Com missas e procissões, Domingo de Ramos abre celebrações da Semana Santa em Pernambuco

FÉ E RELIGIOSIDADE

Domingo de Ramos foi celebrado com procissão e missa no sítio histórico de Olinda
Domingo de Ramos foi celebrado com procissão e missa no sítio histórico de Olinda – Foto: Felipe Ribeiro/Folha de Pernambuco

A Santa Missa, na Catedral da Sé, contou com a presença do arcebispo de Recife e Olinda, Dom Paulo Jackson

Por Juliano Muta

O Domingo de Ramos da Paixão do Senhor – mais conhecido como Domingo de Ramos – foi celebrado hoje (29), para marcar o inicio da Semana Santa, celebração mais importante do calendário religioso cristão.

Fiéis do Recife e Região Metropolitana se reuniram para lembrar da ressurreição de Jesus Cristo e o início do período da Páscoa.

A Arquidiocese de Olinda e Recife (AOR) está oferecendo uma programação que abrange todo o período da Semana Santa.

Em Olinda, a procissão de Domingo de Ramos – data que recorda a entrada de Jesus Cristo em Jerusalém – se concentrou da Capela da Misericórdia, no Alto da Sé, onde foi realizada a bênção dos ramos dos fiéis.

De lá, eles seguiram em cortejo para a Catedral da Sé, onde foi aconteceu a Santa Missa. O arcebispo de Recife e Olinda, Dom Paulo Jackson, comandou ambas as celebrações.

Na Catedral da Sé São Salvador do Mundo, a programação do Domingo de Ramos também contou com a Coleta Nacional de Solidariedade, oferta que será enviada para subsidiar projetos sociais da Campanha da Fraternidade.

Dom Paulo Jackson, arcebispo de Olinda e Recife, participou da Santa Missa, neste Domingo de Ramos (29), em Olinda
O arceispo de Recife e Olinda, Dom Paulo Jackson participou do cortejo e celebrou a santa missa | Foto: Felipe Ribeiro/Folha de Pernambuco

“O Domingo de Ramos é a celebração de abertura da Semana Santa. O nome oficial é Domingo de Ramos, que simboliza festa, aclamação. Jesus entra em Jerusalém triunfalmente como filho de Davi, o Messias glorioso. Mas, a segunda parte do nome é Domingo da Paixão do Senhor. Portanto, o Domingo de Ramos une essas duas dimensões: a festa, a alegria, a vitória sobre a morte, mas, também, a cruz, a dor e a paixão do Senhor”, explica o arcebispo.

“Desta forma é uma introdução a todo o mistério da Semana Santa. O mistério da Semana Santa é mistério de morte, mas, sobretudo, mistério de vida, de ressurreição e de esperança. Assim, todos os cristãos católicos são convidados a celebrar bem a Semana Santa. Não é um período de chácara, de tomar cachaça, de festa e de passeio. É tempo de reflexão, de silêncio e de participar das celebrações na sua comunidade paroquial”, orienta Dom Paulo Jackson.

Fé na Paixão 
Nas missas e cortejos deste Domingo de Ramos, em Olinda, muitos fiés compareceram para celebrar o início da Paixão de Cristo e professar sua fé em Jesus.

“Para mim, como católico, venho constantemente, todo o ano eu estou aqui. Acho que a marca de um católico é estar numa festa de ramos como uma celebração para Jesus Cristo”, comentou o comerciante Joselito José da Silva, de 60 anos.

Zara Emília, 72 anos, aposentada.
Zara Emília, 72 anos, aposentada

“Domingo de Ramos representa o início do sofrimento de Jesus, porque ele sofreu e padeceu para nos salvar, para nos tirar do pecado e, hoje, infelizmente, a maioria do povo não quer pensar nisso, quer colocar Jesus no segundo plano. Mas, esse é um dia muito santo”, compartilhou a aposentada Zara Emília, 72 anos.

A dona de casa Mauriceia Leandro, 65, descreveu a importância da data. “É o momento de a gente viver a morte e a ressurreição de nosso Senhor, uma oportunidade. Uma fé não só de um momento, mas que a gente sempre leva, sobre o quanto o Senhor fez pela gente, quando deu a sua vida na cruz e nos prometeu uma vida eterna”, disse.

A celebração deste domingo não foi tocante apenas para os fiéis, mas também para os membros da Igreja. A irmã Maria Alaíde, freira beneditina missionária da Igreja Nossa Senhora da Misericórdia, descreveu como interpreta a mensagem trazida pelo Domingo de Ramos.

“É a celebração que dá abertura à Semana Santa, que é a entrada triunfante de Jesus em Jerusalém, onde todo o povo com os seus ramos também aclama Hosana ao filho de Davi. Para mim, particularmente, é uma celebração um pouco triste, porque os que aclamam Jesus como o filho de Davi, lá na sexta-feira Santa, são as mesmas pessoas que estão pedindo para que ele seja crucificado. Mas é também um momento de renovação da nossa fé, da nossa esperança e da certeza da ressurreição”, descreveu.

“Isso nos torna felizes e esperançosos na vinda do Cristo, na ressurreição, que a morte não é o fim; ela é a parada para este mundo e a ressurreição para a vida eterna”, completou a beneditina.

Programação
Na Quarta-feira de Trevas (1º), momento de forte reflexão sobre o caminho de Jesus até o Calvário, também é realizado o ‘Ofício das Trevas’, rito em que velas são apagadas, simbolizando o abandono de Jesus e o luto da Igreja.

Com concentração no Pátio de São Pedro, no bairro de São José, Centro do Recife, a partir das 7h, será realizada a Via-Sacra da Fraternidade pelas ruas da cidade.

Os fiéis carregarão uma cruz com mais de 100kg, simbolizando o peso do sofrimento humano.

Prevista para chegar às 11h, a caminhada seguirá até a Basílica de Nossa Senhora da Penha, onde será realizada a Santa Missa, presidida por Dom Paulo Jackson.

Já na Quinta-feira Santa (02), será realizada a Missa dos Santos Óleos, às 9h, na Catedral da Sé de Olinda.

O momento marca a unidade da Igreja Católica em celebração da renovação das promessas sacerdotais e consagração dos óleos santos, utilizados nos sacramentos do batismo, unção dos enfermos e crisma.

À noite, a partir das 19h, na Matriz do Sagrado Coração Eucarístico de Jesus, no Espinheiro, será realizada a Missa da Ceia do Senhor, também conhecida como ‘Lava-pés’. O momento rememora a última ceia e o gesto de serviço de Jesus.

A Sexta-feira Santa (03) é um dia de silêncio, jejum e contemplação pela morte de Jesus Cristo. A Igreja Católica não celebra a Eucaristia, focando na adoração da Cruz, que será contemplada a partir das 15h, na Catedral da Sé de Olinda.

No Sábado de Aleluia (04), será realizada a mais importante celebração da Igreja: a Vigília Pascal, momento em que é anunciada a Ressurreição de Jesus Cristo.

A solenidade será realizada pela Arquidiocese às 18h, na Matriz do Sagrado Coração Eucarístico do Jesus, no Espinheiro. A Igreja vai acender e abençoar o Círio Pascal, que representa a luz de Cristo.

No Domingo de Páscoa (05), dia em que é celebrada a Ressurreição de Jesus, Cristo vence a morte e dá início a uma nova vida. Será realizada a Santa Missa, às 9h, na Catedral da Sé de Olinda.

Primeiro dia do período pascal, a Igreja confraterniza o início deste período litúrgico, que se estende pelos 50 dias seguintes, até o Domingo de Pentecostes, que celebra a descida do Espírito Santo.

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