POLÍTICA

Para o sociólogo Rudá Ricci, direita seria penalizada caso a governadora opte por apoiar Lula
Por Alex Fonseca
O cientista político e sociólogo Rudá Ricci afirmou, em entrevista à Rádio Folha 96.7 FM, na última sexta-feira (27), que a governadora Raquel Lyra (PSD) terá uma missão difícil nas eleições deste ano. Para ele, a chefe do Executivo estadual deve pensar no futuro político caso não vença a reeleição tendo o apoio de políticos bolsonaristas.
“Se ela ganhar, o futuro está dado. (…) (Mas) ela não pode perder se jogando num bloco que duvida dela, que é o bloco bolsonarista”, disse.
“Problemaço”
O especialista também apontou que a governadora tem sinalizado que poderá apoiar a reeleição do presidente Lula (PT). Segundo o professor, isso seria um “problemaço” para a direita no estado, que não teria um candidato eleitoralmente viável para apresentar nas eleições. Por outro lado, Raquel também teria dificuldades de conquistar esse eleitorado.
“Esse é um problemaço para uma eleição nacional, para o PL ou para o bolsonarismo”, disse.
Estratégia
Rudá Ricci também analisou os movimentos políticos do ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (União Brasil), que tem buscado se viabilizar como candidato ao Senado pela chapa do provável candidato ao governo e prefeito do Recife, João Campos (PSB). Coelho também se aproximou do presidente Lula, com quem chegou a tirar uma foto no Carnaval.
“Em Pernambuco, é uma loucura não estar com João e com Lula. É uma loucura total, quer dizer, isso daí coloca em risco o futuro político da pessoa”, opinou.
Direita sem ideias
O especialista afirmou que a direita, representada atualmente pelo bolsonarismo, não tem ideias. Ao analisar a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL), Rudá Ricci apontou que essa vertente política não tem feito propostas claras sobre políticas públicas e citou, como exemplo, o caso da segurança pública, um dos temas mais abordados pelos bolsonaristas.
“A extrema direita não tem projeto de política em lugar nenhum. O que eles têm são ideias e força. Uma ideia sobre segurança, mas não tem política nenhuma. Nunca tiveram. Eles não têm centros de elaboração de políticas públicas. São muito novatos ainda. Tiveram uma ascensão muito grande por causa do ressentimento social que existe no Brasil”, analisou.
Veja a entrevista na íntegra: