O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou “quatro a cinco semanas” de guerra com o Irã foram projetadas pelas forças americanas, mas o conflito pode ir além disso.
“Já estamos bem à frente das nossas projeções de tempo, mas seja qual for o tempo, está tudo bem, custe o que custar, nós sempre faremos… e temos feito isso desde o início, projetamos de 4 a 5 semanas, mas temos capacidade para ir muito além disso”, afirmou em coletiva nesta segunda-feira (2).
Mais cedo, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, Ali Larijani, disse que o país se preparou para um guerra longa.
“O Irã, ao contrário dos Estados Unidos, se preparou para uma guerra longa”, escreveu Larijani na rede social X, no terceiro dia do conflito deflagrado com o ataque dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
De acordo com Larijani, o Irã se “defenderá ferozmente” e protegerá sua “civilização de seis mil anos” de antiguidade a qualquer custo. “Faremos com que nossos inimigos lamentem seu erro de cálculo”, publicou.
“Como nos últimos 300 anos, o Irã não iniciou esta guerra, e nossas valentes Forças Armadas não participaram de ataques, exceto em legítima defesa”, finalizou Larijani.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante cerimônia para anúncio da Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes do SUS e assinatura de contrato de empréstimo com o Banco do BRICS (NDB) para a implantação do primeiro hospital inteligente do Brasil, em cerimônia no Palácio do Planalto. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Afirmações estão no jornal The New York Times deste domingo
@Agência Brasil
Em artigo publicado neste domingo (18) no jornal The New York Times, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os bombardeios dos Estados Unidos em território venezuelano e a “captura” do presidente do país, ocorridos no início de janeiro, representam “mais um capítulo lamentável da contínua erosão do direito internacional e da ordem multilateral estabelecida após a Segunda Guerra Mundial”.
No texto, Lula critica o que classifica como ataques recorrentes de grandes potências à autoridade da Organização das Nações Unidas (ONU) e de seu Conselho de Segurança. Segundo o presidente, “quando o uso da força para resolver disputas deixa de ser exceção e passa a ser regra, a paz, a segurança e a estabilidade globais ficam ameaçadas”.
Lula afirma ainda que a aplicação seletiva das normas internacionais compromete o sistema global.
“Se as normas são seguidas apenas de forma seletiva, instala-se a anomia, que enfraquece não apenas os Estados individualmente, mas o sistema internacional como um todo”, escreveu.
Para o presidente, “sem regras coletivamente acordadas, é impossível construir sociedades livres, inclusivas e democráticas”.
Democracia
No artigo, Lula reconhece que chefes de Estado ou de governo, “de qualquer país”, podem ser responsabilizados por ações que atentem contra a democracia e os direitos fundamentais.
No entanto, ressalta que “não é legítimo que outro Estado se arrogue o direito de fazer justiça”. Segundo ele, “ações unilaterais ameaçam a estabilidade em todo o mundo, desorganizam o comércio e os investimentos, aumentam o fluxo de refugiados e enfraquecem a capacidade dos Estados de enfrentar o crime organizado e outros desafios transnacionais”.
O presidente afirma ser “particularmente preocupante” que essas práticas estejam sendo aplicadas à América Latina e ao Caribe.
Segundo Lula, elas levam “violência e instabilidade a uma parte do mundo que busca a paz por meio da igualdade soberana das nações, da rejeição ao uso da força e da defesa da autodeterminação dos povos”.
Ele destaca que, “em mais de 200 anos de história independente, esta é a primeira vez que a América do Sul sofre um ataque militar direto dos Estados Unidos”.
Ao tratar da região, Lula afirma que a América Latina e o Caribe, com mais de 660 milhões de habitantes, “têm seus próprios interesses e sonhos a defender”. Em um mundo multipolar, “nenhum país deveria ter suas relações externas questionadas por buscar a universalidade”.
“Não seremos subservientes a empreendimentos hegemônicos” e defende que “construir uma região próspera, pacífica e plural é a única doutrina que nos serve”.
Agenda regional
Lula também defende, no artigo, a construção de uma agenda regional positiva, capaz de superar diferenças ideológicas.
“Queremos atrair investimentos em infraestrutura física e digital, promover empregos de qualidade, gerar renda e ampliar o comércio dentro da região e com países de fora dela”, afirma. Segundo o presidente, “a cooperação é fundamental para mobilizar os recursos de que tanto precisamos para combater a fome, a pobreza, o tráfico de drogas e as mudanças climáticas”.
Sobre a Venezuela, Lula afirma que “o futuro do país, assim como o de qualquer outro, deve permanecer nas mãos de seu povo”.
“Apenas um processo político inclusivo, liderado por venezuelanos, levará a um futuro democrático e sustentável”.
Cooperação
No texto, Lula diz ainda que o Brasil continuará trabalhando com o governo e o povo venezuelanos para “proteger os mais de 1.300 quilômetros de fronteira compartilhada” e aprofundar a cooperação bilateral.
Ao tratar da relação com os Estados Unidos, o presidente afirma que Brasil e EUA são “as duas democracias mais populosas do continente americano”. Segundo Lula, “unir esforços em torno de planos concretos de investimento, comércio e combate ao crime organizado é o caminho a seguir”.
“Somente juntos podemos superar os desafios que afligem um hemisfério que pertence a todos nós.”
Presidente norte-americano tem tido problemas por causa do caso de Jeffrey Epstein, bilionário que comandou um esquema de exploração sexual de garotas adolescentes com quem ele mantinha proximidade
Nas imagens, é possível ver o operário gritando que Trump é um “protetor de pedófilos” enquanto o político passa por uma passarela. Trump olha para baixo, diz: “vá se f…”, caminha mais um pouco e mostra o dedo do meio para o homem.
Recentemente, Trump tem tido problemas por causa do caso de Jeffrey Epstein, bilionário que comandou um esquema de exploração sexual de garotas adolescentes ao longo de anos. Trump foi próximo de Epstein durante boa parte dos anos 1990 e 2000, assim como muitos outros nomes famosos da política e da mídia americanas.
Após pressão de opositores democratas e da própria base republicana de Trump, além da aprovação no Congresso com apoio bipartidário, o Departamento de Justiça do governo americano começou em dezembro a divulgar os “Arquivos Epstein”, que revelariam quais pessoas se beneficiaram do esquema de tráfico humano e estupro do bilionário.
