AVALIAÇÃO
Para alcançar uma boa pontuação na prova mais temida do exame, é imprescindível total domínio da língua portuguesa, além de capacidade de argumentação e compreensão da proposta e interpretação das informações.

A pouco mais de um mês para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2022, candidatos que estão se preparando para as provas precisam dominar conteúdos de todas as áreas do conhecimento — linguagens, matemática, ciências da natureza e ciências humanas — além, claro, da redação, que, para muitos, costuma ser a parte mais difícil do exame. Geralmente composta por um tema que aborda problemas da sociedade brasileira, a redação exige do candidato argumentação coerente e lógica, que apresente uma proposta de intervenção.
A redação tem um peso considerável na nota final do Enem, que considera cinco competências específicas na avaliação do candidato, como respeito aos direitos humanos na elaboração da proposta de intervenção ao problema abordado, organização e interpretação das informações, capacidade de argumentação, compreensão da proposta da redação e domínio da língua portuguesa.
Na última edição, somente 22 estudantes de todo o país alcançaram a nota máxima na redação, nenhum de Brasília. Para fugir das famosas adivinhações do tema, cinco desses candidatos dão dicas preciosas sobre como se preparar para a avaliação.
Oriunda da rede pública de ensino, a aluna do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE) Fernanda Karolinne Quaresma Nunes, 21 anos, foi uma das candidatas que conseguiu a nota máxima do exame na edição de 2021. A pernambucana havia sido aprovada para biomedicina em 20019, mas, durante a pandemia, decidiu trocar de curso para tentar medicina. Por dividir o tempo entre a faculdade e os estudos para a prova, ela não seguia uma rotina de estudo certa e não conseguiu a aprovação, apesar da nota 1.000 em redação. “Tinha semana que não conseguia fazer redação, que eu não rendia nem na faculdade nem no cursinho”, conta.
Dicas
» Unir a parte técnica da estrutura do texto dissertativo argumentativo ao conhecimento dos repertórios socioculturais;
» Produzir não menos do que uma redação por semana até o dia da prova. Analise a devolutiva da redação, os pontos negativos e os positivos, para saber o que é possível melhorar;
» Evitar estruturas prontas de texto. “A pessoa fica dependendo demais do tema. No máximo, o que eu faço é padronizar algumas coisas no texto, como alguns conectivos, algumas ideias de propostas de intervenção, mas nunca um texto engessado”;
» Divida os eixos mais macros e siga afunilando. Por exemplo, saúde, questões urbanas, sociais, meio ambiente. “Nos grandes eixos, vou colocando teoria de pensadores, livros, séries, músicas, coisam que se relacionem a esse tema. Estudando dessa forma é mais fácil.”
Atualmente cursando medicina na Universidade Federal de Goiás (UFG), Luiza de Souza Mamede, 18, também alcançou nota 1.000 na redação do Enem 2021. A estudante admite que tinha dificuldade com redação e, para ela, a nota máxima foi motivo de muita felicidade. “Foi muito gratificante ver todo o meu esforço ser recompensado, pois eu tinha um bloqueio, não sabia por onde começar a escrever e administrar o tempo. Batalhei muito para melhorar”, afirma. Luiza lembra que escrevia uma redação por semana na escola e, com a correção da professora, que seguia os critérios do Enem, passou a analisar e melhorou seu texto. “Tinha um caderninho onde anotava repertórios de várias áreas diferentes, de matérias da escola, filmes, músicas e livros que eu conhecia”, explica.
Dicas
» Reserve um tempo para conhecer a prova e as competências do exame;
» Conheça os critérios de correção para saber aquilo que te espera;
» Corrija o que é preciso melhorar;
» Construa um repertório que seja seu. Em vez de tentar decorar frases de filósofos, monte um com aquilo que está no seu dia a dia. É mais fácil argumentar em cima daquilo que você conhece e tem contato.
Diogo Albuquerque/CB