Datafolha: Inflação leva 58% dos brasileiros a reduzir gastos com alimentação

INFLAÇÃO

 (Foto: Marina Torres/DP Foto)
(Foto: Marina Torres/DP Foto)

O levantamento aponta ainda que, por causa da alta dos preços, 25% dos entrevistados diz ter menos alimentos que o necessário em casa

Com o impacto da alta da inflação, 58% dos brasileiros passaram a comprar menos alimentos do que antes, de acordo com pesquisa do Datafolha, divulgada no último domingo (13). Entre os mais pobres, esse percentual sobe para 67%. O economista e planejador financeiro, Danilo Miranda, aponta que o aumento da inadimplência é um dos principais riscos diante das medidas adotadas pelos consumidores para adequar o orçamento familiar à compra desses produtos.

Ainda de acordo com a pesquisa do Datafolha, um em cada quatro brasileiros (25%) afirmou ter menos alimentos que o necessário em casa. Já para 6 em cada 10, a quantidade é suficiente, apenas 13% dizem ser mais do que o necessário.

Com isso, para o economista, os consumidores passaram não apenas a procurar marcas mais baratas, mas também fazer uma substituição entre núcleos. “O café veio subindo o preço e as pessoas começaram a procurar marcas mais baratas. Mas já começa a ficar numa situação em que as famílias reclamam de não ter o suficiente”, destaca, com isso as pessoas começam a fazer essa troca do consumo em outros aspectos da rotina.

Segundo o levantamento do Datafolha, além das mudanças de hábitos de consumo, as pessoas passaram a adotar outras medidas para economizar. A mais comum, segundo a pesquisa, foi diminuir o consumo de água, luz e gás. Segundo o levantamento, metade dos brasileiros diz ter seguido esse caminho.

Além disso, ainda conforme a pesquisa, buscar outra fonte de renda foi a saída para 47%. Pouco mais de um terço (36%) diz ter reduzido a compra de remédios, 32% afirma que deixou de pagar dívidas e 26%, que deixou de pagar contas de casa.

Segundo Danilo Miranda, os dados são preocupantes. “Quando você começa a ver esse tipo de pressão sobre os preços de alimentos, e as pessoas começam a deixar de pagar as suas dívidas, isso preocupa, porque o risco é de aumento na inadimplência”, afirma.

Mudança de hábitos

Ainda segundo o levantamento, 8 em cada 10 brasileiros adotaram alguma mudança de hábito em resposta à inflação, como sair menos para comer fora de casa (61%), trocar a marca de café por uma mais barata (50%) e reduzir o consumo da bebida (49%).

Para o levantamento, o Datafolha ouviu 3.054 pessoas de 16 anos ou mais em 172 municípios entre os dias 1º e 3 de abril. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Alta da inflação

O economista explica que o levantamento reflete a alta da inflação nos últimos meses. “Desde o início do ano, a inflação já ultrapassou o teto da meta. Ela estava em 5,06% no fim de fevereiro e agora em março subiu para 5,48%, nos últimos 12 meses. Isso traz para as famílias, especialmente as famílias de baixa renda, uma pressão muito forte sobre os salários. Ainda mais quando o núcleo que mais vem pesando esse ano é o grupo de alimentos e bebidas”, detalha. Ele destaca ainda que em março desde ano, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,56%, e o grupo de alimentação de bebidas teve alta de 1,17%, puxando a inflação para cima.

A alta da inflação no grupo de alimentos foi puxada principalmente pelas  altas do tomate (22,55%), do ovo de galinha (13,13%) e do café moído (8,14%). Em 12 meses, a inflação desses itens foi de 0,13%, 19,52% e 77,78%, respectivamente.

O economista explica que, no caso do café, o preço do produto vêm sendo impactados pela safra do Vietnã, que teve a sua produção afetada por fatores climáticos. Em relação ao ovo de galinha, o economista relaciona como um dos fatores, a alta da procura pelo alimento como proteína para a carne, que tem um efeito também de pressão inflacionária. “Também tem uma janela de aumento por conta da Quaresma, que vai até agora o final de semana agora e traz uma pressão adicional causada pelas pessoas que deixam de comer carne nesse período e comem mais ovos”, aponta.

Incertezas e guerra comercial 

E o economista explica ainda que, como a tendência é de aumento da pressão inflacionária causada pela guerra comercial impulsionada pelo governo dos Estados Unidos, as alternativas buscadas, inclusive pelo Governo Federal, de retirar imposto de importação sobre alguns produtos alimentícios resolve apenas como um paliativo.

“Essa guerra de tarifas causa um efeito com uma pressão inflacionária nos Estados Unidos e no mundo todo. Há um efeito inflacionário de curto/médio prazo chegando aí, porque isso vai ser em parte repassado do produtor para o preço da commodity. No Brasil, houve uma medida recente do governo de tirar imposto de importação sobre alguns produtos de alimentos, para a gente frear essa subida forte, mas isso também tem efeito de curto prazo”, afirma. Ainda segundo ele, no caso da expectativa em relação a melhora da produção das safras, a previsão ainda é incerta, mas a intenção é que elas se equilibrem no curto e médio prazo.

Por: Thatiany Lucena/DP

Inflação acelera em capitais brasileiras em julho, com destaque para Brasília e Recife

INFLAÇÃO

Foto: Tania Rego/ Agencia Brasil
Foto: Tania Rego/ Agencia Brasil

O Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) da quarta quadrissemana de julho de 2024 apresentou um aumento de 0,54%, acumulando uma alta de 4,12% nos últimos 12 meses, conforme dados da FGV IBRE. Entre as capitais analisadas, Brasília registrou o maior avanço, com um aumento de 1,65%, seguida por Recife, que teve uma variação de 1,54%, e Belo Horizonte, com 0,63%. Por outro lado, Salvador e Porto Alegre apresentaram as menores variações, com 0,09% e 0,43%, respectivamente.

