Americanas é condenada a indenizar homem negro que foi seguido em loja no Recife

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Unidade da Americanas na Rua Sete de Setembro, no Recife./Foto: Reprodução/Google Street View
Unidade da Americanas na Rua Sete de Setembro, no Recife. (Foto: Reprodução/Google Street View)

Americanas deverá pagar R$ 10 mil por danos morais. Gerente teria seguido cliente por causa de caixa de chocolate. Cabe recurso à decisão

Por Jorge Cosme/DP

A Americanas foi condenada a indenizar um homem negro que afirma ter sido seguido por gerente dentro de loja na Rua Sete de Setembro, no bairro da Boa Vista, área central do Recife. A empresa deverá indenizar a vítima em R$ 10 mil por danos morais. A decisão é de primeiro grau e cabe recurso.

O porteiro José Aparecido de Goes, de 38 anos, diz que foi seguido pelo gerente do estabelecimento no dia 22 de outubro de 2025 enquanto fazia compras.

No processo, ele afirma que o gerente o intimidou por achar que estaria no local para roubar, “por ser negro e de baixa renda”.

Ao Diario de Pernambuco, José Aparecido conta que o gerente só parou de acompanhá-lo quando pagou pelos produtos.

“A caixa de chocolate estava em promoção, uma era R$ 20, mas se você comprasse duas saíam por R$ 12 cada”, diz ao lembrar do ocorrido.

“Eu peguei quatro caixas de chocolate e ele foi me seguindo até o caixa”, continua. Segundo José Aparecido, o gerente se aproximou do segurança e insinuou que o porteiro pretendia deixar o local sem pagar por duas das quatro caixas.

“Eu fui falar com ele quando paguei. Eu disse ‘Tu pensava que eu iria roubar caixas de chocolate, meu irmão?'”. O gerente teria negado.

“Pensou sim, que você estava falando com o segurança, que estava olhando para mim”, teria acrescentado o cliente segundo seu relato.

José Aparecido, que mora na mesma rua do estabelecimento, diz que o segurança já o conhecia e o defendeu. “Ele disse que sabia que eu não faria isso e que errado estava o gerente, me seguindo dentro da loja”.

“Eu fiquei muito revoltado. Isso não é coisa que se faça. Isso é preconceito”, completa ao Diario.

No dia 29 daquele mesmo mês, o porteiro registrou boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia de Crimes contra o Consumidor.

Em contestação no processo, a Americanas argumenta que em nenhum momento o autor da ação comprova que o funcionário realizou qualquer abordagem ou acusação.

“Alega a parte autora que teria sofrido constrangimento mediante vigilância por parte do réu, contudo, não há nos autos comprovação dos elementos mínimos dos fatos alegados”, assinala.

A defesa acrescenta que, diante da antiguidade do fato, as câmeras de segurança da loja não possuem mais as imagens do dia do ocorrido.

A Americanas também argumenta que, ainda que a vigilância pelo funcionário tivesse ocorrido, “a mera observação por parte dele consiste em exercício necessário de uma das suas atribuições laborativas, qual seja vistoriar e proteger o patrimônio da sua empregadora, não havendo que se falar em qualquer dano suportado”.

Decisão

Na sentença, assinada na última terça-feira (10), a juíza Ana Virgínia da Costa Carvalho de Albuquerque, do 4º Juizado Especial Cível e das Relações de Consumo da Capital, do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), avalia que o porteiro produziu prova testemunhal idônea.

“[As testemunhas], embora não tenham presenciado diretamente o exato momento da abordagem, tiveram ciência imediata dos fatos e de suas consequências, diante da confusão instaurada no local e dos relatos espontâneos realizados por segurança do próprio estabelecimento réu”, escreve a magistrada.

Ela completa: “Ressalte-se, ainda, que a forma da abordagem, aliada ao contexto social de racismo estrutural e institucional, permite inferir que a cor da pele do autor foi fator determinante para a conduta adotada pelos prepostos da ré”.

Em nota, a Americanas informa que não comenta processos em curso. A empresa acrescenta que repudia qualquer tipo de discriminação e tem entre seus valores a ética e a pluralidade.

