PETROBRAS
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_f035dd6fd91c438fa04ab718d608bbaa/internal_photos/bs/2022/9/e/RlwmpbQeqkiBzkb09nJw/04emp-100-petrob-b3-img01.jpg)
Receita da companhia somou R$ 113,8 bilhões, baixa de 33% na comparação com mesmo período do ano passado.
A Petrobras registrou lucro líquido de R$ 28,8 bilhões, no segundo trimestre, queda de 47%, na comparação com mesmo período do ano passado, quando a companhia reportou lucro líquido de R$ 54,3 bilhões. Contra o primeiro trimestre deste ano, a baixa foi de 24,6%, ante os R$ 38,2 bilhões de lucro que a petroleira registrou entre janeiro e março.
Veja também
Petrobras vai distribuir R$ 15 bilhões em dividendos
Já receita somou R$ 113,8 bilhões entre abril e junho, também um recuo de 33,4%, na mesma base de comparação no ano passado, quando as vendas da companhia alcançaram R$ 170,9 bilhões. O patamar de receita também caiu na base trimestral, dos R$ 139 bilhões reportados no primeiro trimestre, o que representa queda de 18% para o valor registrado no último período.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado, indicador utilizado para apurar a rentabilidade operacional, foi de R$ 56,69 bilhões, baixa de 42,3%, ante o resultado do segundo trimestre de 2022, de R$ 98,26 bilhões. Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, com Ebitda ajustado de R$ 72,5 bilhões, a queda foi de 21,8%.
O que explica as quedas no segundo trimestre?
A companhia atribui as perdas do primeiro para o segundo trimestre deste ano em parte à desvalorização de 4% do barril do petróleo Brent – referência para o mercado global exceto Estados Unidos.
O patamar de preço da commodity também explica em parte a redução na base anual. Entre abril e junho de 2022 o Brent saltou ao seu maior valor real desde 2008, e chegou a ser negociado a US$ 123,81, impactado pelos efeitos da guerra entre Rússia e Ucrânia. No segundo trimestre deste ano, o patamar médio de preço do barril ficou em US$ 75,66.
Mas a queda em receitas é explicada pela combinação dessa desvalorização do barril Brent com a redução de mais de 40% nos crack spreads (a diferença entre o preço do petróleo bruto e os produtos petrolíferos extraídos dele) internacionais de diesel, além de menores receitas com exportações.
Diesel e gasolina seguem sendo os principais produtos comercializados pela Petrobras e respondem por aproximadamente 74% da receita gerada com a venda de derivados.
As perdas da receita com a venda de diesel, de R$ 35 bilhões entre abril e junho, foram da ordem de 18,7% entre o primeiro e o segundo trimestre deste ano, e de 33,3% contra o mesmo período do ano anterior. Já as vendas de gasolina renderam à Petrobras R$ 18,7 bilhões, baixa de 2,5% entre trimestres e 11,7% contra o segundo trimestre de 2022.
“A receita com derivados no mercado interno caiu 13% no segundo trimestre em decorrência da redução média de 17% nos preços de derivados, acompanhando a queda de preços internacionais”, traz o comunicado com o balanço. “Este efeito foi parcialmente compensado por maiores volumes, com destaque para a maior competitividade da gasolina frente às principais alternativas de suprimento dos nossos clientes.”
Exportações
A Petrobras também aponta queda de 37% nas receitas de exportações, principalmente pela redução de 50% nas receitas de exportação de petróleo. Esta é mais uma peça para explicar a queda brusca de receita da companhia ante o primeiro trimestre deste ano e contra o ano passado.
A diminuição do volume físico de exportações entre abril e junho foi ocasionado pelo aumento do processamento nas refinarias e à base de comparação elevada no primeiro trimestre, com a realização de exportações de períodos anteriores.
Cabe a menção que a China, principal destino das exportações de petróleo da Petrobras, reduziu sua participação nesse bolo de 42% no primeiro trimestre para 28% no segundo trimestre deste ano.
A mudança foi compensada em parte pela elevação de participação dos Estados Unidos entre os destinos das exportações de petróleo, que passou de deter uma fatia de 2% do bolo entre janeiro e março para 14% entre abril e junho.
Embora o país da América do Norte tenha se tornado mais relevante entre os compradores globais de petróleo da Petrobras, esse “bolo” de exportações da commodity foi bem menor no último período.
A empresa destacou nas exportações a primeira venda de petróleo da Petrobras para a Grécia, totalizando 1 milhão de barris. “A venda foi fruto do contínuo desenvolvimento de mercados para óleos do pré-sal na Europa, que foi intensificado com a mudança dos fluxos de petróleo em decorrência da guerra da Ucrânia.”
Dívida
No fim do segundo trimestre, a dívida bruta da Petrobras alcançou US$ 58 bilhões, alta de 8,7% em comparação com o consolidado de 31 de março.
A companhia atribui o crescimento da dívida nesses três meses ao aumento dos arrendamentos no período com a entrada em operação de duas unidades flutuante de produção, armazenamento e transferência (FPSOs) afretadas (a Anna Nery e Almirante Barroso), que acrescentaram US$ 5,2 bilhões no passivo de arrendamentos da companhia.
O prazo médio da dívida passou de 12 para 12,1 anos e o seu custo médio variou de 6,5% ao ano para 6,6% ao ano no intervalo entre o fim de março e fim de junho.
A alavancagem medida pela relação dívida bruta sobre o Ebitda ajustado alcançou 1,02 vez em 30 de junho em comparação com o patamar de 0,82 vez em que estava em 31 de março.
Já a dívida líquida subiu 12,2% contra o primeiro trimestre, para US$ 42,2 bilhões no fim de junho, “principalmente em função do aumento dos arrendamentos no período.” *Fonte Valor.