VIOLENCIA CONTRA A MULHER

O Correio Debate reúne autoridades e especialistas para discutir ações efetivas de enfrentamento à violência doméstica. Só este ano, oito mulheres perderam a vida no DF, vítimas de atos covardes de companheiros ou ex-companheiros.
A violência contra a mulher por parte de seu companheiro não é algo que se restringe às paredes de um lar e não deve ser banalizada. É uma situação que atinge as famílias, a comunidade ao redor e toda a sociedade, que deve se engajar no enfrentamento das ocorrências antes que elas se transformem em tragédias.
-Vidas femininas perdidas para a covardia não podem ser banalizadas
No Distrito Federal, oito mulheres foram assassinadas somente este ano — e é preciso dar um basta a essa sequência alarmante. O Debate, que será realizado hoje, o objetivo é promover um ambiente de discussão que amplie a agenda de ações locais a uma esfera que ofereça a visibilidade necessária a essa questão, que é humanitária e de interesse nacional.
-Correio Debate: Combate ao Feminicídio, uma responsabilidade de todos
Com o tema “Combate ao feminicídio: responsabilidade de todos”, o seminário promovido pelo jornal reúne autoridades governamentais, empresariais e acadêmicas. O evento ocorre das 14h às 18h, no auditório do Correio, com transmissão ao vivo pelas redes sociais e em site especial. Ao final, o conteúdo ficará disponível e poderá ser visualizado a qualquer momento.
De acordo com a colunista Ana Maria Campos, que mediará o debate, “o feminicídio está se tornando uma epidemia no nosso país” e, por isso, é de suma importância realizar um evento como este, para reunir toda a população. “Toda a sociedade precisa colaborar, porque, neste caso, o algoz muitas vezes é alguém de dentro de casa, de quem quase sempre a vítima tem dependência emocional e financeira. Mas não é um fenômeno restrito a nenhuma classe social. O objetivo é busca engajar a sociedade em um pacto nacional para salvar as mulheres”, afirma.
Apoio da mídia
A coordenadora da editoria de Cidades do Correio, Adriana Bernardes, que também será mediadora do encontro, chama a atenção para a divulgação de ações de proteção às vítimas, bem como dos esforços feitos para isso. “Divulgar ações e políticas voltadas para as vítimas e acompanhar o que as autoridades têm de ações e quais investimentos estão sendo feitos é o papel, não só da imprensa, como de toda a sociedade”, pontua a jornalista. Ela também destaca a importância da presença da sociedade nessa discussão, e a ótica plural de diversos painéis e nomes voltados para a questão, a fim de entendê-la. “O combate e a prevenção ao feminicídio são temas complexos que exigem olhares diversos e o envolvimento de diferentes órgãos do poder público, além da participação da sociedade civil”, comenta.
A jornalista também reforçou o papel dos veículos de mídia na promoção da discussão deste tema, para que possamos compreender a razão de tão hediondos crimes. “Precisamos falar e precisamos ouvir sobre as razões que levam homens a assassinarem as mulheres, na perspectiva de gênero, para que possamos ter uma sociedade em que a mulher exista, de fato, como ser pleno de direitos, como está escrito na Constituição Federal”, ressalta.
Programação
Na abertura, estão previstas as presenças da governadora em exercício do DF, Celina Leão, e da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco.
O primeiro painel tem como tópico principal “De casa à escola: o caminho da mudança”, com a superintendente do Sebrae/DF, Rose Rainha; a juíza do TJDFT e especialista em gênero Rejane Jungbluth Suxberger; a antropóloga, professora emérita da UnB e doutora em Ciências Humanas Lia Zanotta Machado; e a psicóloga da Coordenação de Atenção à Saúde do Servidor do Ministério da Saúde, Valéria Brito.
Após a participação de Fabriziane Zapata, juíza do Núcleo do Judiciário da Mulher do TJDFT, o debate segue para o segundo momento, que tem como tema “Avanços na legislação e desafios da implementação”. Para este momento, foram convidados Thiago Pierobom, titular da 2ª Promotoria de Violência Doméstica em Brasília e colaborador do Núcleo de Direitos Humanos do MPDFT; Cristina Tubino, presidente da Comissão de Enfrentamento da Violência Doméstica da OAB-DF; e Jane Klebia do Nascimento, delegada da Polícia Civil e deputada distrital.
No terceiro painel, será discutido o papel da sociedade no combate ao feminicídio. Neste momento, participam a ministra do Superior Tribunal Militar Maria Elizabeth Rocha; a secretária de Estado da Mulher do DF, Giselle Ferreira; e a advogada Daniela Teixeira, autora da Lei Federal nº 13.363 de 2016.
O encerramento tem participação prevista do secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Capelli. O vice-presidente executivo do Correio, Guilherme Machado, finaliza o evento. Inf. (Correio Brasiliense).