Confira a nota da Americanas na íntegra:

A Americanas informa que não comenta processos em curso. A companhia repudia qualquer tipo de discriminação e tem entre seus valores a ética e a pluralidade, promovendo um ambiente seguro, diverso e equitativo como pilar essencial para a construção de uma sociedade mais justa.

Além de ser signatária do Movimento pela Equidade Racial – MOVER desde 2021, a Americanas iniciou, em 2022, sua jornada de Letramento Racial e ações afirmativas para 100% de seus funcionários com o objetivo de sensibilizar e desenvolver, internamente, ferramentas que erradiquem práticas discriminatórias. Em seu Código de Ética, Política de Diversidade, Inclusão e Direitos Humanos, a companhia reafirma este compromisso com a inclusão, a equidade e o respeito em todas as suas relações, exercitando esses valores em toda sua operação.

Pernambuco: Justiça condena homem a 2 anos e 11 meses por crime de racismo em posts no Facebook

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Justiça Federal de Pernambuco – Foto: Justiça Federal de Pernambuco

Segundo a decisão, o réu utilizou expressões como “bando de burros”, “escórias da nação brasileira” e “nojo dessa corja” ao se referir a nordestinos

Por Estadão Conteúdo

A Justiça Federal de Pernambuco condenou um homem a 2 anos e 11 meses de prisão, em regime inicial aberto, pelo crime de racismo, em razão de publicações discriminatórias contra nordestinos feitas em 2018 em um grupo do Facebook destinado a vendas e trocas online em Garanhuns (PE).

A sentença foi proferida pelo juiz federal Felipe Mota Pimentel de Oliveira, da 23ª Vara Federal, e reconheceu que as ofensas configuram discriminação coletiva por procedência nacional.

Segundo a decisão, o réu utilizou expressões como “bando de burros”, “escórias da nação brasileira” e “nojo dessa corja” ao se referir a nordestinos. Ainda de acordo com a sentença, a discriminação foi motivada por questões político-eleitorais.

As mensagens foram publicadas em um grupo público da rede social, o que caracterizou o uso de meio de comunicação social, agravando a conduta.

A defesa alegou prescrição porque as ofensas foram publicadas em 2018, antes da lei que passou a equiparar a injúria racial ao crime de racismo, e que o tornou imprescritível, em 2023.

O juiz, porém, rejeitou esse argumento ao afirmar que, mesmo adotando essa interpretação, o prazo para o Estado perder o direito de punir seria de oito anos, período que ainda não havia se encerrado quando a denúncia foi apresentada. Por isso, o magistrado concluiu que o processo poderia seguir normalmente.

Por preencher os requisitos legais, a pena privativa de liberdade foi substituída por duas penas restritivas de direitos: prestação de serviços à comunidade, em entidade voltada à promoção da igualdade racial ou dos direitos humanos, e prestação pecuniária proporcional ao tempo da condenação.

Além disso, o juiz condenou o réu ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais coletivos, valor que deverá ser destinado a uma instituição pública ou privada sem fins lucrativos que atue no combate à discriminação. O homem também deverá pagar uma multa fixada em 20 dias-multa, no valor unitário de 1/30 do salário mínimo vigente.

Durante o processo, o réu confessou a autoria das publicações e afirmou estar arrependido. Um acordo de não persecução penal chegou a ser firmado anteriormente, mas foi rescindido por descumprimento das condições estabelecidas.

Palmeiras chama Conmebol de ‘conivente’ com racismo sofrido por Luighi e critica punição branda

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Luighi, jogador da base do Palmeiras
Luighi, jogador da base do Palmeiras – Palmeiras/Divulgação

Por Estadão Conteúdo

A presidente do Palmeiras, Leila Pereira, manifestou-se a favor da exclusão do Cerro Porteño da competição, sugestão corroborada pelo jogador

O Palmeiras revoltou-se com as punições aplicadas pela Conmebol ao Cerro Porteño por conta do racismo sofrido por Luighi no confronto entre as equipes na Libertadores sub-20. O clube paraguaio foi multado em US$ 50 mil (cerca de R$ 289 mil em conversão direta) e penalizado com portões fechados, medidas que, segundo o time alviverde, foram “extremamente brandas” e fazem a entidade ser “conivente” com as agressões.

