Lula e Moraes elevaram o tom e irritaram a Casa Branca

MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES 

Lula, Trump e Moraes: declarações do petista e do magistrado elevando o tom contra o norte-americano resultaram numa deterioração um pouco maior nas relações Brasil-EUA 📸Agência Brasil, Casa Branca e STF.

LCríticas inviabilizam tentar adiar vigência do tarifaço de 50% em 1º de agosto; petista voltou a repetir que Trump poderia ter sido preso no Brasil e magistrado tratou Estados Unidos como “inimigos estrangeiros”.

A semana passada teve duas manifestações de autoridades brasileiras que produziram um grau de irritação um pouco maior na Casa Branca. O resultado é que possivelmente não terá sucesso a negociação para adiar a entrada em vigor da tarifa de importação de 50% dos Estados Unidos sobre todos os produtos brasileiros a partir de 1º de agosto de 2025.

Primeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) repetiu uma analogia que sempre faz sobre o presidente dos EUA, Donald Trump (republicano), poder ser preso se fosse julgado pela Justiça brasileira. O petista vocalizou essa opinião num discurso durante uma reunião de estudantes. Segundo, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes sugeriu em um despacho (PDF – 5,4 MB) que os EUA são “inimigos estrangeiros”. Moraes usou a expressão na decisão em que determinou que Jair Bolsonaro (PL) passasse a usar tornozeleira eletrônica.

SE INSCREVA-SE Eis o que disse Lula a estudantes no Congresso da UNE em 17 de julho de 2025, em Goiânia:

“Se o Trump morasse no Brasil e ele tentasse fazer aqui o que ele fez no Capitólio, certamente ele também seria julgado e poderia ser preso”.

Essa não foi a 1ª vez que Lula fez uma declaração dessa natureza sobre Trump poder ser preso no Brasil. Em 10 de julho, no dia seguinte ao anúncio do tarifaço, o petista falou à TV Record e disse o seguinte: “Eles têm que respeitar a Justiça brasileira, como eu respeito a americana. Se o que Trump fez no Capitólio ele tivesse feito aqui no Brasil, ele estaria sendo processado como Bolsonaro e arriscava a ser preso, porque feriu a democracia, feriu a Constituição. E eu não me meto no Poder Judiciário porque o Poder Judiciário é autônomo. Aqui no Brasil, quem estabelece as regras é o Brasil”.

Eis a afirmação de Moraes em despacho sobre Bolsonaro em 18 de julho (as letras maiúsculas estão dessa forma no despacho do ministro):

“É um PRINCÍPIO INFLEXÍVEL da Constituição brasileira a independência do Poder Judiciário em defesa da Constituição brasileira, e a história desse [sic] SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL demonstra que jamais faltou coragem aos seus membros para repudiar as agressões contra os inimigos da Soberania nacional, Democracia e Estado de Direito, sejam inimigos nacionais, sejam inimigos estrangeiros. Um país soberano como o Brasil sempre saberá defender a sua Democracia e Soberania e o Poder Judiciário não permitira qualquer tentativa de submeter o funcionamento do Supremo Tribunal Federal ao crivo de outro Estado, por meio de atos hostis derivados de negociações espúrias e criminosas de políticos brasileiros com Estado estrangeiro”.

Os Estados Unidos são historicamente um país amigo do Brasil e um de seus maiores parceiros econômicos e comerciais. No seu despacho, Moraes não fala diretamente sobre os EUA. Refere-se à atividade de integrantes da família Bolsonaro junto a autoridades norte-americanas criticando o que consideram ilegalidades no processo judicial brasileiro. A Casa Branca interpretou que o magistrado do STF classificou o governo dos Estados Unidos como um dos “inimigos estrangeiros” contra os quais a Corte deve agir.

A decisão de Moraes de restringir a liberdade de Jair Bolsonaro –impondo o uso de tornozeleira, proibição do uso de redes sociais, de falar com o filho Eduardo e de circular à noite– foi considerada autoritária pela Casa Branca, segundo o Poder360 apurou em Washington.

No caso da declaração de Lula, o Poder360 ouviu uma analogia reversa de integrantes do governo Trump. O presidente dos EUA poderia responder assim, se dependesse de parte da sua assessoria direta: “Se Lula estivesse submetido à Justiça dos Estados Unidos e tivesse enfrentado em solo americano o processo da Lava Jato, com provas materiais, dinheiro apreendido, confissão de várias empresas e devolução de bilhões de reais, certamente ainda estaria condenado e preso até hoje, sem condições de se candidatar a presidente do Brasil”.

Fonte: Poder360

 

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