SERTÃO DE PERNAMBUCO
Zirleide Monteiro deu a declaração durante sessão plenária da última segunda-feira (30), se referindo a uma pessoa que seria seu desafeto

Em Arcoverde (PE), Sertão do Moxotó, não se fala em outra coisa depois que a vereadora Zirleide Monteiro deu uma polêmica declaração na Câmara Municipal. Após ser alvo de memes devido a uma queda que sofreu durante uma recente homenagem, de sua autoria, na casa legislativa ao deputado estadual Kaio Maniçoba, Zirleide disparou sua ‘metralhadora giratória’ contra os autores dos memes.
Sem esconder o ressentimento com as brincadeiras na internet, a vereadora endureceu as críticas sobretudo em relação a uma mulher, a qual tem um filho com necessidades especiais. “O castigo de Deus ele dá aqui, em vida. Quando ela veio com um filho deficiente, é porque ela tinha alguma conta a pagar com aquele lá de cima. Ela já veio pra sofrer. Sinto muito, sinto muitíssimo”, disse, em tom de desdém.
O discurso causou mal-estar não apenas entre os pares de Zirleide. O público que assistia à sessão começou a deixar a Câmara Municipal, em protesto contra a postura da vereadora. O assunto, como não seria diferente, viralizou negativamente nas redes sociais. A vereadora já teria se retratado por suas declarações, mas o estrago já estava feito.
O ex-vice-prefeito da cidade, delegado Israel Rubis, que usava a Tribuna Livre na data do pronunciamento, formalizou junto à Câmara de Vereadores o pedido de cassação do mandato de Zirleide Monteiro. O presidente da Casa James Pacheco, vereador Weverton Barros Siqueira, se comprometeu em avaliar o caso.

Primeiro, narra os fatos da sessão da última segunda e a fala da vereadora Zirleide. “O castigo de Deus está aqui em vida. Quando ela veio com um filho deficiente, é porque ela tinha alguma conta a pagar lá pra aquele lá de cima. Ela já veio para sofrer”.
A denúncia lembra que o vereador Rodrigo Roa deu oportunidade para que ela se desculpasse. Ela se desculpou com as demais pessoas, mas manteve a crítica à mãe em questão, Luzia Damaceli.
Israel se refere ao episódio como “um dia para se apagar da história da Casa dado o grau de deterioração moral do episódio, bem como pelo discurso de ódio proferido”.
O pedido formal é para instauração de processo de cassação por quebra de decoro parlamentar, com base nos artigos de 128 a 130 do Regimento Interno da Câmara pelo crime de preconceito contra pessoa com deficiência, afastamento cautelar da vereadora, por conta inclusive de sua função na Mesa Diretora, como Primeira Secretária da Casa, oitiva da vítima, Luzia Damaceli, notificação ao MP, dentre outras providências.
De acordo com os advogados, como informado por Siqueirinha em sua rede social, ele deverá formar mediante sorteio, Comissão Prévia para avaliar a denúncia. A realização pública, com convocação da imprensa, como fez o presidente, é um critério do procedimento, para dar publicidade e lisura ao processo.
Por sorteio serão escolhidos, primeiro, o presidente da comissão e depois, por ordem, relator e terceiro membro. Eles terão cinco dias úteis para emitir o parecer. Após isso, Siqueirinha colocará em pauta na primeira sessão após o parecer o recebimento ou não da denúncia.
Clique aqui e veja o parecer jurídico pela instauração do processo de cassação.
*Folha-PE.