A presidente do Palmeiras, Leila Pereira, manifestou-se a favor da exclusão do Cerro Porteño da competição, sugestão corroborada pelo próprio jogador, que criticou as “cartinhas”, como chamadas por ele, somente repudiando o ocorrido e sem atitudes mais assertivas. A dirigente disse que levará o caso à Fifa, que já falou sobre o episódio através de publicação de seu presidente, Gianni Infantino.

POSIÇÃO DO PALMEIRAS

Em postagem no X (antigo Twitter), o Palmeiras reforçou sua posição a respeito das sanções aplicadas pela Conmebol ao clube paraguaio. “A Sociedade Esportiva Palmeiras discorda com veemência das punições extremamente brandas aplicadas pela CONMEBOL ao Cerro Porteño-PAR em razão dos ataques racistas sofridos por nossos atletas em jogo disputado pela Libertadores Sub-20, na quinta-feira (6), em Assunção, no Paraguai”.

“Com exceção da medida educativa adotada (campanha antirracista nas redes sociais do clube infrator), tratam-se de penas inócuas diante da gravidade dos fatos ocorridos e, portanto, insuficientes para combater os reiterados casos de discriminação racial no futebol sul-americano”, continuou a instituição alviverde, referindo-se à multa e punição com portões fechados.

Para o Palmeiras, as punições não servem para combater o racismo, mas mostra que as autoridades são “coniventes” com o crime “que vem se repetindo incessantemente, bem como a falência de um sistema penal incapaz de punir com o rigor necessário os crimes de racismo cometidos dentro de campo e nas “arquibancadas”.

A nota é finalizada com o clube confirmando que acionará as entidades máximas do futebol mundial e que levará o episódio às últimas instâncias. “Para que o futebol sul-americano possa, enfim, tornar-se um ambiente de tolerância zero ao racismo. As lágrimas do atacante Luighi não serão em vão”, concluiu o Palmeiras, lembrando da entrevista emocionada do jogador após a agressão.

CBF REPUDIA EM NOTA

Confederação Brasileira de Futebol (CBF) também divulgou uma nota oficial neste domingo para manifestar sua indignação com o caso. Segundo a nota da CBF, a punição aplicada à equipe sub-20 do Cerro Porteño não reflete a gravidade do ato racista e, ao contrário, “incentiva a prática de novos atos criminosos” devido à sua leniência.

A entidade brasileira argumenta que a punição, que provavelmente afetará apenas os jogos restantes do sub-20, “é insignificante” e não atende à necessidade de um posicionamento firme contra o racismo. “A decisão não combate com o rigor necessário a discriminação racial ocorrida, mas, lamentavelmente, incentiva a prática de novos atos criminosos”, afirmou.

A CBF não poupou críticas à Conmebol, que, segundo a entidade, não seguiu adequadamente o Protocolo Global Antirracismo da Fifa, que obriga as federações e confederações a tomarem medidas enérgicas contra casos de discriminação racial.

A nota destaca que a CBF continuará a adotar uma política de “tolerância zero” contra atos discriminatórios e que tomará todas as medidas cabíveis contra o descumprimento das normas internacionais, que incluem o protocolo da Fifa.

Futebol comemora ‘condenação histórica’ por racismo contra Vini Jr.

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'Não é por mim. É por todos os pretos': a comovente reação de Vini Jr à condenação por racismo de torcedores do Valencia
‘Não é por mim. É por todos os pretos’: a comovente reação de Vini Jr à condenação por racismo de torcedores do Valencia © Getty Images

Três torcedores do Valencia foram condenados por atos cometidos contra Vini Jr em 2023

O mundo do futebol comemorou a “condenação histórica” a oito meses de prisão anunciada nesta segunda-feira (10) na Espanha contra três torcedores do Valencia que insultaram com termos racistas em maio de 2023 o astro brasileiro Viní Jr, do Real Madrid.

“Essa primeira condenação penal da história da Espanha não é por mim. É por todos os pretos”, escreveu o atacante revelado pelo Flamengo em uma mensagem divulgada em suas redes sociais.

