CULTURA

Neste sábado, dia 24 de Dezembro de 2022, o Maestro Israel Gomes de Lima, se estivesse vivo faria 110 anos, sempre chamado de seu Israel, homem de uma história espetacular que inclusive presenciou a passagem da Coluna Prestes por Carnaíba..
Um homem de muito conhecimento musical e um mestre no tratado das notas, deixou relevante herança em Carnaíba e em outros municípios onde trabalhou com responsabilidade, gosto, fazendo da arte de ensinar música um legado especial para as gerações que aprenderam com ele e ainda hoje reproduzem essas lições de amor a música.
Carnaíba reconhece, admira e agradece por esses relevantes serviços que Israel Gomes prestou em nossa comunidade.
Quando ouvimos a MARCHA DE SANTO ANTÔNIO, sentimos uma emoção muito grande lembrando nas Festas de Santo Antônio a Banda que desfila na matina… quantos de nós carnaibanos temos chorado lembrando dos familiares, amigos, passagens da nossa vida, enfim, se estamos ausentes rememoramos nossa querida Carnaíba e se estamos presentes sentimos a ausência de outros, e isso é uma emoção que não tem preço, quando a Banda toca.
Como é bom Carnaíba poder festejar 110 anos de nascimento de um homem digno, de um pai amoroso, de um amigo afetuoso e solidário, de um Carnaibano integro.
Parabéns aos filhos:
SÔNIA, CARLOS, DÁRIO, SILVANA, e ANCHIETA, pelo exemplo de vida que ISRAEL GOMES deixou servindo de orgulho para vocês uma história de vida que não acabou porque enquanto se ouvir falar de música em Carnaíba, seu pai não morrerá. Israel ainda teve mais dois filhos que não se criaram; CLÓVIS e AÉCIO. Clóvis morreu já menino de cinco anos de vida que teve difteria, doença que na época nem se imaginava em ter vacina para cura.
O anúncio da chegada do Salvador ao mundo, trouxe novas perspectivas de renovação da esperança em dias melhores para os homens na terra.
A preparação para acolher nos braços o menino Deus, o prometido Emanuel, a ansiedade para mirar os olhos naquele que nos promete a salvação, certamente foi a emoção que invadiu Maria e José.
Esse sentimento, sem dúvida, foi o mesmo que acometeu o tenente Dário Gomes Patriota e sua esposa Tertuliana Martins de Oliveira no dia 24 de Dezembro de 1912 quando receberam nos braços seu filho Israel, enviado por Deus para dar a luz aos que nele quisessem enxergar as notas musicais.
Na Fazenda que pertenceu a Pedro Daniel, no Bom sossego, zona rural de Flores, que na época pertencia a seu pai, Israel Gomes de Lima enxergou o mundo pela primeira vez. Posteriormente passaria à residir no Bairro de Carnaíba Velha. A casa onde nascera, hoje já não existe mais…