De acordo com o economista Leandro Martins, os resultados refletem diferentes dinâmicas regionais.

“A inflação vem realmente sendo pressionada, tanto que na última reunião do Copom foram unânimes em manter a Selic no atual patamar e algumas correntes já começam a pensar que seria mais fácil voltar a subir os juros do que dar continuidade ao ciclo de queda. Das sete capitais, seis tiveram alta, destaque para Brasília com alta mais intensa e o que compôs esse número mais alto, na minha opinião, veio pela gasolina, também pelo vestuário. Os alimentos deram uma trégua boa. Agora as expectativas futuras são ruins, visto que a gasolina, com esses aumentos recentes, com o próprio petróleo pressionado com a alta do dólar”.

Para os próximos meses, Leandro Martins espera uma pressão no ritmo de alta da inflação.

“Então, a minha expectativa para esses próximos meses do segundo semestre do ano é uma continuidade nessa pressão inflacionária aqui no Brasil.”, conclui o economista.

A evolução dos índices nos próximos meses será crucial para determinar a trajetória da política monetária, especialmente com as incertezas em relação ao impacto dos preços. *Fonte: Brasil61

BC adota ‘tom flexível’ e se prepara para fim de cortes na Selic

ECONIMIA

Selic
Novo corte já era esperado pelo mercado (Crédito: Marcello Casal Jr./ Agência Brasil)

Mercado ainda projeta uma taxa de juros terminal entre 9,5% e 9,75%, mas cada vez mais condicionada ao comportamento dos preços da economia.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central encerrou no início da noite desta quarta-feira, 20, mais uma reunião em que manteve a sequência de cortes da Selic em 0,50% pelo sexto mês seguido. A taxa básica de juros agora é de 10,75% ao ano.

Em seu comunicado, o BC encurtou sua indicação sobre cortes futuros ao afirmar que sua diretoria antevê cortes na mesma intensidade apenas na próxima reunião e não mais nas próximas reuniões, como vinha sinalizando.

“Em função da elevação da incerteza e da consequente necessidade de maior flexibilidade na condução da política monetária, os membros do Comitê, unanimemente, optaram por comunicar que anteveem, em se confirmando o cenário esperado, redução de mesma magnitude na próxima reunião”, informou o Comitê de Política Monetária (Copom) em comunicado.

De acordo com o comunicado, o comitê avalia que essa é a condução apropriada para manter a política monetária contracionista necessária para o processo desinflacionário.

O corte de 0,50 ponto veio dentro do esperado pelo mercado. Nem mesmo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro fechando em 0,83%, acima das previsões, foi o suficiente para que o BC diminuísse o ritmo dos cortes, que vem acontecendo desde agosto do ano passado.

Mesmo com o novo corte, o Brasil se mantém na 2ª colocação no ranking mundial de juros reais, abaixo somente do México, segundo levantamento da Infinity Asset Management com os 40 países mais relevantes do mercado de renda fixa mundial. *Fonte: ISTOE.

Inflação acelera para todas as faixas de renda em fevereiro, aponta Ipea

INFLAÇÃO

Supermercado
Foto/Valter Campanato/Agência Brasil

Famílias de renda média alta foram as que mais sentiram a inflação

A inflação no mês de fevereiro acelerou para todas as faixas de renda. As famílias de renda média alta foram as que mais sentiram a alta nos preços, que afetou as mensalidades escolares e o preço dos combustíveis.

Os dados estão no Indicador Ipea de Inflação do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.

De janeiro para fevereiro, a inflação no segmento de rnédia alta subiu 0,88% – a maior alta no período. Já a menor inflação para o período, de 0,78%, foi registrada na classe de renda muito baixa, impactada pelo aumento dos alimentos no domicílio e das tarifas de ônibus urbano e de integração.

No acumulado em 12 meses até fevereiro, enquanto as famílias de renda muito baixa tiveram a menor taxa de inflação (3,56%), a faixa de renda alta registrou a taxa mais elevada (5,44%).

Em fevereiro, pelo terceiro mês consecutivo, o principal impacto para as classes com rendas mais baixas veio do grupo alimentos e bebidas, refletindo a alta nos preços de alimentos no domicílio, especialmente em itens importantes da cesta de consumo, como arroz (3,7%), feijão (5,1%), batata (6,8%), cenoura (9,1%), ovos (2,4%) e leite (3,5%). Em menor intensidade, o grupo transporte também impactou a inflação dos segmentos de menor renda, repercutindo os reajustes das passagens de ônibus urbano (1,9%) e do transporte público por integração (9,4%).

Já para as classes de renda média, média alta e alta, o foco de pressão inflacionária em fevereiro, veio do grupo educação, influenciado pelo aumento de 6,1% das mensalidades escolares. No caso dos transportes, embora os reajustes da gasolina (2,9%) e do etanol (4,5%) também tenham contribuído positivamente para a inflação das famílias dos estratos mais elevados de renda, em fevereiro, a queda de 10,7% das passagens aéreas gerou um forte alívio sobre a inflação nesta faixa. *Por Agência Brasil.

Esforço fiscal do governo ajuda na queda de juros, diz Campos Neto

INFLAÇÃO

Segundo presidente do BC, inflação do Brasil está convergindo para as metas de 2023 e 2024

O presidente do BC (Banco Central), Roberto Campos Neto, durante audiência pública na comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados
O presidente do BC (Banco Central), Roberto Campos Neto, durante audiência pública na comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados – Foto/Divulgação

O presidente do BC (Banco Central), Roberto Campos Neto, disse que o esforço fiscal do governo tem ajudado a autoridade monetária a reduzir a taxa básica de juros, a Selic. Ele afirmou que o mercado financeiro tem ceticismo quanto à capacidade do governo em cumprir as metas de resultado primário: 0% do PIB em 2024, 0,5% do PIB em 2025 e 1% do PIB em 2026.

