CIRURGIA
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Apresentador foi incluído na fila por um órgão após agravamento no quadro de insuficiência cardíaca. Entenda quando a medida é indicada
Em tratamento para insuficiência cardíaca desde 2020, o apresentador Fausto Silva, o Faustão, 73 anos, foi incluído na fila de transplante de coração, informou o Hospital Israelita Albert Einstein, no domingo, 20. Enquanto espera pelo órgão, diálise e necessita de medicamentos para “ajudar na força de bombeamento” do sangue na unidade de saúde, onde foi internado no início do mês.
O coração é principal órgão do sistema cardiovascular. De acordo com o Ministério da Saúde, é como se ele fosse uma câmara oca que tem quatro cavidades (dois átrios e dois ventrículos). O peso normal varia entre 250 e 350 gramas, maios ou menos do tamanho de um punho fechado.
Ele fica localizado no interior da cavidade torácica (peito). Quando funciona normalmente, contrai, de forma involuntária (sem depender da nossa vontade), de 60 a 100 vezes por minuto, com isso, impulsiona o sangue para todo o corpo, para que os demais órgãos possam realizar atividades vitais.
A partir do momento que o coração tem uma diminuição ou perda da função de bombear sangue, diz-se que ele enfrenta um quadro de insuficiência cardíaca. Ela pode ter várias causas, como doenças valvares e cardiomiopatias (doenças que atingem o músculo cardíaco), por exemplo.
O transplante não é nem de longe a primeira opção dos médicos no início do tratamento de uma insuficiência. Segundo Paulo Pego Fernandes, presidente do conselho deliberativo da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (Abto) e cirurgião cardiotorácico da Universidade de São Paulo (USP), a substituição só é cogitada “quando o coração vai perdendo a função e os remédios já não funcionam mais”.
Antes da cirurgia, conforme Fernandes, há uma série de contextos que os pacientes podem enfrentar. Alguns conseguem esperar de casa, com auxílio de medicações, e outro precisam ficar internados, alguns em cuidado intensivo (UTI).
Na hora da operação, quando um órgão é disponibilizado, a equipe cirúrgica se divide em duas. Uma fica responsável pela retirada da estrutura doente e outra por transplantar a saudável. “Do ponto de vista técnico, não é uma cirurgia tão complexa”, afirma.
O objetivo de um transplante não é só aumentar o tempo em vida (sobrevida) do paciente, mas também elevar a qualidade de vida dele. Esse conceito envolve saúde física, mental e social. Ou seja, retomar as atividades da vida cotidiana com autoestima e bem-estar.
“O paciente que realmente precisa de transplante e que não faz, a qualidade de vida dele é muito ruim. Quando está (em estado) muito grave, não consegue mais sair do hospital, e o risco de vida é altíssimo. Não tem outra saída, o transplante é a saída, é a chance da pessoa viver e da pessoa ter alta do hospital e voltar a ter uma vida muito próxima da normal”, afirma Fernandes.
O próprio Faustão já fez campanha de conscientização sobre a importância da doação. Uma das ocasiões mais recentes se deu em setembro de 2022.
“40 mil pessoas na atualidade esperam um órgão. Esse número é bastante importante para que todo mundo pense bastante e, principalmente, tome uma decisão dessa importância, de ser essencial. Se você pode, depois da morte, fazer o bem. Se você é saudável, servir de vida para uma outra pessoa, que nem te conhece, mas com certeza essa pessoa vai te agradecer pelo resto da vida e rezar por você”, disse Faustão, na época. * Fonte ESTADÃO.