“Que os outros racistas tenham medo, vergonha e se escondam nas sombras. Caso contrário, estarei aqui para cobrar. Obrigado a La Liga e ao Real Madrid por ajudarem nessa condenação histórica”, acrescentou.

Em uma postagem em seu Instagram Vini Jr. comentou: Muitos pediram para que eu ignorasse, outros tantos disseram que minha luta era em vão e que eu deveria apenas “jogar futebol”. Mas, como sempre disse, não sou vítima de racismo. Eu sou algoz de racistas. Essa primeira condenação penal da história da Espanha não é por mim. É por todos os pretos. Que os outros racistas tenham medo, vergonha e se escondam nas sombras. Caso contrário, estarei aqui para cobrar. Obrigado a La Liga e ao Real Madrid por ajudarem nessa condenação histórica. Vem mais por aí… ??

Os três homens, de entre 18 e 21 anos, admitiram os atos, que provocaram uma onda de indignação internacional. Eles também serão proibidos de frequentar estádios de futebol para partidas de ‘La Liga’ ou da seleção espanhola durante dois anos, segundo o acordo entre as partes em um julgamento rápido realizado nesta segunda-feira, informou o Tribunal Superior de Justiça de Valência em um comunicado.

A princípio, os condenados, que não têm antecedentes criminais, não serão levados para uma penitenciária, uma vez que os juízes na Espanha costumam suspender as penas de prisão quando estas não superam dois anos de condenação.

Mas eles terão que pagar os custos vinculados ao processo, acrescenta o tribunal, segundo o qual os insultos racistas provocaram no jogador “sentimentos de frustração, vergonha e humilhação, com a consequente violação da sua dignidade”.

‘Condenação histórica’ 

A decisão é a primeira deste tipo emitida na Espanha, segundo afirmaram o Real Madrid e a La Liga em comunicados separados, nos quais comemoram a sentença.

O clube espanhol indicou que os três torcedores do Valencia divulgaram uma “carta de desculpas” direcionada ao atacante de 23 anos, na qual pedem aos “torcedores que afastem das competições qualquer vestígio de racismo e intolerância”.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, exaltou o “passo positivo” e disse que as pessoas que se comportam de maneira racista “devem ser excluídas e não são parte de nossa comunidade nem do futebol”.

O presidente da La Liga, Javier Tebas, considerou a condenação “uma grande notícia para a luta contra o racismo na Europa”.

“Esta sentença […] repara o dano sofrido por Vini Jr. e envia uma mensagem clara às pessoas que comparecem a um estádio de futebol para insultar, de que a ‘La Liga’ vai detectar, denunciar e que haverá consequências penais para eles”, afirmou Tebas em um comunicado.

O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ednaldo Rodrigues, considerou a sentença “branda”, mas que os passos no combates antirracista estão sendo dados “degrau em degrau”.

“A decisão é um começo, um caminho, e mostra a importância da pressão da sociedade para que as autoridades realmente se envolvam nesta luta contra o racismo”, declarou Rodrigues, primeiro presidente negro da CBF, em um comunicado.

Crimes de ódio

No dia 21 de maio de 2023, Vini Jr. foi recebido com gritos de “macaco” ao chegar ao estádio do Valencia, onde disputou uma partida pelo Real Madrid, válida pelo campeonato espanhol. Durante o jogo, o atacante foi alvo de vários insultos.

A polícia, que investigou o caso por possíveis “crimes de ódio”, uma categoria penal que inclui este tipo de racismo, anunciou três dias depois a detenção dos três torcedores, com idades entre 18 e 21 anos, graças à colaboração do Valencia.

O comitê disciplinar do futebol espanhol anunciou sanções contra o Valencia CF, incluindo o fechamento parcial do estádio do clube durante cinco jogos e uma multa de 45 mil euros. Também anulou o cartão vermelho mostrado a Vini Jr. no final da partida.

Os incidentes provocaram um debate na Espanha, onde os casos de racismo são comuns há várias décadas em estádios de futebol. Também despertaram indignação no exterior, onde proliferaram demonstrações de apoio ao atacante brasileiro.

Símbolo da luta contra o racismo no futebol espanhol, Vini Jr. já foi alvo de ofensas em várias partidas nos últimos anos, mas apenas alguns incidentes resultaram em punições.