Segundo ele, o governo fez um “esforço muito grande” e “válido” nas contas públicas na saída da pandemia. “Hoje, o tema é menos se vai atingir a meta ou não e mais sobre a responsabilidade do arcabouço que foi criado”, declarou.

Ele participou nesta 3ª feira (21.nov.2023) de evento organizado pela Arko Advice. Eis a íntegra da apresentação (PDF – 4 MB).

Campos Neto disse que o Brasil tem um orçamento mais engessado que outros países e gastos historicamente mais altos. “Mesmo com o arcabouço, nosso gasto é ainda mais alto que a média do mundo emergente. Obviamente, isso não é um grande problema. O Brasil crescendo, recupera isso. Mas é importante entender que isso está no foco dos analistas”, defendeu.

Segundo Campos Neto, a inflação do Brasil está convergindo para as metas de 2023 e 2024, que são de 3,25% e 3%, respectivamente. Ambos os objetivos inflacionários têm 1,5 ponto percentual de intervalo de tolerância.

Os núcleos inflacionários de serviços têm comportamento bom e os preços administrados apresentam volatilidade associada ao preço de petróleo. O presidente do BC avalia que a cotação do barril tem se comportado relativamente bem no mercado internacional, mas que é difícil haver uma queda “muito maior”. Ele defende que o mundo vive um processo de desinflação, mas que o processo ainda traz “riscos”.

Campos Neto declarou que o consumo no Brasil tem surpreendido positivamente. Disse que a alta da Selic não impactou fortemente a economia.

“Se a gente pegar o quanto que a inflação caiu, comparar com o quanto que PIB mudou em relação à projeção [anterior] e o quando o desemprego e o crédito mudaram, o Brasil foi o país que fez um dos pousos mais suaves do mundo emergente”, declarou.

Campos Neto defendeu ainda que a taxa de desemprego está perto das mínimas de 2013 e 2014, mas com um aumento menor do salário real dos trabalhadores. “Tem sido menos inflacionário”, declarou.

*Fonte: Poder360

Pesquisa: Mercado reduz projeções de inflação e crescimento para 2023, mostra Focus

INFLAÇÃO

Pesquisa semanal com uma centena de economistas mostrou ainda que segue a perspectiva de que a taxa Selic termine 2023 a 11,75% e 2024 a 9,25%

Sede do Banco Central, em Brasília
Sede do Banco Central, em Brasília – Foto/Adriano Machado

Especialistas consultados pelo Banco Central (BC) ajustaram para baixo suas expectativas de inflação e reduziram a perspectiva de crescimento para este ano na pesquisa Focus, divulgada nesta segunda-feira.

O levantamento, que capta a percepção do mercado para indicadores econômicos, apontou que a expectativa para a alta do IPCA em 2023 caiu a 4,55%, de 4,59% na semana anterior. Para 2024 o ajuste foi de 0,01 ponto percentual para baixo, a 3,91%, enquanto para os dois anos seguintes a conta permaneceu em 3,50%.

O centro da meta oficial para a inflação em 2023 é de 3,25% e para 2024, 2025 e 2026 é de 3,00%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

Os ajustes acontecem em meio a uma redução nas contas dos especialistas na pesquisa semanal para a alta dos preços administrados. A projeção para esse grupo agora é de inflação de 9,18% este ano e a 4,43% no próximo, contra 9,38% e 4,46% na semana anterior.

Para o Produto Interno Bruto (PIB), a estimativa de crescimento este ano caiu em 0,04 ponto, a 2,85%, enquanto que para o próximo segue em 1,50% pela nona semana consecutiva.

Na sexta-feira, o BC divulgou que seu Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) recuou 0,06% em setembro na comparação com o mês anterior, apontando contração de 0,64% da atividade econômica no terceiro trimestre sobre os três meses anteriores.

A pesquisa semanal com uma centena de economistas mostrou ainda que segue a perspectiva de que a taxa básica de juros Selic termine 2023 a 11,75% e 2024 a 9,25%.

*Fonte CNN

Inflação desacelera e fica em 0,24% em outubro, abaixo do esperado

ECONOMIA

No acumulado de 12 meses, até outubro, a inflação oficial do país foi de 4,82%. No ano, a inflação acumulada é de 3,75%, segundo o IBGE

Imagem colorida mostra mulher pesando banana no caixa de mercado - Metrópoles
Foto/Divulgação

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, ficou em 0,24% em outubro deste ano, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira (10/11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Após uma série de altas nos meses anteriores, o resultado de outubro mostra que a inflação desacelerou em relação a setembro, quando foi de 0,26%.

Neste segundo semestre, houve queda de preços em junho, quando o IPCA teve deflação de 0,08%. Deflação é a queda generalizada de preços de produtos e serviços, de forma contínua.

Em julho, o índice foi de 0,12%. Em agosto, de 0,23%.

No acumulado de 12 meses, até outubro, a inflação oficial do país foi de 4,82%. No ano, a inflação acumulada é de 3,75%.

O resultado veio em linha com as estimativas dos analistas. O consenso Refinitiv, que reúne as principais projeções do mercado, previa inflação mensal de 0,29% e, no acumulado de 12 meses, um índice de 4,87%. Divulgado há duas semanas, o IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial, ficou em 0,21% em outubro.

Segundo o Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação para este ano é 3,25%. Como há intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, a meta será cumprida se ficar entre 1,75% e 4,75%.

De acordo com a última edição do Relatório Focus, do Banco Central (BC), o mercado projeta que a inflação termine 2023 em 4,63%, abaixo do teto da meta definida pelo CMN.

*Fonte: Metrópoles

Cai projeção da inflação brasileira

ECONOMIA

A menor inflação é acompanhada por queda da projeção do PIB

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

O mercado financeiro reduziu as projeções da inflação brasileira pela terceira semana consecutiva. A inflação oficial brasileira é mensurada pelo Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA) e está cotada a 4,63% para 2023.

