ELEIÇÕES 2024

Pesquisas eleitorais viram “armas” de influência em cidades menores. Candidatos usam dados para defender a ideia de que estão na liderança
A disputa eleitoral em cidades de médio e pequeno porte do Brasil virou uma “guerra de números”, com base em supostas pesquisas que apresentam resultados para todos os gostos. Em determinados locais, a quantidade de levantamentos registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) chega a ser maior do que a de capitais e outros municípios maiores.
“Não é guerra numérica. É guerra de desinformação”
A quantidade de levantamentos registrados, até então, nas eleições deste ano, já é a maior da série histórica. Na quinta-feira, o sistema do TSE informava um total de 10.789, e na sexta (27/9) chegou a 11.440, o maior número desde 2012, quando o Tribunal passou a contabilizar e divulgar dados de pesquisas eleitorais.
A presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (Abrapel), Mara Telles, é crítica à proliferação e ao uso de pesquisas com metodologias questionáveis para tentar influenciar o eleitor. Ela reconhece que há no Brasil bons institutos, que fazem um trabalho sério e que seguem as regras de amostragem, mas afirma que existem aqueles que fazem o contrário.
“Não é exatamente uma guerra numérica. É uma guerra baseada em desinformação. A desinformação virou um grande negócio e tem muita gente lucrando com isso. Existem vários pequenos institutos que estão por aí, que as pessoas não conhecem e que têm vendido fantasias para os candidatos. São institutos que fazem negócios em troca de resultados, muitos surgidos às vésperas das eleições”, aponta Mara.
Na sexta, o valor total investido em pesquisas, nas eleições deste ano, ultrapassou os R$ 120 milhões — exatamente R$ 124,3 milhões. Essa quantia é a maior das eleições municipais, desde 2012. “É muito dinheiro, e boa parte vem do Fundo Partidário. Está sobrando dinheiro. Vale dizer que institutos pequenos fazem muita pesquisa a custo baixíssimo, com pessoas não treinadas”, diz a presidente da Abrapel.
“As pesquisas são eventos de campanha e existem cidades com resultados muito distintos. Eu mesma vi uma com três institutos e três resultados completamente diferentes. Mesmo que uma pesquisa seja dada como falsa, ela já foi publicada, já foi dada como verdade e utilizada pelas campanhas. Além de desinformar, isso influencia, pois o que mais existe é aquele tipo de eleitor que quer votar em quem está na frente”, alerta Mara Telles. Fonte: Portal Metrópoles