João Campos processa posto de combustível no Recife; entenda

PROCESSO

Prefeito do Recife foi à Justiça contra os responsáveis pelo posto de combustíveis “Posto João Campos”, localizando no bairro de Boa Viagem, pedindo a mudança do nome do estabelecimento – Reprodução/Google Street View

Prefeito do Recife recorreu a Justiça para pedir a mudança de nome de um posto de combustível chamado “Posto João Campos, em Boa Viagem 

O prefeito do Recife, João Campos (PSB), recorreu à Justiça para pedir que um posto de combustíveis no bairro de Boa Viagem, deixe de usar o nome “Posto João Campos”. O caso foi revelado nesta segunda-feira (31), pelo portal Metrópoles, e confirmado pelo JC, em contato com a Prefeitura do Recife.

De acordo com nota enviada pela Prefeitura, o prefeito João Campos chegou a realizar contato com os responsáveis do posto de combustíveis, criado em junho de 2022, solicitando uma “retirada amigável” do nome fantasia. Após a recusa, o prefeito foi à Justiça para pedir a mudança do nome do estabelecimento e teve o pedido atendido.

Confira a nota da Prefeitura do Recife abaixo:

“O prefeito João Campos esclarece que, para evitar potencial de confundir a população em relação à propriedade do estabelecimento, realizou contato com os responsáveis pelo posto de combustíveis, a fim de solicitar a retirada amigável do nome fantasia adotado. Em razão da recusa, foi ajuizada ação perante o Poder Judiciário, que prontamente reconheceu o direito e atendeu o seu pedido, determinando a modificação do nome fantasia do estabelecimento”

Segundo o portal Metrópoles, João alega que não autorizou o uso de seu nome e que o estabelecimento estaria se aproveitando do seu nome para “atrair maior atenção, simpatia e interesse” do público. O processo corre em segredo de Justiça, a pedido da defesa de João Campos.

Ainda de acordo com a publicação, o pedido do prefeito foi atendido pelo juiz Damião Severiano de Sousa, da 26ª Seção da Vara Cível da Comarca de Recife, em 24 de fevereiro deste ano. O juiz determinou que o posto se abstenha de usar “João Campos” como nome fantasia, sob pena de uma multa diária de R$ 1 mil, limitada a R$ 100 mil.

Apesar da defesa dos responsáveis pelo posto ter recorrido da decisão no último dia 18 de março, o nome foi retirado da fachada do estabelecimento na manhã desta segunda-feira e foi trocado por “Posto Setúbal”.

Por Pedro Beija/JC

Padre Airton Freire e funcionários viram réus após Justiça aceitar denúncias de crimes sexuais

PROCESSO

CATÓLICO | Padre Airton estará no Recife. Foto: Divulgação
Padre Airton Freire está internado no Hospital Português. Ele foi preso no dia 14 de julho | Padre Airton estará no Recife. Foto: Divulgação

Religioso, que foi acusado por fiéis de estupro, estava preso, mas precisou ser internado em um hospital particular no Recife.

O padre Airton Freire de Lima, de 67 anos, e três funcionários dele tornaram-se réus após a Justiça aceitar as duas denúncias do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) relacionadas a crimes sexuais. O próximo passo é a intimação dos advogados para que apresentem as defesas prévias nos processos.

A informação de que a Vara Única da Comarca de Buíque recebeu as denúncias foi confirmada pela assessoria do MPPE à coluna Segurança nesta segunda-feira (7). Os responsáveis pelas defesas dos réus foram procurados, mas informaram que ainda não foram notificados pela Justiça sobre as decisões.

A assessoria do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) declarou, em nota, que os processos de apuração dos crimes contra a dignidade sexual devem correr integralmente em segredo de justiça, preservando-se a intimidade da própria vítima. “Não podemos divulgar informações sobre seus respectivos trâmites, decisões, julgamentos ou recursos, ficando o acesso aos dados limitado apenas às partes envolvidas e aos seus advogados/representantes legais.”

Padre Airton Freire, criador da Fundação Terra, foi preso preventivamente no dia 14 de julho em Arcoverde, no Sertão, durante operação que também cumpriu mandados de busca e apreensão. Ele estava numa cela isolada do Presídio Advogado Brito Alves.

No dia 22 do mesmo mês, após passar mal, o religioso foi encaminhado para o Hospital Memorial Arcoverde e, no dia seguinte, para o Hospital Português, no Recife. O estado de saúde não é informado, mas a defesa alega que ele teve um princípio de acidente vascular cerebral (AVC) e que está em tratamento na UTI.

OUTROS RÉUS NOS PROCESSOS

Além de padre Airton, também viraram réus o motorista Jailson Leonardo da Silva, de 46 anos; Landelino Rodrigues da Costa filho, 34, responsável por realizar filmagens de missas e eventos na Fundação Terra; e outro funcionário que não teve o nome divulgado pela polícia. Este último responde pelo crime de falso testemunho e não teve a prisão preventiva decretada.

Jailson, que continua foragido, foi denunciado por estupro pela personal stylist Sílvia Tavares de Souza, 53 anos. O crime, segundo a mulher, teria sido praticado durante um retiro espiritual em agosto de 2022.

Ela disse que mantinha uma relação próxima com o padre e o tinha como uma figura paterna e santa. Mas que a admiração deu lugar ao pavor após ser violentada pelo motorista por ordem do padre, que teria presenciado tudo.

Na ocasião, ela teria sido chamada pelo religioso até a casa dele para realizar uma massagem. Durante a atividade, ela teria percebido que Airton estava sem roupa e decidiu interrompê-la. “Quando pulei da cama, o motorista colocou a faca no meu pescoço, me deu uma gravata e disse ‘quieta que ninguém vai morrer'”, contou. Segundo Sílvia, o padre ordenou o estupro enquanto ele se masturbava.

Os indícios de envolvimento de Landelino com os crimes sexuais que foram investigados não foram revelados pela polícia. Ele foi preso no último dia 27, um dia após os investigadores divulgarem o nome dele para que a população pudesse ajudar na captura.

PADRE AIRTON FREIRE: TRÊS INQUÉRITOS SEGUEM SOB INVESTIGAÇÃO

Há ainda três inquéritos em andamento, de mais três supostas vítimas. Uma delas é um homem que disse também ter sofrido abuso sexual após supostamente ter sido dopado.

“Os relatos das vítimas merecem credibilidade. Todas essas mulheres e um homem, que não se conhecem, relataram de forma detalhada, segura, de forma emocionada. Demonstraram dor em relembrar os fatos. E não há nenhum indicativo de que estão inventando, fantasiando algo sobre um homem que, por elas, era como um homem santo”, afirmou a delegada Andrezza Gregório, em coletiva de imprensa no mês passado.

A delegada destacou que, além dos depoimentos de vítimas e testemunhas, provas técnicas foram levadas em consideração no indiciamento. Uma força-tarefa do MPPE também analisou os dois inquéritos concluídos e concordou com os resultados. Por Raphael Guerra/JC.