O Produto Interno Bruto (PIB) também registrou redução da sua projeção, para 2,89% no ano de 2023.

Já as projeções do câmbio e da taxa básica de juros da economia (Selic) mantiveram-se estáveis desde a última semana.

O dólar segue cotado a R$ 5,00, enquanto a Selic está cotada a 11,75%, para 2023. Esta é a décima segunda semana que a Selic se mantém neste mesmo patamar.

Para 2024, a projeção da taxa básica de juros da economia é de 9,25%.

Outros indicadores divulgados nesta edição do Boletim Focus indicam estabilidade da projeção da dívida líquida do setor público brasileiro, queda de investimento direto no país e dos preços administrados. *As informações são do Banco Central do Brasil.

Inflação sobe 0,26% em setembro, puxada novamente por aumento na gasolina

IPCA 

Entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, seis registraram variação positiva; o grupo de transportes teve o maior impacto. Por outro lado, alimentação registrou deflação pelo quarto mês consecutivo

Resultado foi impulsionado pela alta de 2,80% da gasolina, subitem com a maior contribuição individual – (crédito: Ed Alves/CB/DA.Press)

A inflação do mês de setembro foi de 0,26%, ficando 0,03 ponto percentual acima do registrado em agosto. Segundo os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) divulgado nesta quarta-feira (11/10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o resultado foi impulsionado pela alta de 2,80% da gasolina, subitem com a maior contribuição individual. Com isso, a inflação acumulada foi de 5,19% na janela de 12 meses e de 3,5%, no acumulado do ano.

Entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados, seis registraram variação positiva. O grupo de transportes teve o maior impacto positivo, com destaque para o subitem passagens aéreas, segunda maior variação mensal (13,47%) e segundo maior impacto no total do IPCA.

  • Prévia da inflação sobe 0,35% em setembro, influenciada pela gasolina
  • Inflação tem se mostrado mais resiliente que o esperado, diz Galípolo
  • Dia das Crianças: Inflação cede e brinquedos sobem menos em 2023

O item combustíveis, onde o subitem gasolina está inserido, teve alta de 2,70%, com aumento nos preços do óleo diesel (10,11%) e do gás veicular (0,66%) e queda no etanol (-0,62%).

Outro impacto importante entre as altas foi do grupo de habitação, com crescimento de 0,47% nos preços de setembro em relação a agosto. A maior contribuição do grupo foi da energia elétrica residencial, que teve alta de 0,99%.

Alimentação

Pelo lado das quedas, o índice de setembro sofreu influência do grupo de alimentação e bebidas, que registrou deflação de 0,71%. “É o grupo de maior peso no IPCA e teve deflação pelo quarto mês consecutivo, mantendo trajetória de queda no preço dos alimentos, principalmente para consumo no domicílio”, destacou André Almeida, gerente da pesquisa.

* As informações são do Correio Brasiliense.

Mercado eleva projeção para inflação pela 1ª vez desde maio

INFLAÇÃO

Brasília (DF) 27/04/2023 Ministros da Fazenda, Fernando Haddad, e do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet; e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, durante sessão de debates temáticos para discutir juros, inflação e crescimento.
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (Lula Marques/Agência Brasil)

Analistas consultados pelo Boletim Focus estimam IPCA a 4,90%; elevação da previsão ocorre após a alta de gasolina e diesel nas refinarias

Analistas do mercado financeiro revisaram para cima a projeção da inflação para cima. De acordo com o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira, 21, pelo Banco Central, a expectativa é que o IPCA encerre o ano em 4,90%, acima dos 4,84% da semana passada.

A elevação acontece após a Petrobras anunciar reajustes nos preços de gasolina e diesel, que estavam defasados em mais de 20% desde a mudança na política de preçoa da companhia.

Essa é a primeira vez desde maio em que o mercado financeiro revisa para cima a projeção na inflação. De 15 de maio para cá, a projeção foi da casa dos 6% para abaixo de 5%, porém ainda segue acima do limite da meta, de 4,75% para este ano. Para 2024, a estimativa foi mantida em 3,88%.

Além do IPCA, o mercado financeiro também elevou a projeção do câmbio, de 4,93 reais para 4,95 reais por dólar. A moeda americana tem grande influência na inflação, já que as commodities, como o petróleo, são cotadas em dólar.

Apesar da projeção ligeiramente maior de inflação e dólar, o mercado financeiro manteve a aposta no ciclo de corte da taxa de juros, a Selic. Assim como nas duas últimas semanas, os analistas veem a Selic a 11,75% ao final deste ano — apontando para mais três cortes de meio ponto — e para 9% no ano que vem.

A estimativa para o PIB foi mantida em 2,29% para este ano. Para 2024, a projeção subiu de 1,30% para 1,33%.Com informações da VEJA.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Preço do ovo dispara mais de 20% em 12 meses, maior alta em uma década

INFLAÇÃO

Imagem de uma mão retirando um ovo da embalagem com vários outros ovos
Foto/Divulgação

Segundo os dados do IBGE, o preço do ovo de galinha teve um aumento de 23% em apenas um ano, sete vezes maior do que a inflação no período.

O preço do ovo de galinha, um alimento muito comum no cardápio dos brasileiros, registrou a maior alta em uma década no Brasil, de acordo com levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Nos últimos 12 meses, o preço do ovo subiu mais de 20% – um aumento sete vezes maior do que a inflação oficial do país no período, de 3,16% (até junho de 2023).

Segundo os dados do IBGE, o preço do ovo de galinha teve um aumento de 23% em apenas um ano. As carnes e o frango, por sua vez, ficaram mais baratos, com quedas de preço de 6,7% e 3,9%, respectivamente.

Deflação em junho

Em junho, segundo o IBGE, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, registrou deflação de 0,08%. Em linhas gerais, chama-se de deflação a queda média de preços de produtos e serviços, que ocorre de forma contínua. Trata-se de uma “inflação negativa” – ou seja, abaixo de zero.

