João Campos e Raquel Lyra repercutem investigação da Polícia Civil

POLÍTICA

João Campos e Raquel Lyra
João Campos e Raquel Lyra – Davi de Queiroz e Arthur Mota/Folha de Pernambuco

Por Anthony Santana

Governadora garante legalidade de procedimento e Campos aponta instrumentalização com fim político

Após vir à tona uma apuração feita pela Polícia Civil de Pernambuco, por meio de uma reportagem veiculada pela TV Record, no último domingo, a governadora Raquel Lyra (PSD) e o prefeito do Recife, João Campos (PSB), se pronunciaram sobre o assunto ontem em entrevistas.

A gestora estadual defendeu o procedimento investigatório e ressaltou que “ninguém está acima da lei”. Já o administrador municipal voltou a criticar a apuração que classificou como “ato criminoso”.

Legalidade

Após participar de evento do YouTube no Recife, ontem, Raquel garantiu a legalidade da investigação e defendeu o combate à corrupção como justificativa para a realização do procedimento. A gestora declarou que o seu governo respeita as leis, em contraponto às acusações de que estaria fazendo uso político da inteligência da Polícia Civil.

“A polícia recebeu uma denúncia grave de corrupção, fez o seu papel de investigação dentro da legalidade, como sempre. Somos um estado, um governo que respeita as leis, que sempre busca trabalhar para garantir transparência e isonomia. Agora, ninguém está acima da lei”, destacou.

Raquel Lyra enfatizou a sua defesa no combate à corrupção e garantiu a independência da corporação policial para conduzir as investigações. “A gente precisa, claro, sempre combater a corrupção, e esse foi o trabalho que a Polícia Civil fez”, enfatizou a governadora.

Ao ser questionada se o assunto estaria tendo uma politização excessiva, a governadora voltou a reforçar que qualquer suspeito de corrupção deverá ser investigado, mas enfatizou que o procedimento deverá ser feito com cautela e dentro do devido processo legal.

“Eu não posso fazer uma avaliação sobre isso, mas a certeza é de que nós não temos ninguém acima da lei, qualquer um que tiver qualquer tipo de denúncia, obviamente, com toda cautela dentro da legalidade, será investigado”, assegurou.

Em publicação nas redes sociais, a governadora chegou a alfinetar a oposição, ao dizer que usa a caneta para fazer entregas e resolver, em vez de fazer “barulho.” “A gente usa (a caneta) do jeito certo: para governar Pernambuco e cuidar de todos os pernambucanos, sem deixar ninguém para trás”, escreveu em uma publicação.

Críticas

Depois de ter se manifestado sobre o caso pelas redes sociais, João Campos (PSB) concedeu entrevista à CNN Brasil ontem. À TV, ele classificou o episódio como um “ato criminoso” e acusou a Polícia Civil de estar sendo instrumentalizada para fins políticos.

“Isso precisa ser denunciado, porque não cabe mais tempo de chumbo no Brasil e não é democracia. Então, de forma muito direta, foi feito um ato criminoso. E ao final de tudo isso, quando a televisão repercute a matéria, eles anunciam que a investigação clandestina foi arquivada, que as pessoas que foram investigadas, nada foi encontrado contra elas, que elas são pessoas inocentes, mas fizeram tudo de forma clandestina. Então, não vale tudo na política nem na polícia”, declarou Campos.

Como providências, o gestor afirmou que solicitou à Secretaria de Defesa Social todas as informações relativas ao início das apurações, os registros formais, além de quem seria o autor da ordem para a realização do procedimento.

João Campos ainda questionou a coletiva de imprensa realizada pelo secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, e pelo chefe da Polícia Civil no estado, Felipe Costa.

“Nada foi apresentado, absolutamente nada. E a própria polícia também disse em nota que nenhum inquérito foi aberto e as pessoas são inocentes. Você não pode colocar um rastreador, comprado na internet, num carro oficial de uma prefeitura sem uma ordem judicial”, afirmou. O prefeito classificou a ação como um ato de autoritarismo e lembrou o caso da Abin Paralela, que investigava pessoas contrárias ao governo de Jair Bolsonaro, além de lembrar órgãos de repressão da ditadura militar.

Investigação

De acordo com as informações divulgadas, a inteligência da Polícia Civil instalou um rastreador e acompanhou um veículo oficial da Prefeitura do Recife, por suspeita de recolhimento de propina, durante cerca de três meses. O alvo era o secretário de Articulação Política e Social da cidade, Gustavo Monteiro, e o irmão dele, Eduardo, assessor da gestão.  Em coletiva na última segunda-feira (26), o secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, afirmou que a investigação seguiu os parâmetros legais. Ele detalhou que a investigação foi motivada por uma denúncia anônima.

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