No entanto, boa parte dos documentos está com tarjas que escondem os nomes. Segundo o Departamento de Justiça, a ação é tomada para proteger as vítimas ou evitar divulgar segredos que poderiam afetar a segurança nacional americana.
Ainda assim, as tarjas geraram frustração em quem esperava a divulgação completa dos arquivos. Também há questionamentos sobre ainda faltarem muitos documentos a serem liberados para o público. Epstein morreu em 2019 numa prisão de segurança máxima, em caso considerado como suicídio pelas autoridades dos EUA.
Vítimas de Epstein acusaram o governo Trump de divulgação seletiva, censurando informações sensíveis a Trump e aliados.
Trump afirma que se afastou do bilionário enquanto ele ainda era vivo e nega ter se envolvido em ações ilegais. O presidente americano foi citado nominalmente em conversas de e-mail de Epstein.
Nicolás Maduro e Cilia Flores em Caracas – Foto: ReutersFoto: Reuters
Agência Brasil
País afirma que Estados Unidos violaram o direito internacional
O Ministério das Relações Exteriores da China pediu hoje (4) que os Estados Unidos libertem imediatamente o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, que foram capturados no sábado (3) em Caracas e estão sendo mantidos sob custódia em uma prisão federal no Brooklyn, em Nova York.
Para o governo chinês, que é um dos principais parceiros políticos e econômicos da Venezuela, a ação deflagrada pelos Estados Unidos “violou claramente” o direito internacional e as normas básicas das relações internacionais, além dos propósitos e princípios estabelecidos pela Carta da Organização das Nações Unidas (ONU).
No comunicado, a China pede que os Estados Unidos garantam a segurança pessoal de Maduro e de sua esposa e cessem com a tentativa de derrubar o governo venezuelano. Além disso, afirma o governo chinês, os Estados Unidos precisam garantir que esse problema seja resolvido “por meio do diálogo e da negociação”.
Esta foi a segunda manifestação oficial da China sobre o caso. Ontem (3), o Ministério das Relações Exteriores da China já havia condenado o uso da força pelos Estados Unidos contra Maduro, dizendo estar “profundamente chocado” com a ação deflagrada ontem.
“A China condena veementemente o uso flagrante da força por parte dos Estados Unidos contra um país soberano e sua ação contra o presidente de outro Estado”, afirmou a chancelaria.
Uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas deve acontecer nesta segunda-feira (5) para discutir a situação da Venezuela.
Mauro Vieira e Marco Rubio avançam em negociações sobre tarifas. Encontro ocorreu no Canadá, em reunião paralela ao G7. Foto: Divulgação
Encontro ocorreu no Canadá, em reunião paralela ao G7
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reuniu-se nesta quarta-feira (12) com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, em Niágara, no Canadá, à margem da reunião do G7, grupo dos países mais industrializados do mundo.
Segundo o Itamaraty, os dois conversaram sobre o andamento das negociações bilaterais envolvendo tarifas comerciais.
Mauro Vieira informou que o Brasil encaminhou, no último dia 4 de novembro, uma proposta de negociação aos Estados Unidos, após reunião virtual entre as equipes técnicas dos dois países.
O chanceler ressaltou a importância de avançar nas tratativas, conforme orientação dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, que falaram do tema durante encontro recente na Malásia.
Os ministros concordaram em marcar uma nova reunião presencial, em data próxima, para discutir o estágio atual das conversas e buscar entendimento sobre as medidas tarifárias.
Tarifaço
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu no dia 26 de outubro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Kuala Lumpur, na Malásia. O encontro durou cerca de 50 minutos e ocorreu durante a realização da 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).
Durante a reunião, Lula disse que não há razão para desavenças com os Estados Unidos e pediu a Trump a suspensão imediata do tarifaço contra as exportações brasileiras, enquanto os dois países estiverem em negociação.
Em julho deste ano, Trump anunciou um tarifaço de 50% sobre todos os produtos brasileiros que são exportados para os Estados Unidos. Em seguida, ministros do governo brasileiro e do Supremo Tribunal Federal (STF) também foram alvo da revogação de vistos de viagem e outras sanções pela administração norte-americana.
“O Brasil tem interesse de ter uma relação extraordinária com os Estados Unidos. Não há nenhuma razão para que haja qualquer desavença entre Brasil e Estados Unidos, porque nós temos certeza que, na hora em que dois presidentes sentam em uma mesa, cada um coloca seu ponto de vista, cada um coloca seus problemas, a tendência natural é encaminhar para um acordo”, afirmou o presidente.
Na semana passada, Lula disse voltaria a telefonar para o presidente dos Estados Unidos caso não houvesse avanços nas negociações comerciais entre os dois países até o encerramento da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que está sendo realizada em Belém (PA).
Bolsonaro e Trump – Foto: Alan Santos/PR – 7.mar.2020
O diplomata aposentado Thomas Shannon, que trabalha para o escritório de advocacia Arnold & Porter nos Estados Unidos, diz sem demonstrar ter evidências que presidente norte-americano reconheceu que não conseguirá interferir no processo judicial do brasileiro.
Thomas Shannon, diplomata aposentado dos Estados Unidos que foi embaixador no Brasil e atual lobista, disse que o presidente Donald Trump (Partido Republicano) reconheceu que não conseguirá interferir no processo judicial do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e que a tentativa de assegurar a participação do ex-chefe do Executivo brasileiro nas próximas eleições “fracassou”.
Shannon foi nomeado embaixador no Brasil em 2009, quando o presidente dos EUA era Barack Obama (Partido Democrata). Ligado ao partido, Shannon é crítico à direita e, no Brasil, aos Bolsonaros. Também ocupou o cargo de Subsecretário de Estado para o Hemisfério Ocidental, no governo de George W. Bush (Partido Republicano), e também o cargo de Subsecretário de Estado para Assuntos Políticos no governo Obama.
O lobista trabalha atualmente para o escritório de advocacia Arnold & Porter, contratado pela AGU (Advocacia Geral da União) para atuar nos Estados Unidos para tentar reverter as tarifas adicionais impostas pelo governo Trump a produtos brasileiros.
Em entrevista à BBC News Brasil, Shannon foi questionado se o assunto é “página virada” para o republicano e respondeu: “Sim. Por que ele vai fracassar de novo quando já fracassou uma vez? Trump é astuto nesse ponto. Ele sabe quando não pode avançar em uma frente e procura outra”.