Foi a menor variação para o mês de junho desde 2017, quando o índice teve deflação de 0,23%. E a primeira deflação em nove meses, desde setembro do ano passado, no auge do período eleitoral (-0,29%).

Alimentos

O resultado do IPCA no mês passado foi impulsionado pela queda nos grupos de alimentação e bebidas (-0,66%) e transportes (-0,41%), além de artigos de residência (-0,42%). Com informações do portal (Metrópoles).

 

Mercado aumenta projeção para PIB e mantém inflação em 2023

INFLAÇÃO

vista do prédio do banco central e ruas no entorno - Metrópoles
Vista do prédio do Banco Central – Foto/Breno Esaki/Metrópoles

Os analistas do mercado financeiro consultados pelo Banco Central (BC) mantiveram a estimativa de inflação para 2023 e aumentaram as projeções para o PIB, segundo nova edição do boletim Focus, divulgada nesta segunda-feira (17/7).

Pela mediana das projeções, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, deve terminar este ano em 4,95%. Anteriormente, o boletim chegou a trazer oito reduções consecutivas na projeção.

Os economistas ouvidos pelo BC mantiveram as estimativas de inflação para 2024 (em 3,92%) e reduziram as projeções para 2025 (de 3,60% para 3,55%).

As projeções, se cumpridas, deixam a inflação brasileira mais perto da meta para este ano. A meta de inflação para 2023 é de 3,25%, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), com participação do governo e do Banco Central. Como há um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, a meta será cumprida se ficar entre 1,75% e 4,75%.

Projeções avançam para PIB

O Focus desta segunda-feira também trouxe aumento nas projeções para o PIB deste ano, de 2,19% para 2,24%.

Para 2024, a previsão de crescimento da economia brasileira. Fonte (Metrópoles).

IPCA-15: prévia da inflação desacelera forte e fica em 0,04% em junho

INFLAÇÃO

Fotografia colorida de cesta de vegetais vendidos na feira do Guará
Foto/Rafaela Felicciano/Metrópoles

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial do país, ficou em 0,04% em junho, de acordo com dados divulgados nesta terça-feira (27/6) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado representa forte desaceleração em relação ao mês passado, quando o índice foi de 0,51%.

O IPCA-15, no entanto, veio um pouco acima das estimativas do mercado financeiro. O consenso Refinitiv, que reúne as principais projeções, estimava uma deflação de 0,01% em junho.

No acumulado de 12 meses até junho, o IPCA-15 ficou em 3,4%, desacelerando em relação aos 4,07% registrados até maio. A projeção do consenso Refinitiv era a de que o índice ficasse em 3,36%.

IPCA-15

O IPCA-15 mede a variação dos preços entre a última quinzena do mês anterior e o a primeira do mês atual. O IPCA-15 é considerado uma prévia do IPCA oficial, que é divulgado no mês seguinte e diz respeito ao mês completo.

O índice é calculado pelo IBGE com base em uma cesta de produtos e serviços. Por meio de pesquisas e outras informações sobre o que um brasileiro em certa faixa salarial consome, o IBGE usa o índice inflacionário para estimar a variação no custo de vida médio das famílias. *As informações são do portal (Metropoles).

 

Produtos chineses vão ficar mais caros? Entenda como governo quer tributar compras do exterior

INFLAÇÃO

Logo da Shopee nos escritórios da empresa em Cingapura (Edgar Su/Reuters)
Logo da Shopee nos escritórios da empresa em Cingapura (Edgar Su/Reuters)

Isenção de imposto, que pode chegar a 60%, para compra até US$ 50, cerca de R$ 250, vai acabar. Empresas como Shopee, Shein e AliExpress estão no alvo.

O governo federal vai acabar com a regra que isenta de impostos as remessas internacionais com valor inferior a US$ 50 (cerca de R$ 250). O benefício é exclusivo para pessoas físicas. A medida será tomada para combater o que considera sonegação de impostos de plataformas digitais, como Shopee e AliExpress, entre outras, que vendem produtos importados no Brasil e ganharam espaço no país.

Críticos, como varejistas e industriais nacionais, se referem a estes negócios como “camelódromos digitais”. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, classificou esse e-commerce como “contrabando” e estima arrecadar até R$ 8 bilhões por ano com a tributação.

Auditores da Receita Federal suspeitam que mercadorias entrem no país por meio do comércio eletrônico sem pagar impostos porque os vendedores estariam fornecendo informações falsas para sonegar tributos.

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Pelas regras de hoje, uma pessoa física no Brasil pode comprar algo de outra pessoa física no exterior sem pagar impostos se o valor for abaixo de US$ 50.

Tributação de 60%

A Receita Federal avalia, porém, que empresas de outros países estariam vendendo a brasileiros ilegalmente por esse sistema. Outra possível fraude seria declarar o bem por valor inferior, ficando dentro do limite de US$ 50.

Por isso, o governo prepara uma medida provisória para acabar com essa isenção.

Segundo o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, não há majoração de tributo. Hoje já existe a tributação de 60% sobre o valor da encomenda, mas que não tem sido efetiva, na sua visão. É essa alíquota que será aplicada.

— O que se está se propondo são ferramentas para viabilizar a efetiva fiscalização e exigência do tributo por meio de gestão de risco: obrigatoriedade de declarações completas e antecipadas da importação, com identificação completa do exportador e do importador, com multa em caso de subfaturamento ou dados incompletos/incorretos — disse.

Não haverá mais distinção de tratamento nas remessas por pessoas jurídica e físicas. Na visão do governo, hoje as remessas por pessoas físicas de bens com valores relevantes são inexpressivas.

— Com essas medidas, os consumidores serão beneficiados: com a declaração antecipada, a mercadoria poderá chegar no Brasil já liberada, podendo seguir diretamente para o consumidor. A Receita vai centrar a fiscalização nas remessas de maior risco, em que nossos sistemas de gestão de riscos, alimentados pelas declarações antecipadas, apontem risco maior de inconsistências. Com o tempo, o próprio consumidor vai preferir comprar de empresas confiáveis, que atendam estritamente a legislação brasileira.

