VIOLÊNCIA

Por Raphael Guerra
Um dia antes do Clássico, Delegacia de Repressão à Intolerância Esportiva produziu documento com imagens e informações para esquema de segurança
As cenas de selvageria registradas no sábado (1º), horas antes do Clássico entre Santa Cruz e Sport, no Recife, não pegaram as forças de segurança de surpresa. Um dia antes, um relatório produzido pela Delegacia de Repressão à Intolerância Esportiva alertou a Secretaria de Defesa Social (SDS) sobre confrontos combinados pelas redes sociais pelas duas torcidas organizadas.
Procurada, a SDS declarou que os fatos que ocorreram “fugiram do padrão esperado”. (Leia nota mais abaixo)
A coluna Segurança, do Jornal do Commercio, teve acesso à íntegra do documento e apresenta detalhes – incluindo o mapeamento dos pontos considerados mais críticos pela Polícia Civil e as imagens reproduzidas em redes sociais com a “convocação” para os atos de violência no sábado.
O relatório detalhou que as torcidas Explosão Coral (antiga Inferno Coral) e Jovem do Leão (antiga Jovem do Sport) estavam usando as redes para “disseminar o ódio e a rivalidade entre os envolvidos”. E que o monitoramento, também com ajuda de informantes, apontou que as organizadas estavam marcando “pistas”, ou seja, brigas de rua entre os integrantes das torcidas rivais.

O relatório detalhou que veículos de apoio – carros e motos – seriam usados pelos criminosos para guardar materiais como barrotes e artefatos explosivos.
PONTOS CRÍTICOS DE CONFRONTOS ENTRE AS ORGANIZADAS
A polícia, em relatório, indicou os seguintes pontos críticos de possíveis confrontos entre as organizadas:
Município de Camaragibe e as seguintes localidades no Recife: Caxangá, Dois Irmãos, Cordeiro, Detran, Afogados e adjacências e Avenida Norte;
Olinda e Paulista (PE-15 e PE-22);
Jaboatão dos Guararapes: Prazeres e Jaboatão Velho, na saída da BR-232.
Terminais integrados também foram mapeados:
TI Abreu e Lima;
TI PE-15;
TI Pelópidas Silveira;
TI Camaragibe;
TI Macaxeira;
TI Prazeres

REUNIÃO NA QUINTA-FEIRA JÁ DISCUTIA “CLIMA DE GUERRA”
Dois dias antes do Clássico, uma reunião foi realizada na sede da Diretoria de Planejamento Operacional da Polícia Militar de Pernambuco. Foram discutidas medidas em relação ao jogo entre Sport e Santa Cruz, no Arruda, e também Náutico e Retrô, na Arena de Pernambuco.
Na mesa estavam presentes diretores e representantes de vários batalhões da Polícia Militar, além do delegado Paulo Moraes (da Delegacia de Repressão à Intolerância Esportiva) e membros da Federação Pernambucana de Futebol, Santa Cruz, CTTU, Emlurb, entre outros.
Durante as discussões, um representante da inteligência da Polícia Militar pontuou que a torcida do Santa Cruz estava divulgando um open bar e um paredão a partir do meio-dia, no dia do Clássico, perto do Arruda.
Destacou ainda que efetivo policial precisava ter cautela na escolta do Sport ao Arruda. Na fala dele, classificou havia um “clima de guerra” e que alguns pontos precisam de atenção: “TI do Centro do Recife, Cajueiro Seco, Terminal Pelópidas Silveira, Estação Jaboatão e Velho e Avenida Norte”.
Na mesma reunião, um representante do Santa Cruz, identificado em ata oficial, apenas como “Guilherme”, sugeriu que nos próximos jogos clássicos houvesse apenas torcida única – como forma de evitar confrontos e mais gastos ao clube.
O QUE DIZ A SDS SOBRE OS ALERTAS?
Em nota oficial, a SDS afirmou que “o planejamento de segurança desses eventos ocorre com antecedência” e que “são considerados um conjunto de variáveis além das informações e documentações fornecidas pelas organizadas”.
“Dentro do planejamento padrão são considerados fatores como trânsito, vias de acesso ao estádio, horários e rotas das torcidas, além da identificação de pontos estratégicos com risco de emboscadas ou confrontos. O planejamento conta com o suporte da Inteligência, monitoramento aéreo e atuação integrada das forças de segurança, para garantir a proteção dos torcedores, da população e do patrimônio público e privado”, afirmou o texto.