Segundo o lobista, essa foi uma das razões para a recente aproximação de Trump com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A trégua na relação começou em setembro na Assembleia Geral da ONU, quando eles se encontraram, se cumprimentaram e Trump disse ter gostado de Lula. O norte-americano disse que houve uma “química excelente” entre os 2.
Em 6 de outubro, os 2 presidentes conversaram por telefone por cerca de 30 minutos. Na época, o Palácio do Planalto disse que o tom foi amistoso. O petista destacou que o Brasil é um dos países com quem os EUA mantém superavit comercial e solicitou a retirada da sobretaxa de 40% aplicada a produtos brasileiros importados e o fim de medidas restritivas contra autoridades brasileiras.
Durante as negociações, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, reuniu-se por cerca de 1 hora com o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, em 16 de outubro em Washington. Depois do encontro, o chanceler brasileiro declarou a jornalistas que a reunião havia sido “muito produtiva”.
Segundo Shannon, outra razão para a aproximação entre Trump e Lula foi que o republicano foi convencido de que as tarifas sobre produtos brasileiros prejudicariam empresas e consumidores norte-americanos.
Segundo o diplomata aposentado, Trump sentiu que estava mal-informado ou foi induzido ao erro ao impor sanções ao Brasil, e assumiu para si a responsabilidade de reverter o quadro.
“O que ele fez, ao estilo Trump, foi transformar um problema bilateral entre 2 países em um encontro pessoal positivo, e usou esse encontro para mudar o tom da conversa entre os 2 países”, afirmou Shannon. “No mundo da diplomacia, isso é um movimento muito inteligente”, declarou.
President Donald Trump e o Presidente Luís Inacio Lula da Silva – Foto: Ricardo Stuckert/PR
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu neste domingo (26) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Kuala Lumpur, na Malásia. O encontro durou cerca de 50 minutos e ocorreu durante a realização da 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).
Durante a reunião, Lula disse que não há razão para desavenças com os Estados Unidos e pediu a Trump a suspensão imediata do tarifaço contra as exportações brasileiras, enquanto os dois países estiverem em negociação. Em julho deste ano, Trump anunciou um tarifaço de 50% sobre todos os produtos brasileiros que são exportados para os Estados Unidos. Em seguida, ministros do governo brasileiro e do Supremo Tribunal Federal (STF) também foram alvo da revogação de vistos de viagem e outras sanções pela administração norte-americana.
“O Brasil tem interesse de ter uma relação extraordinária com os Estados Unidos. Não há nenhuma razão para que haja qualquer desavença entre Brasil e Estados Unidos, porque nós temos certeza que, na hora em que dois presidentes sentam em uma mesa, cada um coloca seu ponto de vista, cada um coloca seus problemas, a tendencia natural é encaminhar para um acordo”, afirmou o presidente.
Além dos presidentes, também participaram do encontro o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretario de Estado norte-americano, Marco Rubio.
Suspensão das tarifas
O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, falou com a imprensa após o encontro e disse Trump autorizou sua equipe a iniciar as negociações para revisão do tarifaço ainda na noite deste domingo, no horário local da Malásia, 11 horas a frente do Brasil.
“A reunião foi muito positiva, o saldo final é ótimo. O presidente Trump declarou que dará instruções a sua equipe para que comece um processo, um período de negociação bilateral, que deve se iniciar ainda nete domingo, porque é para tudo ser resolvido em pouco tempo”, afirmou o chanceler.
Admiração
Segundo Vieira, os presidentes tiveram uma conversa descontraída e Trump disse que admira a trajetória política de Lula.
“Trump declarou admirar o perfil da carreira política do presidente Lula, já tendo sido duas vezes presidente da República, tendo sido perseguido no Brasil, se recuperado, provado sua inocência, voltado a se apresentar e, vitoriosamente, conquistando o terceiro mandato”, afirmou.
Visitas
O chanceler brasileiro também confirmou a intenção de Trump vir ao Brasil. A data ainda não está confirmada.
“O presidente Lula aceitou também e disse que irá, com prazer, aos Estados Unidos. Trump disse que admira o Brasil e que gosta imensamente do povo brasileiro”, comentou.
Nas redes sociais, Lula comenta “ótima reunião” com Trump na Malásia
Pelas redes sociais, Lula disse que discutiu de “forma franca e construtiva” a agenda comercial entre os dois países e acertou que as diplomacias do Brasil e dos Estados Unidos vão avançar nas negociações para suspender o tarifaço contra as exportações e as sanções contra autoridades brasileiras.
“Tive uma ótima reunião com o presidente Trump na tarde deste domingo, na Malásia. Discutimos de forma franca e construtiva a agenda comercial e econômica bilateral. Acertamos que nossas equipes vão se reunir imediatamente para avançar na busca de soluções para as tarifas e as sanções contra as autoridades brasileiras”, disse Lula.
Chanceler diz que reunião com Marco Rubio foi “produtiva”
O Brasil e os Estados Unidos devem realizar uma nova reunião em novembro, dando continuidade à retomada do diálogo entre os dois países após meses de tensão diplomática, disse nesta quinta-feira (16) o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. A declaração foi feita após encontro com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, na Casa Branca, em Washington.
Segundo o chanceler, o encontro — que durou cerca de uma hora — ocorreu em clima de “excelente descontração e troca de ideias”, com foco principal nas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
“Foi muito produtivo, com muita disposição para trabalhar em conjunto e traçar uma agenda bilateral de comércio”, disse Vieira em entrevista a jornalistas.
A reunião teve duas etapas: uma conversa privada entre os dois ministros e, em seguida, a participação de diplomatas e representantes comerciais de ambos os governos. Vieira confirmou que as equipes técnicas devem começar a negociar “em breve” medidas para tentar reverter as tarifas de 50% aplicadas por Washington desde agosto.
Possível encontro
Vieira também afirmou que os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump devem se encontrar nos próximos meses, embora a data e o local ainda não estejam definidos.
“Está mantido o objetivo de que os líderes se reúnam proximamente. Há interesse de ambas as partes para que isso aconteça o quanto antes”, declarou o ministro.