Em junho de 2023, as autoridades espanholas proibiram a entrada nos estádios durante dois anos de quatro torcedores radicais do Atlético, acusados de pendurar um boneco vestido com o uniforme de Vini Jr. em uma ponte da capital espanhola.

O processo penal instaurado contra eles ainda está em curso. *Por AFP

Vinicius Jr. chefiará novo comitê antirracismo da Fifa

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O brasileiro Vinicius Jr. deixa o campo no estádio Mestalla, em Valência, após reclamar que torcida o chamou de 'macaco' em jogo entre o Real Madrid e o Valencia, em 21 de maio de 2023. — Foto: Alberto Saiz/ AP
O brasileiro Vinicius Jr. deixa o campo no estádio Mestalla, em Valência, após reclamar que torcida o chamou de ‘macaco’ em jogo entre o Real Madrid e o Valencia, em 21 de maio de 2023. — Foto: Alberto Saiz/ AP

Comissão, segundo agência de notícias Reuters, vai ouvir sugestões de jogadores para erradicar racismo e comportamentos discriminatórios no futebol. Anúncio foi feito por presidente da Fifa à Reuters após reunião com brasileiro.

O brasileiro Vinicius Jr. vai liderar uma nova comissão da Fifa dedicada a combater o racismo no futebol, disse nesta quinta-feira (15) o presidente da entidade, Gianni Infantino, à agência de notícias Reuters.

O comitê, afirmou Infantino, servirá para que jogadores sugiram punições mais severas para comportamentos discriminatórios no futebol.

“Pedi a Vinícius que liderasse esse grupo de jogadores que apresentará punições mais rigorosas contra o racismo, que mais tarde serão implementadas por todas as autoridades do futebol em todo o mundo”, disse o presidente da Fifa à Reuters.

“Não haverá mais futebol com racismo. Os jogos deverão ser interrompidos imediatamente quando asalgo assim ocorra. Basta”, completou.

Infantino disse ainda que se reuniu com Vinicius Jr. e a seleção brasileira para debater a criação da comissão.

Até a última atualização desta notícia, Vini Jr. não havia se declarado sobre o novo comitê.

Infantino ainda não informou quando a comissão será criada, mas este é o primeiro passo concreto da Fifa após a grande repercussão dos casos de racismo contra Vinicius Jr. durante partidas na Espanha, onde o brasileiro joga pelo Real Madrid.

O principal dele ocorreu em 21 de maio no estádio Mestalla, no sudeste da Espanha, durante um jogo do time local, o Valencia, contra o Real Madrid. Xingado de “macaco” por torcedores, Vinicius Jr. reclamou imediatamente com o juiz, que interrompeu o jogo.

Uma confusão se formou, e um jogador do Valencia deu uma chave de braço em Vinicius Jr., que, ao se desvencilhar, atingiu outro adversário no rosto e foi expulso.

O brasileiro se queixou ao final da partida, cobrando a liga espanhola por diversos casos de racismo que ele sofreu nos últimos meses, mas foi duramente criticado pelo presidente da LaLiga – a entidade responsável por organizar o principal campeonato espanhol -, Javier Tebas.

Diante da repercussão mundial do caso, que abriu um grande debate sobre o racismo no futebol, Tebas recuou e pediu desculpas.

A polícia espanhola também se mobilizou e identificou e deteve torcedores que fizeram os insultos racistas no Mestalla e outros que, meses antes, penduraram pelo pescoço um boneco preto com a camisa de Vinicius Jr. em um viaduto em Madri.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o episódio e cobrou mais ações antirracistas no futebol, e o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, também manifestou solidariedade com Vinicius Jr. * Inf. (g1).

 

Quem se sente bem e tem prazer em ser racista?

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 A exemplo do caso Vini Jr. – foto/Divulgação

Nesta quinta-feira (25/05), comemora-se o Dia Mundial da África. Eu havia me preparado para escrever uma coluna que falasse sobre a necessidade, ao mesmo tempo urgente e ultrapassada, de conhecermos mais e melhor o continente africano e sua diversidade.