Jorge Gonçalves Filho, presidente do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), defende a medida e diz que ela irá ajudar a indústria e o comércio brasileiro.

— Se o produto, de fato, não tem finalidade de ser enviado de pessoa física para uma pessoa física, mas de ser comercializado, ele tem que pagar um imposto que já existe. Fonte: Agência O Globo.

Entre os principais 40 países do mundo, Brasil tem a segunda maior taxa de juros

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Arte: Brasil 61

De acordo com levantamento da Infinity Asset Management, o Brasil tem a segunda maior taxa de juros entre os principais 40 países do mundo. Apenas a Argentina, vizinha sul-americana cuja inflação no ano passado foi de quase 100%, está à frente no ranking, com juros de 75% ao ano. Vizinhos como a Colômbia, com 12,75%, e Chile, com 11,25%, também estão entre os países com as maiores taxas de juros do mundo, mas, ainda sim, abaixo da brasileira.

Quando o parâmetro de comparação é a taxa de juros reais da economia, que é a diferença entre os juros nominais e a inflação, o Brasil é o primeiro país do ranking, com 7,38% de juros reais. Em seguida, vem México (5,53%), Chile (4,71%), Colômbia (3,04%) e Hong Kong (2,35%).

Qual o problema com a alta taxa de juros?

O administrador e economista Eduardo Fayet, especialista em gestão e desenvolvimento público e privado, explica como a taxa de juros impacta a atividade econômica do país, o que ajuda a explicar a campanha pela queda da Selic.

Fayet diz que quando o preço dos produtos e serviços começa a subir por causa do excesso de demanda da população e da incapacidade das empresas de atender a isso, a saída é desestimular o consumo. É por isso que em momentos de inflação alta o Banco Central sobe a taxa de juros, porque isso encarece o crédito para empresas e pessoas, o que contribui para que a demanda por bens e serviços diminua e os preços se estabilizem ou comecem a cair.

“Se o juro está muito alto, o preço final dos bens e serviços fica muito caro. Elas passam a reduzir o consumo para economizar, porque esse gasto não cabe dentro do orçamento das famílias e da receita geral das próprias empresas. Portanto, isso vai gerar um desaquecimento da economia”.

Fayet explica que os juros altos atrapalham o crescimento econômico, porque se torna mais vantajoso para as empresas emprestar dinheiro ao governo do que tomar crédito emprestado para ampliar a produção, comprar novas máquinas e equipamentos ou contratar mais funcionários.

“Se não tem investimento produtivo, a economia não cresce, porque investir em títulos da dívida não faz a economia crescer. O que gera emprego, o que gera renda, o que gera salário, o que gera, inclusive, lucros para o setor privado são investimentos na economia real. Em negócios, portanto”.

O economista defende a revisão da taxa de juros para baixo para que a economia se aqueça novamente, mas diz que isso não pode ser feito de qualquer jeito. “Não é uma conta simples. O Banco Central não pode fazer uma redução brusca dos juros, porque isso impacta na previsibilidade, é ruim para o mercado financeiro e, também, para as indústrias e investidores da economia real. Vários economistas têm feito uma conta que a taxa Selic poderia estar entre 8% e 9%, mesmo com a inflação que temos hoje”.

A economista Deborah Bizarria acredita que o Banco Central age corretamente ao esperar mais antes de começar um ciclo de redução da taxa de juros. Ela explica que fatores importantes para balizar a decisão em torno da Selic não estão claros, como o compromisso do governo com as contas públicas. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que pretende entregar uma nova regra fiscal para substituir o teto de gastos ainda em março.

“É saudável que o Banco Central esteja agindo com cautela. Uma definição de qual vai ser a política fiscal do governo Lula é fundamental como insumo para as decisões do Banco Central de manter a subida ou diminuir a taxa de juros. Afinal de contas, se a política fiscal for expansionista, ela adiciona demanda e pressiona a inflação e, também, os juros para cima”.

O deputado Evair de Melo (PP-ES) diz que, assim como o Brasil, outros países, como os Estados Unidos, têm o desafio de encontrar um patamar de juros que contenha o avanço inflacionário e, ao mesmo tempo, permita que a economia cresça. Para ele, a solução para o problema deve vir de forma técnica e não com pressão sobre o Bacen.

“O governo deveria se centrar e apresentar um plano da retomada do emprego, da retomada do crescimento econômico, para atrair novos investimento para o Brasil, principalmente com o capital externo. Isso naturalmente vai distensionar a pressão sobre a economia brasileira e vai trazer uma redução nos juros e quando eu tiver o crescimento da cadeia produtiva, também vou reduzir a inflação, porque eu tenho maior oferta”. Brasil61.

Mesmo com perspectiva de aumento das vendas, ovo de Páscoa a preço de picanha, alta do chocolate assusta consumidor

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Crédito: Eduardo Matysiak/Futura Press/Folhapress
Vendas da Páscoa no varejo devem crescer 33% em relação a 2022, mas seguirão abaixo dos patamares, com a alta dos preços, marcas apostam em lançamentos mais baratos – Foto/Divulgação

Um Kinder Ovo está custando R$ 90 por 150 gramas de chocolate (pouco mais que uma barra) hoje nas prateleiras dos supermercados. Nas redes sociais, multiplicam-se as piadas sobre os preços dos ovos de Páscoa, que ganharam até comparações com os valores cobrados pela peça de picanha – que também já não é dos mais amigáveis para o bolso do brasileiro. Ainda assim, a Páscoa deste ano pode ser um respiro para o varejo, depois de dois anos consecutivos em queda.

