Na reta final, militantes centram esforços para virar votos de indecisos

ELEIÇÕES 2022

Aliados de Bolsonaro e de Lula têm hoje e amanhã para conquistar os eleitores que estão indecisos ou que votaram em outros candidatos à Presidência no primeiro turno. O foco dos coordenadores, até as 22h de sábado, será o corpo a corpo

 (crédito: Mariana Lins )
(crédito: Mariana Lins )

Daqui a dois dias, os 2,2 milhões de eleitores do Distrito Federal voltam às zonas eleitorais para eleger o novo presidente da República. Na capital do país, são 6.748 urnas eletrônicas, distribuídas em 610 locais de votação. No primeiro turno, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF) computou 1,8 milhão de votos dos brasilienses para o cargo de chefe do Executivo. Candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL) ficou na frente do seu adversário, Lula (PT), por uma diferença de 260.863 votos — enquanto o atual presidente foi escolhido por 910.397 eleitores, o petista teve a preferência de 649.534 brasilienses.

A deputada federal reeleita Bia Kicis (PL), que está à frente da campanha de Bolsonaro no DF, considera que o resultado por aqui — nesta segunda parte da campanha — foi bastante positivo para virar votos de indecisos e de pessoas que votaram em outros candidatos. “Estivemos com o povo, em suas casas, nas feiras, nas ruas, na Rodoviária do Plano Piloto, batendo papo e comparando os planos de governo dos candidatos e as pautas que eles apoiam, mostrando que o eleitor não precisa gostar do Bolsonaro para votar nele”, ressalta.

Segundo a parlamentar, a intenção é continuar atuando dessa forma, olho no olho, até o último minuto permitido da campanha. “É assim que esperamos virar os votos nulos, brancos e indecisos, e temos percebido essa virada durante os atos de campanhas e em conversas com as pessoas”, afirma. “Elas, às vezes, recebem muitas desinformações sobre as propostas do Bolsonaro e, desavisadamente, acabam acreditando. O nosso trabalho tem sido mostrar que ele pretende continuar com as políticas que tem feito, melhorando a empregabilidade e diminuindo a violência, por exemplo”, detalha.

Confiança

Mesmo ficando atrás no primeiro turno, a expectativa da campanha de Lula no DF para domingo é positiva, segundo o deputado distrital Leandro Grass (PV), um dos responsáveis pela coordenação. “Nesses últimos dias, vamos intensificar ainda mais as agendas de rua com a militância também”, ressalta. “Os apoios dos outros candidatos também são muito importantes, porque mostram uma união em torno do projeto de Lula”, reforça Grass.

O parlamentar destaca que, até amanhã, são esperados dois grandes atos em favor do candidato petista. “Estaremos em vias públicas conversando com quem ainda está indeciso, mas também em eventos com a população. Nesta sexta (hoje), por exemplo, acontece a Caminhada da Esperança, em Planaltina. No sábado, terá a chamada Carreata da Vitória, passando por Ceilândia, Samambaia e Taguatinga”, comenta. Para o distrital, o resultado de Lula aqui no DF será bem maior neste segundo turno. “Estou muito confiante de que os votos do presidente Lula vão aumentar, porque unimos todas as forças progressistas e aqueles que acreditam na democracia e sabem que o melhor para o país, neste momento, é o presidente Lula”, conclui.

Um dos votos que as campanhas de Bolsonaro e Lula precisam conquistar aqui no DF é o da auxiliar administrativa Débora Silva, 29 anos. A moradora do Novo Gama afirma que ainda não definiu em qual dos candidatos deve votar no próximo domingo. “Estou indecisa porque, na verdade, está uma bagunça. Não tem nenhuma proposta, é só um atacando o outro”, observa. “As pessoas não estão votando por pensar no Brasil, estão pensando só nos candidatos deles em atacar um ao outro. Acho que é besteira ficar brigando por essas coisas”, considera.

Quem também ainda não escolheu em quem votar é a costureira Rita de Cássio Andrade, 49. E a culpa, segundo ela, nem é dos candidatos. “Desde que me entendo por gente, nunca vi uma campanha com tanta violência como a que estou vendo agora. É morte, briga, desavença entre famílias, tudo por conta da política”, lamenta. “E a gente não quer isso. Queremos um Brasil de paz e melhor. Nunca presenciei o que estou vendo agora, uma grande surpresa isso”, ressalta.

Vendendo blusas, bandeiras e camisetas dos candidatos, Jean Carlos, 45, afirma que consegue um bom lucro durante a campanha eleitoral. “No mês, chego a lucrar cerca de R$ 5 mil a R$ 6 mil e, se não sair tudo depois das eleições, devolvo para o fornecedor ou então tento vender mais barato”, revela. O morador da Candangolândia, que trabalha na construção civil fora do período eleitoral, comenta que será difícil conseguir vender algo que faça menção a candidato, depois que acabarem as eleições.

Sem assédio

O Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (Distrito Federal e Tocantins), determinou, no início da semana, que empresas e empresários do ramo do comércio não pratiquem assédio eleitoral, sob pena de multa de R$ 10 mil por empregado. A ordem, de acordo com a decisão, se aplica a negócios em todo o território nacional, independentemente de endereço e porte.

Na liminar, o juiz Antônio Umberto de Souza Júnior ainda estabelece que as empresas estão obrigadas a permitir que entidades sindicais acessem os locais de trabalho, para esclarecimentos a respeito do direito ao voto livre e que os empregadores devem se abster de praticar “quaisquer atos atentatórios à liberdade de voto de seus empregados e empregadas”.

Efetivo total

Um Protocolo de Ações Integradas (POI) foi elaborado pela da Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF) e pelas forças de segurança da capital, para o segundo turno das eleições. O documento foi criado após reuniões e levantamentos de inteligência, segurança, mobilidade urbana, preservação do patrimônio público e, principalmente, a atuação no primeiro turno das eleições.

O planejamento da secretaria prevê reforço do policiamento nos pontos de votação, nas escolas, nos locais de apuração de votos, na segurança de juízes eleitorais e na prevenção e monitoramento de crimes eleitorais. Haverá, ainda, reforço das equipes de atendimentos de emergência, de delegacias e batalhões, escolta de promotores públicos e juízes eleitorais e policiamento de trânsito em vias e rodovias.

Todo o efetivo disponível das forças de segurança (11.575 agentes) estará atuando, ou de sobreaviso, no dia da votação, segundo a SSP-DF. Até o término de todo processo de votação, as escolas ficarão sob monitoramento da Polícia Militar (PMDF), assim como nas 20 juntas de apuração.

Correio Brasiliense

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