Inicialmente, a expectativa era de que o encontro pudesse ocorrer durante a Cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (Asean), na Malásia, no fim de outubro. No entanto, segundo o chanceler, as agendas dos presidentes devem determinar o momento mais adequado para a reunião.
Contexto
As relações entre Brasil e Estados Unidos atravessam um período de instabilidade desde que o governo Trump decidiu impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros. A medida foi justificada pela Casa Branca como uma resposta a uma suposta “politização” do Judiciário brasileiro e à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
Além do tarifaço, Washington também aplicou sanções financeiras e consulares a autoridades brasileiras, incluindo o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. As ações foram vistas em Brasília como retaliação política.
O encontro entre Vieira e Rubio é o primeiro de alto nível desde que Trump reassumiu a Presidência dos Estados Unidos, em janeiro. A reunião sinaliza um esforço de reaproximação entre os dois países, iniciado após uma breve conversa entre Lula e Trump durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em setembro, em Nova York.
Próximos passos
De acordo com o Itamaraty, Mauro Vieira e Marco Rubio devem manter contato direto nas próximas semanas para definir a agenda de reuniões técnicas. A expectativa é que, até novembro, sejam traçadas as bases para uma negociação ampla sobre tarifas e cooperação comercial.
“O importante é que prevaleceu uma atitude construtiva, com aspectos práticos para a retomada das negociações entre os dois países”, destacou o chanceler. “Há boa química entre os governos, e o diálogo está aberto.”
Lula se reúne com papa Leão XIV, pela primeira vez, no Vaticano – Foto: Ricardo Stuckert / PR
Presidente convidou o papa para a COP30, em Belém
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu nesta segunda-feira (13), no Vaticano, com o papa Leão XIV. Em seu perfil na rede social X, Lula relatou ter conversado com o pontífice sobre “religião, fé, o Brasil e os imensos desafios que temos que enfrentar no mundo”.
“Parabenizei o santo padre pela Exortação Apostólica Dilexi Te e a sua mensagem de que não podemos separar a fé do amor pelos mais pobres. Disse a ele que precisamos criar um amplo movimento de indignação contra a desigualdade e considero o documento uma referência, que precisa ser lido e praticado por todos”, postou Lula.
Foto: Ricardo Stuckert/PR
O presidente disse ter relatado ao papa sua “relação de extrema proximidade” com religiosos brasileiros, citando especificamente dom Paulo Evaristo Arns, dom Hélder Câmara, dom Luciano Mendes de Almeida, Pedro Casaldáliga e o atual presidente da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Jaime Spengler.
Lula ainda conversou com Leão XIV sobre sua participação no encontro que acontece nesta segunda-feira, na Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em ingês). “E [sobre] como, em dois anos e meio, tiramos, pela segunda vez, o Brasil do Mapa da Fome”.
“Agora, estamos levando este debate para o mundo por meio da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza”, completou.
Círio de Nazaré
Ainda em seu tuíte, o presidente disse ter convidado o pontífice para participar da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), que acontece em novembro em Belém, “considerando a importância histórica de realizarmos uma Conferência do Clima pela primeira vez no coração da Amazônia”.
“Por conta do Jubileu, o papa nos disse que não poderá participar, mas garantiu representação do Vaticano em Belém”, detalhou.
Por fim, Lula citou uma visita do papa ao Brasil, ainda sem data definida. “Ficamos muito felizes em saber que sua santidade pretende visitar o Brasil no momento oportuno. Será muito bem recebido, com o carinho, o acolhimento e a fé do povo brasileiro”, escreveu.
“Lembrei que, ontem, tivemos uma demonstração imensa dessa fé no Círio de Nazaré e nas comemorações do Dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil”, completou.
Acompanharam Lula no encontro com Leão XIV a primeira-dama Janja da Silva, os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira, do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, e do Desenvolvimento Agrário e Agricultura
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante chegada a Roma. Aeroporto Internacional de Roma. Foto: Ricardo Stuckert/PR
Presidente brasileiro também irá encontrar Papa Leão XIV no Vaticano
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a Roma, na Itália, neste domingo (12), para participar da abertura do Fórum Mundial da Alimentação, promovido pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), que será realizado amanhã (13). A comitiva desembarcou por volta das 10h30 no horário local (5h30 em Brasília).
O convite para a participação no fórum partiu do diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, em julho, quando o presidente brasileiro foi informado de que o Brasil saiu do Mapa da Fome. O país está abaixo do patamar de 2,5% da população em risco de subnutrição ou de falta de acesso à alimentação suficiente.
“O Brasil saiu do Mapa da Fome outra vez. Nós conseguimos tirar 30 milhões de pessoas da fome em dois anos e meio de governo e vai ter um grande encontro em Roma, na FAO, e eu vou ter que falar como o orador principal desse encontro”, disse Lula, em entrevista recente.
O Fórum Mundial da Alimentação vai até o dia 18, período em que também serão comemorados os 80 anos de criação da FAO.
Também nesta segunda-feira, o presidente brasileiro será recebido pelo Papa Leão XIV, no Vaticano. A reunião entre Lula e o líder da Igreja Católica será a primeira desde que Leão XIV foi eleito papa, em maio deste ano.
Aliança contra a fome
Na viagem, Lula participa ainda da segunda reunião do Conselho de Campeões da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, que é composto por ministros, representantes de governos, agências da Organização das Nações Unidas (ONU), bancos multilaterais e organizações da sociedade civil.
Presidido em parceria entre Brasil e Espanha, o encontro ocorrerá em formato híbrido e vai avaliar o progresso da iniciativa desde a criação, em 2024. A edição de 2025 será marcada por uma série de atividades comemorativas e de reconhecimento de boas práticas em segurança alimentar e agricultura sustentável.
Entre os principais temas estão os avanços da Iniciativa de Implementação Acelerada (Fast Track), que apoia planos nacionais de combate à fome e à pobreza em países como Etiópia, Quênia, Haiti, Ruanda e Zâmbia, com mais de 80 manifestações de interesse por parte de parceiros financeiros e técnicos.
Os primeiros resultados devem ser apresentados durante a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Social da ONU, quando a aliança fará sua primeira reunião de alto nível. O evento ocorrerá em Doha, no Catar, em 3 de novembro.