A ideia era lembrar um pouco da história desse dia 25 de Maio. Lembrar que, há exatos 60 anos, em 1963, foi criada na Etiópia a Organização de Unidade Africana (OUA), cujo objetivo era lutar coletivamente pela emancipação do continente, que, vale dizer, ainda estava sob o jugo da colonização europeia.

Mas minha intenção foi interrompida por três episódios recentes que geraram grande repercussão.

Piada racista e sem graça

“Negro não consegue achar emprego, mas na época da escravidão já nascia empregado e também achava ruim.” Nesse primeiro caso, tivemos essa piada do humorista Leo Lins que, além de abertamente racista, é ruim e sem graça, sendo defendida com unhas e dentes por comediantes de plantão (brancos, é claro), que se consideram os defensores perpétuos de um humor sem censura.

Uma piada que gargalha do fato de a população negra ter dificuldades (reais) de encontrar emprego na atualidade e, ao mesmo tempo, ri da escravidão e tira um sarro do negro, que continua sendo apresentado como uma pessoa que não gosta nem nunca gostou de trabalhar.

O caso Vini Jr.

Tivemos também um estádio inteiro urrando e xingando um jogador negro e brasileiro de macaco, e uma liga espanhola de futebol que travestiu seu racismo de letargia, defendendo que possíveis ações relativas a esse episódio não estavam sob sua alçada. Afinal, qual o problema em chamar um jovem negro de macaco, não é mesmo?

Aqui no Brasil, inclusive, temos um senador democraticamente eleito que tentou contemporizar os ataques racistas a Vini Jr., dizendo que houve um excesso da mídia ao tratar o caso e que quem saiu exposto dessa situação toda foram os macacos.

Para nossa sorte, e por conta da luta antirracista e da grandiosidade de Vini Jr. (dentro e fora do campo), seu caso ganhou uma escala mundial e o importante apoio do Estado brasileiro, representado sobretudo na figura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de sua ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco.

Já teríamos aí “muito pano pra manga” na discussão sobre racismo no Brasil e no mundo, pensando inclusive sobre como um esporte de massa e que movimenta bilhões de dólares como o futebol poderia ser uma ferramenta importante na luta contra essa e outras formas de discriminação.

Brincar de chicotear gente preta

Então, eis que vem outra notícia-denúncia bombástica: a Google estava oferecendo um aplicativo no qual o usuário poderia simular ser um proprietário de escravizados. Isso mesmo, a empresa disponibilizava um jogo no qual o comprador poderia simular a escravidão negra que ordenou o Brasil entre os séculos 16 e 19, permitindo que se brincasse de comprar, vender e castigar pessoas escravizadas, pessoas que obviamente eram negras.

O jogo chegou a ser baixado por mais de mil pessoas, mas as denúncias de parlamentares e pesquisadores brasileiros fez com que a empresa não o disponibilizasse mais.

Como é que dentro de uma das maiores empresas do mundo, que desenvolve e hospeda uma série de serviços e produtos, não houve uma única pessoa que dissesse: “Veja bem, não me parece uma boa ideia hospedar um game que brinque com os horrores da escravidão”? Como é que, em meio a um debate intenso sobre racismo na arena pública mundial, uma empresa do tamanho da Google comprou e vendeu a ideia de que seria divertido brincar de chicotear gente preta?

Prazer em ser racista

Imagino que, em parte, a resposta esteja nessa ideia equivocada e racista de que a liberdade de expressão é sinônimo de vale-tudo. Vale xingar de macaco, vale fazer piada, vale se deleitar sendo senhor de escravizados. Vale tudo quando o que está em jogo é a subjugação e humilhação das pessoas negras.

Mas o que mais me chamou atenção nesses três episódios é que eles evidenciam que existe uma espécie de gozo em ser racista. Parece-me óbvio que, nos casos narrados (e eles não são os únicos), há um prazer deliberado, uma satisfação pessoal e coletiva na execução de práticas racistas.

Para muita gente, ser racista é um divertimento. E essas risadas são profundamente perigosas, porque escondem e dão leveza para um comportamento doentio, que segue naturalizando e ridicularizando as dores e violências destinadas a grupos sociais específicos.

Vivemos em um mundo doente, e quem segue pagando a conta são os negros e negras.

