Lula recebe emissário do papa em meio a esforço por eleitorado religioso

ENCONTRO

Lula
Lula e Janja durante encontro com o cardeal Pietro Parolin no Palácio do Planalto (Ricardo Stuckert/PR/Divulgação)

Petista se encontra com secretário do Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, após ter feito discurso recheado de citações a Deus no agreste nordestino.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano e um dos auxiliares mais próximos do papa Francisco, se encontraram nesta segunda-feira, 8, no

no Palácio do Planalto, em Brasília. Os três principais temas tratados na reunião foram, segundo o governo federal, a situação dos indígenas,a questão da fome e a necessidade de defender a liberdade religiosa.

Segundo a Presidência da República, Lula ressaltou seus esforços, inclusive no âmbito da presidência brasileira do G20, o grupo das nações mais ricas do mundo, para a mobilização internacional em em torno da superação da desigualdade em todas as suas formas, sobretudo econômica, agenda sobre a qual o petista diz ter conversado pessoalmente com o papa. “Um mundo que produz a quantidade de alimentos que produz não pode ter gente passando fome”, afirmou o presidente.

Lula também elogiou Francisco por seus posicionamentos contra as guerras e a desigualdade no mundo. O petista e o cardeal também concordaram sobre a importância de os governos garantirem a liberdade religiosa.

Indígenas
Parolin citou ainda o interesse da Santa Sé sobre a situação dos povos indígenas, em especial o Yanomami. Lula citou a criação do Ministério dos Povos Indígenas,  o fato de a Funai ser presidida por uma indígena (Joenia Wapichana) e a política do atual governo de acelerar a demarcação de terras. Ressalvou, no entanto, as dificuldades que tem enfrentado no combate ao garimpo ilegal em terras indígenas e disse que os invasores são ligados a organizações criminosas, “hoje uma indústria internacional”. “No que depender do nosso governo, os povos indígenas terão o melhor tratamento possível”,. afirmou o presidente.

O povo ianomâmi é uma das grandes preocupações do Vaticano e de boa parte da comunidade internacional. Em fevereiro de 2023, quando imagens de indígenas desnutridos e doentes em Roraima circularam imagens de indígenas desnutridos e doentes em Roraima circularam pelo mundo, o papa Francisco enviou um representante à Terra Indígena Yaonomami — o arcebispo de Manaus, dom Leonardo Steiner — o arcebispo de Manaus, dom Leonardo Steiner — para acompanhar a crise humanitária in loco.

Participaram também da reunião de Lula com o cardeal a primeira-dama Janja da Silva e o embaixador Celso Amorim, assessor especial da Presidência, além de integrantes da comitiva do Vaticano.

Deus, fé e milagres
Pressionado por pesquisas de opinião a se aproximar do segmento religioso, Lula usou a fé como fio condutor de seu discurso na quinta-feira, 4, em Arcoverde (PE), durante a durante a inauguração de uma adutora da transposição do Rio São Francisco. O tom do discurso casa com o mote “fé no Brasil” adotado pelo Palácio do Planalto como estratégia de se aproximar principalmente do eleitor evangélico, grupo que tem puxado para cima a rejeição ao governo.

Ao falar para o povo sertanejo, Lula disse diversas vezes que a obra, que promete levar água a milhões de pessoas no agreste pernambucano, é fruto do milagre de Deus e da fé do povo. “Eu quero perguntar se vocês acreditam em Deus”, disse Lula logo na abertura do discurso. Diante da resposta positiva, continuou: “Quero perguntar se vocês acreditam em milagres”. Com um novo “sim”, Lula emendou uma narrativa que utilizou as palavras “Deus”, “fé” e “milagre” como ideias centrais. *Da redação veja.

Lula planeja encontro com evangélicos em fevereiro, mas ainda não convidou pastores bolsonaristas

POLÍTICA

Ainda sem data marcada, reunião está sendo organizada por lideranças progressistas; líderes conservadores demonstram resistência

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O pastor Silas Malafaia e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva — Foto: PR/Divulgação e Ricardo Stuckert/Divulgação

O governo Lula (PT) organiza, para o início de fevereiro, um encontro com líderes evangélicos. A iniciativa tem a digital de pastores progressistas que trabalharam junto ao petista nas eleições de 2022, mas já enfrenta críticas de lideranças vinculadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e que chefiam grandes agremiações. Religiosos afirmaram que ainda não foram convidados para o encontro e, parte deles, ainda rechaçou a tentativa de aproximação costurada pelo Palácio do Planalto.

Um dos líderes envolvidos nesta articulação é o pastor Cesário Silva, que atualmente integra o Conselho de Participação Social, vinculado à Secretaria-Geral da Presidência. Em entrevista, o representante do Movimento dos Evangélicos Progressistas afirmou que o encontro não será restrito a aliados.