Ainda criança revelou aptidão pela música e aos 8 anos de idade começou a estudar com o maestro Zé Queiroz e aos 9 anos já subia num tamborete para fazer suas apresentações.
Seu primeiro instrumento foi o clarinete seguido da requinta e do sax, sendo esse ultimo o seu favorito.
Na escola tradicional estudou até a 3° série, aproveitando esse ensino de qualidade da época para bem administrar as dificuldades de leitura e os cálculos da Matemática.
Logo mais, descoberto o seu gosto pela música, e o empenho para aprender bem, foi notado pelo regente da Banda Filarmônica Santo Antônio de Carnaíba, sendo convidado para compor essa entidade, tocando Bombardino.
Logo cedo revelou-se estudioso da música, aproveitando todos os momentos para ler, no que foi aprimorando seus conhecimentos musicais.
Rapaz moço, casou-se com Laura Mendes de Lima, começando a constituir sua família com os filhos Sônia Maria, Carlos, Dário, Anchieta Patriota e Silvana Maria, Clóvis e Aécio.
Reconhecendo que a música somente não lhe daria condição de viver e manter sua família, conseguiu ingressar na Secretaria da Fazenda do Estado, efetivando-se como Agente Arrecadador, ou seja, Fiscal de Mercadoria em Trânsito.
Os tempos passaram e Israel Gomes passou a ser reconhecido como um grande músico e como havia necessidade de maestros para ensinar música à juventude carnaibana, o mesmo foi indicado e por suas mãos passaram grandes aprendizes que no futuro seriam grandes músicos como: Beto Amaral, Dinamérico Lopes, Expedito de Sula, Geraldo Campos, Severino Henrique, os irmãos Toinho e Deda Martins, Severino Caguim, Edmilson Lopes, Toinho Barbosa, Vianney Mendes e tantos outros.
Seu trabalho notável atraiu a atenção de outros municípios e entre um momento e outro da história política de Carnaíba, ofereceu seus préstimos aos municípios de Buíque, Arcoverde, Caruaru, Custódia, Afogados da Ingazeira, Serra Talhada, Flores, Triunfo, onde estabeleceu grandes vínculos de amizades e reconhecimento ao seu trabalho, sendo que em Carnaíba trabalhou por mais tempo, quase toda sua vida.

Nas suas horas vagas dedicava-se a ler, ouvir música no rádio e principalmente produzir belas composições, a exemplo da Marcha de Santo Antônio, a melodia do hino de São João Maria Vianney, Sônia Maria e Silvana Maria dedicadas as suas filhas, o Frevo Pai me dê 100, dedicado ao seu filho Anchieta Patriota, Zedantas Filho e Sublime Revelação que fez para o grande amor da sua vida, a esposa Laura Mendes, entre outras composições.
Inspirado compositor, seu trabalho pautou-se em músicas sacras, dobrados e valsas.
Como maestro, formou grandes bandas de carnaval, tocando em várias cidades, bem como orquestras de baile e conjuntos animadores de circos que visitavam a cidade.
Presenciou a passagem da Coluna Preste por Carnaíba, histórias que levou ao conhecimento de seus filhos, inclusive para Anchieta com uma memória espetacular.
Sua grande preocupação com a família a quem dedicou todo o seu amor, era que seus filhos trilhassem por uma profissão que não fosse a música, embora todos entendam dessa arte, porque na época não oferecia grandes vantagens e o que ele desejava era encaminhá-los bem na vida, usando até um dito popular quando se referia a causa: “eu vendo até o facão da cozinha para formar meus filhos, principalmente se for em medicina”.
Como cidadão carnaibano, também envolveu-se nos movimentos políticos da época, incentivando seu concunhado Milton Bezerra das Chagas conhecido como Milton Pierre, então primo legitimo do governador Etelvino Lins, para encabeçar a luta pela Emancipação Política de Carnaíba, obtendo sucesso em 30 de dezembro de 1953, quando Carnaíba é desmembrada do município de Flores.
Ficou viúvo em 1963 e a partir daí estabeleceu uma rotina para desabafar seu sentimento de nostalgia, diariamente, às 18:00 horas, tocava incansavelmente belas valsas, certamente preenchendo a saudade da sua companheira, momento de sensibilidade para carnaíba que o ouvia e partilhava daquele momento dolente, de lágrimas, com respeito e admiração.
Foi um grande colaborador e prestativo quando chamado em benefício das festas carnaibanas. Sentimental, era tomado de emoção quando tocava ou ensaiava alguma música que lhe trazia saudosas recordações, chegando até a chorar de emoção.
Foi um mestre rigoroso e exigente da perfeição quando se tratava de ensinar música, mas Deus entendeu que sua missão estava cumprida e, como o salvador do mundo, numa sexta feira da paixão em 20 de Abril de 1973, foi chamado para o céu.
Assim, seu ciclo de vida se cumpriu quando vivia 60 anos de juventude, porque quem executa ou aprecia a boa música nunca envelhece, e jamais será esquecido, será sempre lembrado como um eterno jovem. Colaboração: Margarida Pereira (Carnaíba, Cultura e Evidência).