PGR considerou que os gastos estavam dentro dos limites mensais de despesa com combustíveis dos gabinetes dos senadores, que é de R$ 15 mil mensais e recomendou o arquivamento do caso em 18 de março. No mês passado, a ministra Cármen Lúcia, do STF, mandou arquivar um processo contra o senador.

A apuração preliminar feita pela PGR, contudo, não analisou o acúmulo de gastos com gasolina feitos pelo gabinete de Giordano em um período maior.

Por meio de nota, o senador reafirmou os argumentos apresentados ao MPF sobre efetuar pagamentos de abastecimentos em dias diferentes em uma única data. “Os gastos com combustíveis são realizados nos postos indicados por questões logísticas e seguem as normativas do Senado Federal, sendo estritamente relacionados ao desempenho das atividades parlamentares”, diz a nota.

“Todas as despesas mencionadas estão diretamente ligadas ao cumprimento do mandato, estando em conformidade com os regulamentos legais e normativos”, afirma a assessoria do senador.

Farra gastronômica

Giordano assumiu o mandato no Senado por São Paulo em 31 de março de 2021. Empresário da zona norte da capital, ele era suplente do senador Major Olimpo (PSL), morto naquele ano em decorrência da Covid-19.

Em junho do ano passado, outro levantamento feito sobre os gastos do senador com alimentação, apontou que Giordano usou recursos públicos para despesas como a compra de casquinhas de camarão e filé de cambucu servidos em restaurantes com vista para o mar em Ubatuba, no litoral, além de almoços em churrascarias com 21 cortes de carne e tiramisù de sobremesa. Na época, ele não quis se manifestar sobre as despesas. *Por Portal Metrópoles.