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) projeta que as vendas devem alcançar R$ 2,16 bilhões, uma recuperação de 33% em relação à Páscoa de 2022, mas ainda abaixo dos R$ 2,5 bilhões que a data movimentava em média nos anos anteriores à pandemia. Mas o salto no faturamento não é necessariamente sinal de luz no fim do túnel para a indústria, que foi abalada pela inflação, acumulada em média em mais de 15% sobre os insumos da produção do chocolate.

Ainda que o setor seja abastecido da matéria-prima nacional, o cacau, o açúcar e o leite não escaparam do aumento dos custos operacionais e com a distribuição no País. No caso dos ovos de Páscoa, o processo de produção, armazenagem e logística é ainda mais complexo e caro. Já as tradicionais barras e bombons – alternativas aos ovos de chocolate – tiveram um aumento médio de 10,7%. Isso porque, entre outros fatores, o açúcar e derivados acumulam alta de 19%. Mas a alta dos preços neste ano ainda não contabiliza os impactos da guerra na Ucrânia, que deve afetar a nova safra da cana-de-açúcar, uma das mais dependentes do fertilizante russo.

A combinação entre elevação dos custos e queda do poder de compra tem desmotivado a indústria do chocolate, que reduziu a produção de ovos de Páscoa de 10 mil toneladas em 2019 para 8,5 mil toneladas em 2020, e 9 mil toneladas no ano passado, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas.

A perspectiva em um cenário de crise e alta inflacionária afeta principalmente as compras das classes C e D, principal público nas redes de varejo. Algumas empresas aposta em produtos de chocolates das marcas próprias, cujas vendas vêm crescendo em média 20% ao ano. As marcas apostam nas plataformas digitais e em estratégias de delivery para se aproximar dos consumidores.

Hoje, o cenário é outro. Focada no público das classes A e B, cujo poder aquisitivo foi menos impactado, a Páscoa de 2022, teve crescimento de 20% em relação a 2019, e as vendas on-line representaram 40% do faturamento na data. As grande4s empresas disputam pelo mercado consumidor das classes B e C, apostou na ampliação do portfólio, com produtos a preços mais variados, principalmente na categoria de entrada.

 

“Carta do estouro tem formato padrão”, diz Roberto Campos Neto

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 (crédito: Reprodução/TV Cultura)
Presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, Foto/Reprodução/TV Cultura

O presidente do Banco Central falou que a comunicação do Copom segue um padrão particular e que focou no aspecto macroeconômico.

No programa Roda Viva desta segunda-feira (13/2), o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, falou sobre a “carta do estouro” enviada ao ministro da Economia Fernando Haddad (PT) no início de janeiro. No documento, o economista justificou o motivo pelo qual a inflação ficou acima da meta em 2022.

A carta não abordou a incerteza fiscal causada pelas medidas adotadas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante o período pré-eleições, como o aumento de transferência de renda e corte de impostos dos combustíveis. Por outro lado, o documento ressaltou o resultado positivo das receitas e despesas do governo, chamado superávit primário.
Campos Neto afirmou que a carta segue um formato padrão, e, por isso, não teria abordado esse ponto negativo do governo Bolsonaro. “O comunicado do Copom (Comitê de Política Monetária) tem uma linguagem toda particular, e uma das coisas que a gente faz é acompanhar a evolução fiscal do ano. E o ano terminado em 2022 teve um superávit primário de 1.3”, ressaltou.
O presidente da autoridade monetária disse que, olhando em retrospectiva, levando em consideração o mal-estar que gerou com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), poderia ter ajustado a linguagem da carta para abordar a incerteza fiscal que contribuiu para o aumento da inflação. “Mas eu acho que a mensagem ali era mais da parte macroeconômica, qual era a explicação que a gente precisava dar, em termos de inflação, o que contribuiu para a inflação de curto prazo”, explicou.

Como o fiscal contribuiu muito mais para a expectativa de longo prazo, a gente focou muito mais na inflação corrente e descreveu diversos elementos da inflação corrente que surpreenderam para um lado ou para o outro, e o que a gente achava que era a dinâmica disso”, argumentou.

Campos Neto ainda assegurou que a comunicação do Copom não é política e que o mal-entendido com o governo Lula foi resolvido. “Nada é uma mensagem política. É meramente uma linguagem técnica”, concluiu. Do (Correio Brasiliense).

Inflação corrói poder de compra das famílias e atinge países ricos e pobres

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Levantamento mostra que 43% das nações do planeta registraram carestia acima de dois dígitos em 12 meses até outubro

Após afetar pobres, inflação alta corrói poder de compra da classe média - BizNews Brasil :: Notícias de Fusões e Aquisições de empresas - Portal Varada

O mundo todo tem sofrido com pressões inflacionárias persistentes, que corroem o poder de compra das famílias de forma generalizada nos países ricos e pobres. Levantamento da publicação Visual Capitalist feito com base nos dados do site Trading Economics mostra que 43% dos países registraram inflação acima de dois dígitos no acumulado em 12 meses até outubro. Em alguns casos, o índice do custo de vida chega a três dígitos, como o Zimbábue, que lidera a lista com a maior inflação do mundo, de 263% ao ano. Líbano e Venezuela aparecem em seguida, completando o pódio do ranking global, com inflação de 162% e 156%, respectivamente.

A guerra entre Rússia e Ucrânia e as sanções econômicas impostas pelas principais economias do mundo aos russos ligaram o alerta para mais uma crise mundial. O impacto mais imediato do conflito foi nos preços das commodities. Petróleo e alguns alimentos, como trigo, milho e proteínas, iniciaram um movimento de forte alta após o início da ofensiva russa.

“Devemos lembrar que, junto com o início da guerra, houve medidas de retaliação que afetaram principalmente a principal mercadoria de exportação da Rússia, que são os hidrocarbonetos, por exemplo, o petróleo e o gás natural. Com a redução das exportações, houve, além disso tudo, um aumento expressivo da cotação do petróleo no mercado internacional, pressionando todos os os seus derivados e consequentemente o preço dos combustíveis, com o aumento do preço dos fretes e, além disso, o aumento da cotação do gás na Europa”, destaca o economista especialista em macroeconomia e doutorando em ciência política, Felipe Queiroz.

