O WhatsApp lançou nesta terça-feira (11), a opção de pagamentos de pessoas para lojistas (P2M) por meio do aplicativo, um mês após receber a autorização do Banco Central (BC). A implementação será feita de forma escalonada e a ideia é concluir o processo em três meses. O mercado aposta na popularidade do aplicativo entre os pequenos negócios como forma de impulsionar não só a nova solução, mas também as operações entre pessoas físicas (P2P), que nunca decolaram diante da forte concorrência do Pix.
O BC autorizou as compras via WhatsApp no início de março. O processo, no entanto, vem se desenrolando há anos e passou, inclusive, pela suspensão dos pagamentos via aplicativo pelo regulador, ainda em 2020. Há dois anos, a empresa conseguiu a autorização para iniciar as transferências entre pessoas. Agora, será possível também pagar pela compra de um produto ou serviço por meio do WhatsApp, serviço de mensageria da Meta, dona do Facebook.
“O uso que as pequenas empresas fazem do WhatsApp, principalmente desde a pandemia, teve um crescimento surpreendente, mas observamos que a taxa de abandono na hora do pagamento ainda é alta. E o pagamento vem justamente para resolver esse problema”, disse Guilherme Horn, head do WhatsApp na América Latina. Hoje, o cliente pode encontrar o negócio, pedir informações e fechar a compra pelo aplicativo. Agora, poderá também efetuar o pagamento. Como tudo nesse mercado, o sucesso da solução está fortemente atrelado à adesão ou não do usuário final.
De acordo com Horn, a evolução nos serviços de pagamento do WhatsApp passa pela inclusão do Pix. “É algo que vai acontecer naturalmente. A gente não pode imaginar hoje um sistema de pagamentos que não tenha Pix. Estamos começando com cartão, mas vamos incluir isso posteriormente”.
Como vai funcionar o pagamento a lojista pelo WhatsApp
Os pagamentos P2M terão início com três credenciadoras (empresas de “maquininhas”) participando: Cielo (que já processa as transações entre pessoas), Rede e Mercado Pago. Já há testes sendo realizados com outras, como Fiserv e Getnet. A ideia é que novos parceiros ingressem em breve, diz Horn.
Por ora, os consumidores poderão usar cartões de débito, crédito e pré-pagos das bandeiras Visa e Mastercard emitidos por 12 instituições financeiras: Banco do Brasil, Bradesco, BTG Pactual, Caixa, Inter, Mercado Pago, Neon, Next, Nubank, Santander, Sicoob e Sicredi. Os cartões Itaú passarão a ser aceitos em breve.
Quando a função de transferências entre pessoas entrou em funcionamento, o WhatsApp havia fechado uma parceria com a Cielo. Ficou estabelecido, no entanto, que a função P2M deveria ter início já com concorrentes operando. O WhatsApp destaca que o serviço foi desenvolvido “como uma plataforma aberta à participação de diversos adquirentes e emissores brasileiros”. Essa foi, justamente, uma exigência do BC para liberar a função.
Em teoria, a partir de hoje, todos os usuários do WhatsApp já poderão utilizar a nova opção. Na prática, no entanto, a disponibilização do recurso para as empresas será gradual e o plano é que, em alguns meses, todos os negócios que utilizam o WhatsApp Business possam aderir.
Para fazer pagamentos a lojistas, pessoas físicas precisarão cadastrar uma forma de pagamento pelo aplicativo. Será necessário criar um PIN (ou algum tipo de reconhecimento biométrico), que será utilizado para confirmar todas as transações, inserir os dados pessoais e informações do cartão, que serão confirmadas via e-mail ou aplicativo do banco.
Em termos de segurança, os participantes frisam que as transações são “tokenizadas”, ou seja, os dados do cartão são substituídos por uma identificação digital. Assim, em caso de invasão da conta, não será possível acessar os dados de pagamento. Além disso, é feita uma validação para cada dispositivo, assim, se o aplicativo for instalado em outro aparelho, será preciso configurar novamente a forma de pagamento. Outro ponto de segurança é a própria contestação das transações, já parte do ecossistema de cartões.
As empresas que quiserem receber pelo aplicativo precisarão, por meio da versão atualizada do WhatsApp Business, vincular sua conta no adquirente selecionando o parceiro com o qual deseja processar seus pagamentos. Dependendo da credenciadora, pode levar alguns dias para que a conta fique liberada para aceitar pagamentos.
Segundo Horn, eventuais limites para o número ou valor de transações serão estabelecidos pelos emissores de cada cliente. Hoje, no P2P, o usuário pode enviar até R$ 1 mil por transação, R$ 2,5 mil em um período de 24 horas e R$ 5 mil por mês.
Durante o processo de construção do serviço, um dos pontos de debate foi a definição de preços. Além da tarifa de intercâmbio (já parte das transações com cartão), o modelo de preços envolve também uma negociação bilateral entre WhatsApp e credenciadoras. Participantes ouvidos pelo Valor afirmam que as empresas conseguiram chegar a um patamar atrativo para todas as partes, embora não descartem ajustes após esse período inicial de lançamento.
Horn afirma que o objetivo da empresa com a nova opção de pagamento está menos em gerar uma nova linha de receita e mais em fortalecer as já existentes. “Nossos focos em termos de receita continuam sendo as mensagens pagas, através da API, e os anúncios feitos em redes sociais que levam para as conversas. No momento, o pagamento vem para reforçar essas linhas”. Fonte: (Valor).