— Estamos tentando organizar direito, já que o presidente Lula já demonstrou que tem interesse. A ideia é trazer todas as lideranças, como o presidente fazia nos mandatos passados. Não vamos fazer só com os progressistas, será geral.

As lideranças ligadas a Bolsonaro, contudo, relatam desconhecimento sobre as tratativas. Nomes como Silas Malafaia (Assembleia de Deus Vitória em Cristo), apóstolo Estevam Hernandes Filho (fundador da Marcha Para Jesus) e o presidente da bancada evangélica no Congresso Nacional, Silas Câmara (Republicanos-AM) afirmam não terem sido convidados e dizem ainda não conhecer pastores que tenham recebido o aceno.

— Eu já conheço esse jogo do PT de dizer que vai fazer um grande evento com lideranças evangélicas, fizeram isso na campanha de 2022 e no final reuniram um monte de pastor de igreja pequena, sem relevância eleitoral alguma, disse Silas Malafaia.

Também da Assembleia de Deus, o deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) diz ter certeza de que não irá ser convidado.

— Te garanto que só irá comparecer lideranças com baixíssima expressão eleitoral. Pra mim, não houve convite e tenho certeza que não haverá. Já sabem da minha posição.

Já o fundador da Sara Nossa Terra, bispo Robson Rodovalho, não descarta a hipótese de comparecer ao evento, caso venha a ser convidado.

— Não me chegou nada, nenhuma informação ainda. A minha presença vai depender da natureza do evento, da característica, das demais pessoas que participarão e do tema que for ser tratado. Se for só “passar pano”, não tem muito porque ir, mas se tiver um objetivo profundo e denso, a gente pode estudar, diz o líder religioso.

*Da Agência O Globo

“Somos um mesmo povo e um só país”, diz Lula em pronunciamento de Natal: confira vídeo

PRESIDENTE

Presidente defendeu restaurar a paz e a união entre amigos e famílias, Lula também fez um breve balanço das ações sociais e econômicas da gestão até aqui, como a retomada dos programas Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida

Lula fez pronunciamento na noite deste domingo (24)
Lula fez pronunciamento na noite deste domingo (24) – Foto: PR/Divulgação

O presidente Luiz Inácio Lula Silva lembrou os desafios provocados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro e pediu superação das desavenças políticas em seu pronunciamento de Natal. A mensagem de cinco minutos de Lula foi ao ar na rede nacional de televisão e rádio na noite deste domingo, 24.

“O ódio de alguns contra a democracia deixou cicatrizes profundas e dividiu o país. Desuniu famílias. Colocou em risco a democracia. Quebraram vidraças, invadiram e depredaram prédios públicos, destruíram obras de arte e objetos históricos. Felizmente, a tentativa de golpe causou efeito contrário. Uniu todas as instituições, mobilizou partidos políticos acima das ideologias, provocou a pronta reação da sociedade”, afirmou.

O presidente trouxe, mais uma vez, o discurso de reconciliação nacional — uma das marcas do primeiro ano do terceiro mandato de Lula, sob o slogan “União e Reconstrução”. Ele também usou a fala para reforçar o combate às fake news, à desinformação e aos discursos de ódio.

“Fomos capazes de restaurar as vidraças em tempo recorde, mas falta restaurar a paz e a união entre amigos e familiares. Meu desejo neste fim de ano é que o Brasil abrace o Brasil”,  declarou. “Que no ano que vem sigamos unidos, caminhando juntos rumo à construção de um país cada vez mais desenvolvido”, continuou.

Lula também fez um breve balanço das ações sociais e econômicas da gestão até aqui, como o programa Desenrola, que facilita a quitação de dívidas, e a retomada dos programas Bolsa Família e Minha Casa, Minha Vida. A aprovação da Reforma Tributária no Congresso Nacional também foi lembrada.

Outros pontos destacados pelo presidente foram a redução do desmatamento na Amazônia e o posicionamento do Brasil na política internacional.

“Criamos todas as condições para termos umacolheita generosa em 2024. Vamos trabalhar fortemente para superar, mais uma vez, todas as expectativas”, disse.

Primeiro feito no Natal, este é o terceiro pronunciamento oficial de Lula em cadeia nacional neste mandato. O primeiro ocorreu nas vésperas do Dia do Trabalho, comemorado em 1º de maio, e o segundo em 6 de setembro, antes do Dia da Independência do Brasil.

O presidente passa o Natal com a família no Palácio da Alvorada, em Brasília, e participa de um almoço com os últimos repatriados que chegaram de Gaza no início da tarde desta segunda-feira, 25. Ele planeja um recesso entre os dias 26 de dezembro e 3 de janeiro.

*Por Agência O Globo