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Crise energética

A crise energética, problema que se agravou no início da pandemia da covid-19, exerceu um importante papel nesse cenário de inflação de dois dígitos no mundo e nos maiores patamares dos últimos 40 anos em muitos países desenvolvidos. Em comparação com a média de 2021, os preços do gás natural na Europa aumentaram seis vezes. Os preços reais da eletricidade doméstica no Velho Continente subiram 78% e o custo gás disparou 144%, em comparação com as médias dos últimos 20 anos.

No Brasil, o aumento mais perceptível na conta de luz vem do sistema de bandeiras tarifárias, que indica o quanto será cobrado a mais pela energia. Justificado pela escassez de água e o acionamento das termelétricas durante a pandemia, o acréscimo de 52% na bandeira vermelha patamar 2, anunciado em junho do ano passado pelo governo, representou encarecimento de 17% na conta de luz residencial dos brasileiros.

Queiroz ressalta que o aumento da energia elétrica causa uma reação em cadeia, expandindo as pressões inflacionárias na economia, elevando, por exemplo, o custo de produção de bens em geral.

Neste ano, o preço dos combustíveis, também devido à crise internacional, bateu recorde em meados de abril e pesou no bolso dos consumidores, com a gasolina chegando a custar R$ 8,59 o litro em alguns postos das cidades brasileiras. A servidora pública Eduarda Matos, 27 anos, precisou mudar sua rotina e voltar a andar de ônibus, devido ao custo exorbitante da gasolina. “Foi perceptível o aumento nas bombas, principalmente para os trabalhadores que fazem região do entorno. Eu, por exemplo, faço a rota de Luziânia para Brasília todos dias e pode parecer um aumento insignificante, mas na ponta do lápis, no fim do mês, esse valor acaba alterando a dinâmica e toda a minha programação para as contas de casa”, conta.

Vilões

No cenário doméstico, os alimentos são os maiores vilões do aumento do custo de vida e os preços acumulam altas de dois dígitos. Conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o grupo alimentação e bebidas acumularam alta de 11,84% nos últimos 12 meses encerrados em novembro — o dobro da variação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) no mesmo período, de 5,90%.

“Fazendo um apanhado do ano até o momento, o que mais pressionou a inflação brasileira foram os alimentos, que vão terminar o ano com o aumento real acima da inflação média. Contando que as famílias, principalmente as de baixa renda, gastam praticamente tudo que ganham com a compra de alimentos, eu diria que uma alimentação subindo acima do índice médio faz com que famílias de baixa renda percebam ainda mais a inflação, porque diferente de outras categorias, todo mundo consome alimentos e precisa comer”, afirma o coordenador dos Índices de Preços do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), André Braz.

Apesar da desaceleração do IPCA, que acumulava alta de 6,47% nos 12 meses até outubro, em grande parte devido à redução dos impostos nos combustíveis e na energia, ele alerta para o fato de a alta de preços ainda estar muito espalhada na economia. “A inflação está bem espalhada e o índice de difusão, que mede o percentual de produtos e serviços que tiveram aumento em novembro, ficou em 59%, um patamar alto.”

A empregada doméstica Adriana Oliveira, 42 anos, mudou os hábitos nas compras do supermercado e reconhece que está cada vez mais difícil manter a geladeira cheia. “É surreal o preço que estão as coisas. Lá em casa eu já praticamente parei de consumir carne vermelha, porque é mais caro, só compro frango, que é mais em conta. Também não tem mais como levar os agrados que meu filho gosta, porque hoje em dia você pega o mínimo e a compra não dá menos que R$ 300 reais”, reclama.

Outro vilão da inflação brasileira são os itens de vestuário, que acumularam a alta de 18,65% nos 12 meses até novembro. O segmento, de acordo com o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, vem operando com certas particularidades desde de agosto de 2020, primeiro ano da pandemia. “Naquele momento, as pressões derivadas dos aumentos de custo começaram a bater nas relações comerciais com varejo e as pressões inflacionárias vinham trazendo muito estresse para todas as indústrias, principalmente aquelas que dependiam do algodão. Esse cenário manteve-se durante todo o primeiro semestre de 2022”, afirma.

Alta nos juros

Bancos centrais do mundo vem intensificando o ritmo do aperto monetário com aumento de taxas de juros na tentativa de conter a inflação que acelerou globalmente desde a pandemia da covid-19. No Brasil, o Banco Central interrompeu o ciclo de alta dos juros iniciado em março de 2021 devido à desaceleração da inflação ao longo do ano, mas a variação do IPCA acumulada em 12 meses continua acima da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 3,5%, e do teto de tolerância de 5% para 2022.

E, apesar de o Brasil não estar no topo do ranking da inflação mais elevada do quadro acima, o país lidera em outro ranking nada animador, que é o de juros reais (descontada a inflação) mais altos do mundo. Conforme dados da Infinity Asset Managment, o país, com taxa de 8,16% ao ano.

Analistas reconhecem que, mesmo a desaceleração da alta de preços, as autoridades não podem negligenciar no controle das pressões inflacionárias. Não à toa, o Banco Central deixou a janela aberta para nova alta da taxa básica da economia (Selic), atualmente em 13,75% ao ano, se houver piora nas perspectivas para o IPCA e no quadro fiscal. E, no cenário internacional, analistas reconhecem que grande parte do mundo ainda deve enfrentar inflação acima de dois dígitos por um tempo mais prolongado. “A questão até quando vai o aumento inflacionário é complexa. Envolve muitas incertezas relacionadas tanto ao processo de continuidade ou não da guerra e a política macroeconômica adotada pelos bancos centrais, que tem gerado um efeito muito perverso sobre o mercado global”, alerta Felipe Queiroz.

CORREIO BRASILIENSE