A Aliança Global contra a Fome e a Pobreza foi lançada durante a presidência brasileira no G20 para apoiar e acelerar os esforços para erradicar a fome e reduzir as desigualdades. A inciativa já conta com quase 200 membros, sendo 102 países, além 53 fundações, 30 organizações internacionais e 14 instituições financeiras, que são as principais fontes de financiamento dos projetos e planos da aliança.
Lula também vai inaugurar o espaço onde funcionarão os mecanismos de apoio da aliança global, que funcionará como secretariado da iniciativa, com sede na FAO e escritórios em Brasília, Adis Abeba, Bangkok e Washington.
O retorno da comitiva presidencial para o Brasil está previsto ainda para esta segunda-feira.
Trump sobre encontro com Lula: “Nós nos demos um abraço. Concordamos em nos reunir na próxima semana. Eu gostei dele, ele gostou de mim. Eu só faço negócios com pessoas de quem eu gosto” – (crédito: Brendan SMIALOWSKI / AFP)
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou, nesta terça-feira (23/9), em discurso na Assembleia Geral da ONU, que as tarifas comerciais impostas pelos EUA ao Brasil já estão em vigor e são uma resposta direta a ações do governo brasileiro que, segundo ele, ameaçam direitos e liberdades civis. O republicano citou episódios de censura, a expansão do acesso a armas e o que chamou de corrupção judicial como justificativas para a medida.
Trump relatou ainda um encontro recente com o presidente brasileiro. Segundo ele, houve um clima amistoso: “Nós nos demos um abraço. Concordamos em nos reunir na próxima semana. Eu gostei dele, ele gostou de mim. Eu só faço negócios com pessoas de quem eu gosto”, disse.
Apesar do tom pessoal, o presidente endureceu a fala ao mencionar a defesa da soberania norte-americana e a forma como enxerga a posição do Brasil nas relações bilaterais. “Eu sempre defenderei a nossa soberania e os direitos dos cidadãos americanos. Sinto muito que o Brasil não esteja muito bem. Eles só poderão ficar bem se trabalharem conosco. Sem nós, vão falhar, assim como outros já falharam”, afirmou.
As tarifas anunciadas por Washington entraram em vigor em agosto. Os Estados Unidos elevaram em até 50% as alíquotas sobre uma ampla gama de produtos brasileiros, enquanto mantiveram isenções para mais de 700 itens.
No palco da ONU, Trump reforçou que tais medidas são parte de um esforço para proteger os cidadãos americanos e reafirmou que não pretende recuar enquanto, segundo ele, o Brasil mantiver práticas que afrontam princípios democráticos. O discurso amplia a tensão entre os dois países em um momento de forte desgaste diplomático.
O secretário de Estado, Marco Rubio, afirma que o governo Trump deve divulgar as sanções na próxima semana
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta 3ª feira (15.set.2025) que o país pretende anunciar na próxima semana sanções adicionais ao Brasil depois da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por tentativa de golpe de Estado.
Rubio voltou a criticar o julgamento que sentenciou Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão. O chefe da diplomacia norte-americana afirmou que os ministros da 1ª Turma do STF foram parciais, especialmente o relator da ação, Alexandre de Moraes. A declaração foi dada em entrevista à Fox News.
“Haverá uma resposta dos EUA a isso. Teremos alguns anúncios provavelmente na próxima semana sobre as medidas adicionais que pretendemos tomar. Mas o julgamento é apenas mais um capítulo de uma crescente campanha de opressão judicial que tem tentado atingir empresas americanas e até mesmo pessoas que operam fora dos Estados Unidos”, declarou Marco Rubio.
Na 5ª feira (11.set), quando a condenação e a pena de Bolsonaro foram anunciadas, o secretário de Estado já havia dito que os EUA responderiam à decisão. Na ocasião, chamou Moraes de “violador dos direitos humanos” e classificou o julgamento do ex-presidente como “injusto”.
Rubio disse à Fox News que “o Estado de direito [no Brasil] está se desintegrando” por causa de “juízes ativistas”. Ainda segundo o chefe do Departamento de Estado, Moraes “tentou realizar ações extraterritoriais contra cidadãos americanos ou contra alguém que publicasse on-line de dentro dos Estados Unidos”.
O governo Trump já acionou a Lei Magnitsky contra Moraes pelo “uso do cargo para autorizar detenções arbitrárias preventivas e suprimir a liberdade de expressão”. O dispositivo permite que os EUA punam estrangeiros com bloqueio de bens, cancelamento de vistos e suspensão de contas em bancos e cartões de crédito ligados ao país.
Além da sanção a Moraes, a Casa Branca também aplicou tarifas comerciais adicionais ao Brasil por considerar ilegal o julgamento de Bolsonaro. O país é atualmente um dos mais afetados pelo tarifaço promovido pelo presidente Donald Trump (republicano), com produtos taxados em até 50%.
Presidente eleito dos EUA, Donald Trump, ao lado do ex-presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, em 2021 •📸/ Alan Santos/ PR
Presidente dos Estados Unidos já havia chamado o caso contra Bolsonaro de “caça às bruxas” e criticado o Brasil
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta quinta-feira (11) que está surpreso com a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro no STF (Supremo Tribunal Federal) por plano de golpe de Estado.
“Eu assisti ao julgamento. Eu o conheço muito bem. Líder estrangeiro, ele era um bom… eu achava que ele era um bom presidente do Brasil. E é muito surpreendente que isso tenha acontecido. É muito parecido com o que tentaram fazer comigo, mas não conseguiram”, comentou Trump.
O líder dos EUA também disse estar “muito descontente” com a decisão do STF e elogiou Bolsonaro: “Eu sempre o achei muito direto, muito excepcional, na verdade, como homem, um homem muito excepcional. Eu acho que é uma coisa terrível. Muito terrível. Acho que é muito ruim para o Brasil”, afirmou.
O presidente americano já havia chamado o caso contra Bolsonaro de “caça às bruxas” e criticado duramente o Brasil, aplicando tarifas contra o país e sanções contra Alexandre de Moraes, relator do caso no STF.
Bolsonaro foi considerado culpado por cinco crimes: organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, criticou o que chamou de “perseguições políticas lideradas pelo sancionado por violações de direitos humanos Alexandre de Moraes”.
Ele destacou ainda que os Estados Unidos responderão adequadamente “a essa ‘caça às bruxas’”.
