Bebidas adulteradas: PE é 2º lugar no Brasil em número de mortes confirmadas pelo consumo de metanol

MORTES

Até o momento, Pernambuco contabiliza 8 casos confirmados de intoxicação por metanol, sendo 5 óbitos e três pacientes que ficaram com sequelas. /Foto: Canva/reprodução
Até o momento, Pernambuco contabiliza 8 casos confirmados de intoxicação por metanol, sendo 5 óbitos e três pacientes que ficaram com sequelas. /Foto: Canva/reprodução

Diario de Pernambuco

Ao todo, foram 22 óbitos confirmados pelo governo federal. No ranking nacional, Pernambuco aparece com cinco mortes confirmadas, desde o início das investigações, em setembro deste ano. Perde apenas para São Paulo, que teve 10 mortes confirmadas.

Pernambuco está entre os estados brasileiros com maior número de mortes provocadas pela intoxicação associada ao consumo de metanol em bebidas alcoólicas adulteradas, segundo o Ministério da Saúde.

Ao todo, foram 22 óbitos confirmados pelo governo federal. No ranking nacional, Pernambuco aparece com cinco mortes confirmadas, desde o início das investigações, em setembro deste ano. Perde apenas para São Paulo, que teve 10 mortes confirmadas.

Em seguida, aparecem Paraná e Mato Grosso, com três mortes cada estado. A Bahia confirmou um óbito.
O governo federal informou, nesta segunda (8), que Outros nove óbitos seguem em investigação. São cinco em São Paulo, três em Pernambuco e um em Alagoas. Mais de 20 notificações de óbitos foram descartadas após análise.

Estados afetados

Ainda segundo o levantamento, os estados mais afetados pela “crise do metanol” foram: São Paulo (578 casos notificados; 50 confirmados); Pernambuco (109 casos notificados; oito confirmados); Paraná (seis confirmados); Mato Grosso (seis confirmados); Bahia (dois confirmados); e Rio Grande do Sul (um confirmado).

Números gerais

Entre 26 de setembro e 5 de dezembro de 2025, foram registradas 890 notificações relacionadas à intoxicação por metanol.

Desse total de casos, 73 foram confirmados; 29 permanecem como suspeitos e ainda estão sendo analisados; e 788 foram descartados por não haver indício de metanol.

Sala de situação

Também nesta segunda, o Ministério da Saúde anunciou o encerramento da sala de situação, criada em outubro, para monitorar casos de intoxicação por metanol. A portaria foi publicada no Diário Oficial da União.

Em nota, o ministério informou que o último caso confirmado foi registrado em 26 de novembro de 2025 e era relativo a uma pessoa que apresentou os primeiros sintomas no dia 23 do mesmo mês.
“Com a redução expressiva de novos casos e óbitos, o ministério considera que um cenário de estabilidade epidemiológica está consolidado”, destacou o comunicado.

Ainda de acordo com a pasta, todos os estados contam atualmente com estoque garantido de antídotos e maior capacidade de realizar diagnósticos.
“Agora, a assistência e o acompanhamento voltam ao fluxo rotineiro da vigilância de intoxicações exógenas, por meio do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan)”

Relembre a crise do metanol

A sala de situação foi instalada no dia 1º outubro, poucos dias após o surgimento dos casos iniciais de intoxicação por metanol.

O primeiro aviso sobre o surto de intoxicações foi feito no dia 26 de setembro, por meio do Sistema de Alerta Rápido da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad), do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

A sala de situação reuniu representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), do Conselho Nacional de Saúde (CNS) e da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), entre outros.

Também participaram os ministérios da Agricultura e Pecuária e da Justiça e Segurança Pública, responsáveis por ações de controle e investigação.

Dados

Ao longo do chamado período de monitoramento ampliado, o Ministério da Saúde repassou aos estados insumos clínicos considerados essenciais para o atendimento de intoxicações por metanol, incluindo 1.500 ampolas de fomepizol e 4.806 unidades de etanol.

A distribuição, segundo a pasta, priorizou áreas com maior número de casos e circulação de bebidas adulteradas. “O Ministério da Saúde garantiu ainda estoque estratégico de 2,6 mil ampolas de antídoto aos estados”.

Negros são 87% dos mortos pela polícia de oito estados em 2022, Pernambuco está na lista

VIOLÊNCIA POLICIAL

Um outro dado que chamou a atenção é a subnotificação da informação racial: das 4.219 ocorrências, um em cada quatro não tinha a declaração sobre cor

Bahia, Rio de Janeiro e Pernambuco foram os estados com maior índice de letalidade policial contra negros em 2022 - (crédito: Fernando Fazão/Agência Brasil)
Bahia, Rio de Janeiro e Pernambuco foram os estados com maior índice de letalidade policial contra negros em 2022 – (crédito: Fernando Fazão/Agência Brasil)

De 4.219 pessoas mortas pelas polícias de oito estados brasileiros em 2022, 2.700 eram negros (pretos e pardos), o que representa 65,7% das mortes. Considerando apenas as pessoas que tiveram cor/raça declarada, a proporção de negros mortos sobe para 87,4%. Os dados são do estudo Pele Alvo: a Bala não Erra o Negro, realizado pela Rede de Observatórios da Segurança, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec), e divulgado nesta quinta-feira (16/11).

O levantamento é baseado em estatísticas fornecidas pelas polícias do Rio de Janeiro, de São Paulo, da Bahia, de Pernambuco e do Ceará, Piauí, Maranhão e Pará. A pesquisa constatou que a polícia baiana foi a mais letal no ano passado, com 1.465 mortos (1.183 tinham cor/raça informada). Desse montante, 1.121 eram negros. Além disso, 74,21% das pessoas mortas na Bahia tinham entre 18 e 29 anos.

O segundo estado com mais letalidade policial contra negros é o Rio de Janeiro, com 1.042 mortos. Em seguida aparece Pernambuco, com 631 mortes. Segundo o coordenador do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), Pablo Nunes, a maior incidência de mortes de negros em abordagens policiais é influenciada pelo racismo estrutural.

“Os negros são a grande parcela dos mortos pelos policiais. Quando se comparam essas cifras com o perfil da população, vê-se que tem muito mais negros entre os mortos pela polícia do que existe na população. Esse fator é facilmente explicado pelo racismo estrutural e pela anuência que a sociedade tem em relação à violência que é praticada contra o povo negro”, disse Pablo, à Agência Brasil.

Um outro dado que chamou a atenção dos pesquisadores do estudo é a subnotificação da informação racial, pois das 4.219 ocorrências policiais do período analisado, um em cada quatro não tinha a declaração sobre cor. Esse cenário foi observado principalmente no Maranhão, no Ceará e no Pará. Nesse sentido, segundo a pesquisa, o número de mortes de pessoas negras por violência policial pode ser maior que o divulgado, por causa da falta ou escassez de informações de raça/cor em muitos estados.

“A dificuldade de ser transparente com esses dados também revela outra face do racismo, que é a face de não ser tratado com a devida preocupação que deveria. Se a gente não tem dados para demonstrar o problema, a gente ‘não tem’ o problema e, se ‘não há’ problema, políticas públicas não precisam ser desenhadas”, avalia o coordenador do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC).

*As informações são do Correio Brasiliense