Lula e Bolsonaro vão apelar para a “emoção” na última semana de campanha

ELEIÇÕES 2022

Nesta reta final, candidatos à Presidência precisam garantir os votos que já tiveram no 1° turno e ainda correr atrás de mais

Arte mostra desenhos dos candidatos à presidência Lula e Bolsonaro sob as cores, respectivamente, vermelho e azul - Metrópoles
Yanka Romão/Metrópoles

As propagandas e discursos dos candidatos à presidência da República devem se voltar às emoções dos eleitores nesta reta final de uma das disputas mais acirradas da história eleitoral brasileira. Próximos um do outro nas pesquisas e disputando cada voto, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) vão tentar passar a seus apoiadores a esperança na vitória e estimular, cada vez mais, o medo do adversário.

Guardar o tom mais emotivo para os últimos dias de campanha é um dos mandamentos do marketing político. Conseguir influenciar o debate nos momentos que antecedem o dia da votação é muito importante, pois uma porcentagem do eleitorado ainda decide o voto (ou mesmo se vai votar) na última hora.

“O desafio fundamental dos candidatos é convencer seus eleitores a irem votar, garantir a menor abstenção possível. E apelar para a emoção é a maneira mais efetiva de conseguir isso. É dizer que a vitória está próxima, mas depende do voto de cada um. Ambos os candidatos devem fazer isso e resta saber qual terá mais sucesso”, avalia o cientista político João Villaverde, pesquisador do Centro de Estudos de Administração Pública e Governo da FGV-SP.

A abstenção no primeiro turno das eleições deste ano não fugiu muito da média histórica, mas foi a maior desde 1998: 20,9%. Em 2018, a taxa foi de 20,33% no primeiro turno para 21,20% no segundo.

“Historicamente, a abstenção costuma subir no segundo turno, pois há menos votos a fazer. Na maioria dos estados, a eleição para governador já foi resolvida, então, o desafio de Lula e Bolsonaro é levar seus eleitores para as urnas”, afirma Villaverde, que vê o caminho ainda mais difícil para Bolsonaro, que tem conseguido recuperar terreno nas pesquisas, mas passou para o segundo turno perdendo para Lula por mais de seis milhões de votos.

“Bolsonaro precisa levar de volta às urnas todos que já votaram nele e ainda conseguir mais 7 milhões de votos a mais. Lula também tem que convencer todos que votaram nele a repetir o voto, além de encontrar mais uns 1,7 milhão de votos a mais”, afirma o cientista político João Villaverde.

E como despertar a emoção no eleitor?

Em 2018, o último programa eleitoral do atual presidente e então candidato trouxe como ponto alto a bandeira brasileira surgindo em suas cores e apagando o vermelho, enquanto um narrador dizia que chegava o momento do embate “do Brasil contra o PT”.

Por Raphael Veleda / Metrópoles

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