O parlamentar alertou que todos os ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) que votaram pela condenação do pai podem enfrentar sanções sob a Lei Magnitsky, que já foi aplicada anteriormente pelo governo Trump contra o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso.
Nota: em uma primeira versão, a agência de notícias Reuters informou que Donald Trump disse estar insatisfeito com a condenação de Jair Bolsonaro. O material foi alterado após revisão.
O ministro do STF Alexandre de Moraes. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Em post no X, órgão ligado ao Departamento de Estado dos EUA ameaça outras autoridades que apoiarem decisão de Moraes. Post foi feito na noite desta segunda-feira (4).
Na semana passada, os Estados Unidos anunciaram a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro do STF.
O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado dos Estados Unidos criticou, na noite desta segunda-feira 4, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes por decretar a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Na semana passada, o governo de Donald Trump anunciou a aplicação da Lei Magnitsky contra o magistrado.
Em uma publicação no X, o Escritório chamou Moraes de “violador de direitos humanos sancionado pelos EUA” e alegou que o ministro “continua a usar as instituições do Brasil para silenciar a oposição e ameaçar a democracia”. “Impor ainda mais restrições à capacidade de Jair Bolsonaro se defender em público não é um serviço público. Deixe Bolsonaro falar!”, prossegue a mensagem. “Os EUA condenam a ordem de Moraes que impõe prisão domiciliar a Bolsonaro e responsabilizarão todos aqueles que auxiliam e incentivam condutas sancionadas.”.
O post foi feito em duas versões: uma em inglês e outra em português. A Embaixada dos EUA no Brasil republicou o texto.
Imagem aérea do Jubileu dos Jovens, em Roma, neste domingo (3.ago.2025) 📸 Reprodução/YouTube Vatican News📸/Reprodução YouTube Vatican News
Pontífice celebrou missa para mais de 1 milhão de pessoas no último dia do Jubileu da Juventude, em Roma.
O papa Leão 14 celebrou neste domingo (3.ago.2025) uma missa com mais de 1 milhão de pessoas, marcando o maior público para o qual o pontífice já falou. A celebração foi realizada no último dia do Jubileu da Juventude, em Roma (Itália).
Durante a missa, Leão 14 declarou que a Igreja está com “os jovens de todas as terras ensanguentadas pela guerra” e prestou solidariedade às vítimas dos conflitos em Gaza e na Ucrânia.
“Estamos com os jovens de Gaza, com os jovens da Ucrânia, com os de todas as terras ensanguentadas pela guerra. Meus jovens irmãos e irmãs, vocês são o sinal de que um mundo diferente é possível: um mundo de fraternidade e amizade, onde os conflitos não são resolvidos com armas, mas com o diálogo”, disse o papa.
“Em comunhão com Cristo, nossa paz e esperança para o mundo, estamos mais próximos do que nunca dos jovens que sofrem o pior tipo de mal: aquele causado por outros seres humanos”, afirmou o pontífice.
Ao final da celebração, Leão 14 anunciou a data da próxima edição da Jornada Mundial da Juventude, que será realizada de 3 a 8 de agosto de 2027, em Seul (Coreia do Sul), com o tema “Tende coragem, Eu venci o mundo”.
“É a esperança que habita em nossos corações a dar-nos força para anunciar a vitória de Cristo Ressuscitado sobre o mal e a morte. Disso, vocês, jovens peregrinos de esperança, serão testemunhas até aos confins da terra. Encontramo-nos, então, em Seul: continuemos juntos a sonhar e a alimentar a esperança”, declarou o papa.
President Donald Trump 📸 Joyce Boghosian/Casa Branca
Tarifas passam a valer a partir de 6 de agosto, e não mais 6ª feira (1º.ago); suco de laranja e outros produtos ficam isentos.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano) assinou um decreto nesta 4ª feira (30.jul.2025) formalizando a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros que entram no país. Eis as íntegras do decreto e do comunicado em português e em inglês.
A taxação entra em vigor em 6 de agosto –7 dias depois da assinatura do decreto–, e não mais na 6ª feira (1º.ago). Foram excluídos do tarifaço 694 produtos. Suco de laranja, aeronaves civis e castanhas são exemplos,
SE INSCREVA-SE O comunicado diz que o objetivo é “lidar com políticas, práticas e ações recentes do governo brasileiro que constituem uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos”.
O texto também cita “perseguição, intimidação, assédio, censura e processo politicamente motivado” contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo o presidente norte-americano, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes –sancionado com a Lei Magnitsky nesta 4ª feira– “abusou de sua autoridade judicial para atingir oponentes políticos, proteger aliados corruptos e suprimir dissidências, muitas vezes em coordenação com outras autoridades brasileiras”.
“Considero que as ações sem precedentes tomadas pelo Governo do Brasil violaram os direitos de liberdade de expressão de cidadãos dos Estados Unidos, interferiram na economia dos Estados Unidos ao coagir cidadãos dos Estados Unidos e empresas sediadas nos Estados Unidos a censurar cidadãos dos Estados Unidos”, afirmou Trump no decreto.
ITENS POUPADOS
Apesar dos motivos apresentados pelos EUA para o tarifaço, o governo norte-americano poupou certos setores essenciais da economia norte-americana. Itens estratégicos para a indústria do país, como celulose, minérios e fertilizantes, foram excluídos da medida.
Outros produtos, como suco de laranja, petróleo, aviões comerciais e materiais de aviação civil, foram isentos das tarifas extras de 40%, ficando sujeitos somente aos 10% –base do tarifaço anunciado em abril. Eis a lista completa com todos os itens.
A medida é um alívio para empresas como Embraer e companhias que vendem produtos derivados de petróleo para os EUA. Além do setor de aviação, a lista do decreto contém muitos produtos brasileiros importantes exportados para o território norte-americano.
O decreto de Trump, no entanto, não menciona carne, café e frutas brasileiras. Esses produtos ficarão sujeitos às tarifas de 50%.
Trump confirmou que tarifas impostas aos parceiros comerciais dos EUA, inclusive contra o Brasil, entrarão em vigor em 1º de agosto.| Foto: EFE/EPA/Tolga Akmen
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (27) que as tarifas impostas a parceiros comerciais entrarão em vigor no dia 1º de agosto, como planejado. O tarifaço atingirá o Brasil com uma alíquota de 50%. A declaração ocorreu durante uma entrevista coletiva ao lado da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, na Escócia.