Mestre e doutora em História Social pela USP, Ynaê Lopes dos Santos é professora de História das Américas na UFF. É autora dos livros Além da Senzala. Arranjos Escravos de Moradia no Rio de Janeiro (Hucitec 2010), História da África e do Brasil Afrodescendente (Pallas, 2017), Juliano Moreira: médico negro na fundação da psiquiatria do Brasil (EDUFF, 2020) e Racismo brasileiro: Uma história da formação do país (Todavia, 2022), e também responsável pelo perfil do Instagram @nossos_passos_vem_de_longe. ISTOÉ.

O texto reflete a opinião da autora, não necessariamente a da DW.

Quatro suspeitos ligados ao boneco que representou Vinícius Jr. enforcado são detidos, informa polícia espanhola

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Imagem colorida mostra Boneco de Vinicius Júnior pendurado em Madri - Metrópoles
Imagem mostra Boneco de Vinicius Júnior pendurado em Madri – Foto/ Divulgação

De acordo com a polícia, os suspeitos de terem feito o boneco de Vinicius Júnior têm entre 19, 21, 23 e 24 anos.

A Polícia Nacional da Espanha divulgou imagens de quatro pessoas suspeitas de pendurarem um boneco do atacante brasileiro Vinicius Júnior em uma ponte, como se ele estivesse sendo enforcado. O jogador do Real Madrid vem sofrendo seguidos ataques racistas em território espanhol.

“Eles têm 19, 21, 23 e 24 anos. Vários foram identificados durante partidas de alto risco em dispositivos da Polícia para a prevenção da violência no esporte”, postou o órgão em uma rede social.

Um dos presos, inclusive, teria passagem por lesão corporal, segundo a polícia. Clique aqui para ver o vídeo da prisão dos suspeitos.

Eles são torcedores do Atlético de Madrid. O caso ocorreu em janeiro deste ano, na véspera do confronto entre as duas equipes pela Copa do Rei. Torcedores do Atlético penduraram pelo pescoço um boneco com a camisa do atacante do Real.

O boneco foi pendurado em uma ponte, próxima ao centro de treinamentos do Real Madrid. Na ponte ainda foi colocada uma faixa com a frase “Madrid odia al Real” (Madri odeia o Real, como se a cidade odiasse o time de Vini).

No último domingo (21/5), mais um caso de racismo contra Vinicius Júnior aconteceu no estádio Mestala, no jogo contra o Valencia. Ele foi chamado de “macaco”, acabou expulso por outro lance e escreveu nas redes sociais a denúncia da perseguição, sem que a Liga Espanhol de Futebol (La Liga) fizesse algo para impedir isso.

Apesar de ao menos 10 denúncias de racismo contra o atleta já terem sido formalizadas nesta temporada, o episódio desse final de semana causou grande repercussão no governo brasileiro. Fonte (Metrópoles).

Estudante “presenteia” professora negra com palha de aço no Dia da Mulher

RACISMO

 (crédito: Foto: reprodução redes sociais)
(crédito: Foto: reprodução redes sociais)

O caso foi gravado por colegas de classe e ocorreu no Centro de Ensino Médio 9, em Ceilândia.

No último Dia da Mulher (8/3), uma professora da rede pública do Distrito Federal foi alvo de ataque racista dentro de sala de aula. Um aluno do ensino médio resolveu “presentear” a educadora, na frente de toda a classe, com um saco de palha de aço, dizendo ser em homenagem a data.

O caso foi gravado por colegas de turma e ocorreu no Centro de Ensino Médio 9, em Ceilândia. Nas imagens é possível ouvir uma aluna dizer para a professora não aceitar o objeto, e ela responde “tudo o que vai volta”. Depois, ela ainda agradece ao aluno, enquanto alguns estudantes dão gargalhadas.

Em nota, a Secretaria de Educação disse que a direção da escola teve conhecimento do ocorrido e que vai se reunir com o estudante e com a professora para mais esclarecimentos. A pasta informou que “repudia qualquer tipo de preconceito e reforça compromisso e empenho na busca por elementos que permitam o esclarecimento dos fatos, bem como o suporte aos envolvidos”.