Fome no Brasil cai, mas ainda atinge 8,4 milhões de pessoas

FOME

Apesar da redução, Brasil continua no "Mapa da Fome", aponta relatório
Apesar da redução, Brasil continua no “Mapa da Fome”, aponta relatório – Foto/Divulgação

O levantamento indicou que mais de 10 milhões de brasileiros estavam em estado de desnutrição em todo o país, entre 2021 e 2023

Cerca de 8,4 milhões de brasileiros foram atingidos pela fome entre 2021 e 2023, aponta o Relatório das Nações Unidas sobre o Estado da Insegurança Alimentar Mundial divulgado na última quarta-feira (24/7). O mesmo estudo destaca que, no mesmo período, 39,7 milhões de pessoas viveram em insegurança alimentar, sendo mais de 14 milhões em estado severo.

O levantamento indicou que 10,1 milhões de pessoas estavam em estado de desnutrição, ou seja, com dieta abaixo de níveis mínimos de consumo de energia. A falta de acesso adequado à alimentação afetava de forma moderada ou grave 70,3 milhões de brasileiros entre os anos de 2020 e 2022.

“Os dados das Nações Unidas indicam que estamos no caminho certo. Em apenas um ano de governo, reduzimos a insegurança alimentar severa em 85%. Tiramos 14,7 milhões de brasileiros e brasileiras dessa condição”, destacou o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias.

Apesar da redução, o Brasil continua no “Mapa da Fome”. O documento inclui países com índice de insegurança alimentar superior a 2,5%. A ONU classifica como insegurança alimentar os casos de pessoas que não têm acesso ao consumo da quantidade adequada de alimentos diariamente para obter os níveis de energia necessários ao organismo.

Quando a situação é mantida regularmente e resulta em prejuízos graves à saúde física e mental, sobretudo na primeira infância, no desenvolvimento e na formação cognitiva, se tem a fome concreta.

Situação mundial

Os dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) indicaram, ainda, que 733 milhões de pessoas estavam em situação de fome em 2023 em todo o mundo – queda de 2 milhões de pessoas, em relação ao que foi apontado na edição 2022. As projeções do relatório são de que 582 milhões de pessoas ainda estejam cronicamente desnutridas em 2030. *Por JC.

Pernambuco está entre lideres de insegurança alimentar do Brasil, Aponta IBGE

FOME

Prato sem comida faz parte da rotina de brasileiros (Tânia Rego/Agência Brasil)
Prato sem comida faz parte da rotina de brasileiros  Foto/Tânia Rego/Agência Brasil

Pernambuco tem 37,5% dos domicílios com algum grau desse problema, conforme dados divulgados nesta quinta (25)

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, nesta quinta-feira (25), dados sobre Segurança Alimentar e Insegurança Alimentar no País. Entre os locais com maior nível de Insegurança Alimentar, figuram todos os Estados do Norte e do Nordeste. Nesse quesito, Pernambuco aparece na sétima posição no ranking nacional.

Os dados estão do documento da PNAD Contínua, feito em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. Segundo o IBGE, no final de 2023, a PNAD Contínua estimou um total de 3.596 milhões de domicílios particulares permanentes em Pernambuco.

Desse total, 62,5% estavam em situação de Segurança Alimentar, enquanto 37,5% dos domicílios particulares restantes estavam com algum grau de insegurança alimentar.

Detalhes

Em 2023, aponta o IBGE, a proporção de domicílios em “insegurança alimentar leve” foi de 23,5%. Já 7,45% dos domicílios particulares estavam com problema “moderado” moderada e 6,5%, em situação “grave”.

Insegurança Alimentar Grave

Entre os Estados do Nordeste, Pernambuco tem 6,5% dos domicílios com níveis de “Insegurança Alimentar Grave” (IAG), deixando o Estado em segundo lugar, perdendo apenas para o Maranhão, que tem 8,1 % dos domicílios com a IAG. No Norte país o Pará apresenta 9,5%, Amazonas 9,1%, Amapá 8,4%

Os três Estados da região Sul (Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul) são os que apresentam menores índices de insegurança alimentar, com mais de 80% da população em situação de segurança alimentar.

Sobre insegurança alimentar

O IBGE considera domicílio em situação de insegurança alimentar aquele em que seus moradores, nos últimos três meses, passaram por ao menos uma das seguintes situações:

  • tiveram a preocupação de que os alimentos acabassem antes de poderem comprar ou receber mais comida;
  • faltaram alimentos antes que tivessem dinheiro para comprar mais comida;
  • ficaram sem dinheiro para terem uma alimentação saudável e variada;
  • comeram apenas alguns poucos tipos de alimentos que ainda tinham por que o dinheiro acabou.

Níveis

A insegurança alimentar pode ser classificada como leve, moderada ou grave, de acordo com a restrição na qualidade e na quantidade de alimentos consumidos pelos moradores.

No Brasil

No quarto trimestre de 2023, dos 78,3 milhões de domicílios particulares permanentes no Brasil, 72,4% (56,7 milhões) estavam em situação de segurança alimentar. Ou seja,  tinham acesso permanente à alimentação adequada.

Essa proporção cresceu 9,1 pontos percentuais (p.p.) frente à última pesquisa do IBGE a investigar o tema, a POF 2017-2018, que havia encontrado 63,3% dos domicílios do país em situação de segurança alimentar. No entanto, 21,6 milhões de domicílios (27,6%) eram afetados por algum grau de insegurança alimentar.

A forma mais grave englobava cerca de 3,2 milhões de domicílios (4,1%). Os dados são do módulo Segurança Alimentar da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgado hoje, 25, pelo IBGE. A pesquisa teve como referencial metodológico a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA), que permite a identificação e classificação dos domicílios de acordo com o nível de segurança alimentar de seus moradores.

Esta é a primeira vez que a PNAD Contínua disponibiliza resultados segundo os critérios da EBIA, mas quatro divulgações anteriores do IBGE já abordaram o tema segurança alimentar segundo essa escala: os Suplementos sobre Segurança Alimentar e Nutricional (SAN), que fizeram parte da PNAD em 2004, 2009 e 2013, além da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018. *Por Diario de Pernambuco.