“O 1º de agosto é para todos”, declarou Trump. A única exceção é a taxação de 25% sobre o aço e o alumínio, que já está em vigor. O presidente americano anunciou um acordo comercial com a União Europeia. Com isso, as tarifas impostas ao bloco passarão de 30% para 15%. Nos últimos dias, apenas cinco países onseguiram negociar o tarifaço com os EUA: Reino Unido, Vietnã, Indonésia, Filipinas e Japão.
Mais cedo, o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, já havia afirmado que as tarifas entrarão em vigor no dia 1º de agosto “sem prorrogações, sem mais períodos de carência”. O republicano anunciou o tarifaço contra o Brasil no dia 9 de julho, alegando que os Estados Unidos têm déficit na relação comercial com o Brasil.
Logo após o anúncio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apontou que estatísticas do próprio governo americano “comprovam um superávit desse país no comércio de bens e serviços com o Brasil da ordem de 410 bilhões de dólares ao longo dos últimos 15 anos”. O mandatário prometeu responder ao tarifaço “à luz da Lei brasileira de Reciprocidade Econômica”.
Além de apresentar motivos comerciais, Trump afirmou que o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por suposta tentativa de golpe de Estado também contribuiu para a sanção contra o Brasil. Desde abril, o Brasil é taxado em 10%.
O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), coordena o grupo de trabalho do governo federal que tenta reduzir a taxação, mas encontra resistência. Alckmin relatou na quinta-feira (24) que conversou por 50 minutos com Lutnick no último sábado (19).
No entanto, a Casa Branca avalia não ter percebido envolvimento relevante ou ofertas significativas do Brasil na negociação de um acordo. A afirmação foi feita por uma autoridade do governo americana ao jornal Folha de S. Paulo.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tentou contato com o homólogo nos Estados Unidos, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, mas teria recebido como resposta a informação de que o processo está na Casa Branca. Na sexta-feira (25), Lula disse que Alckmin tenta diariamente, sem sucesso, negociar com os Estados Unidos. “Todo dia ele liga para alguém e ninguém quer conversar com ele”, afirmou o petista.
O Núcleo de Estudos em Modelagem Econômica (Nemea) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) estima que o tarifaço pode causar uma redução de 0,16 ponto percentual no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, o que equivale a R$ 19,2 bilhões. Para este ano, o mercado financeiro estima uma alta de 2,23%, segundo levantamento realizado pelo Banco Central (BC). A UFMG projeta que a maior perda de empregos deverá ocorrer na agropecuária, com o encerramento de cerca de 40 mil empregos.
Segundo Haddad, o governo tem planos de contigência para atender os setores que serão mais afetados. “Em uma situação como essa, a Fazenda se prepara para todos cenários. Temos plano de contingência para qualquer decisão que venha ser tomada pelo presidente da República”, disse em entrevista à rádio CBN no dia 21 de julho. O ministro ainda não detalhou quais são as medidas.
Embate político marca negociação do tarifaço de Trump
Além de apresentar motivos comerciais, Trump também criticou o julgamento de Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por suposta tentativa de golpe de Estado. No último dia 17, Lula fez um pronunciamento em rede nacional e afirmou que os Estados Unidos fazem uma “chantagem inaceitável em forma de ameaça às instituições brasileiras”.
“O Bolsonaro não está sendo perseguido, ele está sendo julgado com todo o direito de defesa. Ele tentou dar um golpe nesse país, ele não queria que eu e o Alckmin tomássemos posse e chegou a montar uma equipe para matar o Lula, o Alckmin e para matar o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, o Alexandre Moraes. Isso já está provado por delação deles mesmos”, disse o presidente na sexta-feira (25) durante evento em Osasco (SP).
Lula se colocou à disposição para negociar a taxação diretamente com o líder americano. “Se o presidente Trump tivesse ligado para mim, eu certamente explicaria para ele o que está acontecendo com o ex-presidente”, afirmou.
Outro ponto de atrito com o governo americano são as decisões do ministro Alexandre de Moraes contra big techs. Além disso, o magistrado é o relator dos inquéritos contra Bolsonaro no STF. No último dia 18, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, anunciou a revogação dos vistos do ministro, de seus “aliados” na Corte e seus familiares. Horas antes, Moraes havia determinado uma série de medidas cautelares contra Bolsonaro.
O deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que articulou com o governo americano as sanções contra o ministro, condicionou o fim do tarifaço à aprovação de uma anistia “ampla, geral e irrestrita” para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. A proposta, caso seja aprovada, também beneficiaria seu pai. Na mesma linha, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que, se Bolsonaro concorrer à presidência da República em 2026, as sanções americanas contra o Brasil acabam “no mesmo dia”.
Trump anunciou aumento de taxas de importação a partir de 1º de agosto
O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), Geraldo Alckmin, liderou nesta terça-feira (15) duas reuniões com empresários dos setores industrial e agropecuário. Ao lado de outros ministros e secretários, Alckmin recebeu informações sobre o panorama das áreas diante da decisão dos Estados Unidos de aumentar para 50% as tarifas de importação de produtos brasileiros.
Os empresários manifestaram confiança nas negociações conduzidas pelo governo federal e defenderam que não sejam adotadas medidas de retaliação. A produção industrial e agropecuária já registram uma série de prejuízos.
Algumas associações chegaram a defender nesta terça-feira que o Brasil peça adiamento do início da vigência das novas tarifas, fixado em 1º de agosto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Alckmin destacou que a intenção do governo é avançar ao máximo dentro desse prazo e alcançar um acordo antes que o tarifaço se concretize.
“A reunião [com o setor produtivo] foi muito proveitosa. Ouvimos todos os setores com maior fluxo de comércio com os Estados Unidos — desde aviação, aço, alumínio, máquinas, têxteis, calçados, papel e celulose. O que vimos foi um alinhamento em torno da negociação. Eu trouxe a mensagem do presidente Lula de empenho para rever esta situação”, afirmou o vice-presidente.
“De janeiro a junho deste ano, as exportações do Brasil para os Estados Unidos aumentaram 4,37% e dos Estados Unidos para o Brasil aumentaram 11,48%. Momento em que é recorde a exportação dos Estados Unidos para o Brasil, quase três vezes mais do que a nossa exportação, estaremos unidos para reverter essa decisão.”
De acordo com o vice-presidente, o setor produtivo se comprometeu a dialogar com seus parceiros nos Estados Unidos — compradores, fornecedores e empresas congêneres — para negociar o prejuízo bilateral causado pelas tarifas.
“É uma relação importante que repercute também nos Estados Unidos, podendo encarecer produtos e encarecer a economia americana. É uma oportunidade, inclusive, para abrirmos espaço para novos acordos comerciais”, destacou.
Novos mercados
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, também participou da reunião com as lideranças do setor agropecuário. Ele lembrou que desde o primeiro dia do governo do presidente Lula uma as missões dadas é a ampliação dos mercados para a agropecuária brasileira.
“Isso foi feito de forma intensa. Foram 393 novos mercados abertos”, destacou Fávaro, que considera importante todos os esforços para manter as vendas para os Estados Unidos. Até o anúncio do tarifaço, a expectativa do setor pecuário era de que este ano as exportações de carne dobrassem. “O diálogo está aberto na parte brasileira, mas com respeito à soberania e muita altivez.”
Jiang Yanchen passou por quatro cirurgias de ‘alta complexidade’, segundo os médicos Reprodução/Universidade de Pequim
Série de intervenções permitiu que o corpo de jovem chinês ficasse totalmente esticado
Jiang Yanchen, de 21 anos, conseguiu deitar de costas pela primeira vez na vida após passar por uma série de cirurgias para corrigir uma condição rara que afetava sua coluna desde a infância. Natural da província de Shandong, no norte da China, o estudante universitário convive com espondilite anquilosante, doença que causa inflamação severa nas articulações e ligamentos da coluna.
A condição curvou o pescoço de Yanchen para trás de forma tão extrema que a cabeça do estudante ficava a poucos centímetros de suas nádegas. A deformidade limitou sua mobilidade e reduziu sua altura para cerca de um metro. Por anos, Jiang viveu com dificuldades para enxergar para frente, vestir roupas ou realizar tarefas simples sem apoio da mãe.
Mesmo diante das limitações físicas, Jiang não interrompeu os estudos. Em 2022, concluiu o vestibular deitado em um tapete de yoga e foi aprovado na Universidade Dezhou, no curso de Engenharia de Energia. Em busca de tratamento, ele procurou o médico Liang Yijian, especialista em correção de deformidades graves da coluna, em Chengdu.
Entre agosto do ano passado e junho deste ano, Jiang passou por quatro cirurgias de “alta complexidade”, segundo os médicos. Os procedimentos incluíram osteotomias na coluna cervical, torácica e lombar, além da liberação das articulações do quadril. Segundo o médico, a cirurgia final durou mais de 12 horas e realinhou a coluna de Jiang em aproximadamente 170 graus.
A série de intervenções permitiu que o corpo de Jiang ficasse totalmente esticado. A equipe médica destacou que os procedimentos exigiram o limite máximo da técnica cirúrgica. Em uma das etapas, o médico chegou a se ajoelhar no centro cirúrgico para auxiliar no reposicionamento do paciente, que precisou ser girado durante a operação.
Com a recuperação em andamento, Jiang já traça planos. Ele afirmou à mídia chinesa que pretende continuar os estudos e ingressar em um programa de pós-graduação. A mãe, Yu Meiying, classificou o tratamento como a realização de um sonho.
Papa Leão 14 durante missa no Vaticano • 08/06/2025REUTERS/Remo Casilli
Francisco não costumava usar residência, que fica a uma hora de carro de Roma
O papa Leão XIV reviverá uma tradição secular a partir de domingo (6), passando férias em Castel Gandolfo, onde os moradores da cidade esperam um impulso turístico depois que o antecessor rejeitou as férias de verão.
Leão, eleito papa em 8 de maio após a morte de Francisco, passará de 6 a 20 de julho na pacata cidade montanhosa com cerca de 8.900 habitantes, às margens do Lago Albano.
A região fica a uma hora de carro ao sul de Roma.
O prefeito e os comerciantes esperam que a estadia – a primeira de um papa em 12 anos – atraia turistas que desejam ver o novo líder da Igreja Católica Romana.
O Vaticano possui um palácio papal na cidade, incluindo vastos jardins em estilo renascentista, desde 1596, mas Francisco, que rejeitou grande parte dos privilégios do papado, optou por não tirar férias, passando o verão na residência no Vaticano.
“O papa Leão nos deu um presente maravilhoso”, falou Stefano Carosi, proprietário de uma cafeteria na praça principal da cidade. “O papa sempre foi importante aqui… porque atrai as pessoas”, acrescentou.
O prefeito Alberto De Angelis disse que os moradores estavam animados com a visita. “A presença dos papas em Castel Gandolfo sempre significou muita atividade, muito crescimento econômico.”
Embora se espere que Leão passe grande parte das férias longe dos olhos do público, hospedado em um prédio do Vaticano, atrás de um muro fechado, moradores e turistas terão a oportunidade de vê-lo em celebrações religiosas nos dias 13 e 20 de julho.
Últimas visitas de papas em Castel Gandolfo
Dezenas de pontífices passaram os meses de verão em Castel Gandolfo, onde é mais fresco do que em Roma, que tem sofrido com uma onda de calor no início dessa estação, com temperaturas chegando a mais de 37 graus Celsius.
Francisco transformou o palácio papal da cidade em um museu, que ficará aberto ao público na estadia de Leão, e abriu os jardins para visitação.
Embora o último papa nunca tenha passado a noite em Castel Gandolfo, os moradores comentaram que a decisão de abrir o museu teve benefícios duradouros.
Marina Rossi, proprietária de um estúdio de mosaicos na cidade, falou que os turistas costumavam vir apenas no verão para ver o pontífice em uma das audiências, mas agora aparecem com mais frequência.
“Era mais um turismo bate e volta, porque havia a audiência e depois eles iam embora”, falou ela. “Agora há um fluxo constante de turismo durante todo o ano.”
Segundo Rossi, com o retorno de Leão XIV a cidade teve a chance de atrair ainda mais pessoas.
“É um momento importante”, disse ela. “Não vou esconder minha felicidade.”
Quanto ao que o pontífice poderia fazer durante as férias, Maurizio Carosi, irmão de Stefano, deu uma sugestão, dizendo que diria ao papa: “Se você quiser uma boa taça de vinho, venha me visitar!”