VÍDEO: Marina Silva volta ao Congresso e é alvo de novos ataques de parlamentares

CÂMARQ DOS DEPUTADOS

Marina Silva: “Quando um homem ergue a voz, ele está sendo incisivo. Quando uma mulher fala com firmeza, dizem que é show” Estadão Conteúdo

Ministra enfrentou hostilidade e interrupções na Comissão de Agricultura, onde foi convocada a prestar esclarecimentos sobre queimadas e os índices de desmatamento

Cerca de um mês após sofrer ataques e abandonar audiência no Senado Federal, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, foi novamente interrompida e hostilizada por parlamentares em sessão na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, nesta terça-feira (2/7).

(veja vídeo)


Deputado diz que Marina tem problema com o agronegócio porque ‘nunca trabalhou’

Deputado do PP chamou a ministra de ‘adestrada’, ‘mal-educada’ e afirmou que ela ‘nunca trabalhou, nunca produziu’. Marina, que foi convocada para comissão na Câmara, rebateu ataques.

A ministra do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Marina Silva, foi alvo de novos ataques de deputados nesta quarta-feira (2), ao prestar esclarecimentos sobre queimadas e desmatamentos na Comissão de Agricultura da Câmara.

O deputado Evair Vieira Melo (PP-ES) chamou Marina de “adestrada” e “mal-educada”, afirmou que a ministra “nunca trabalhou, nunca produziu” e que faz um “adestramento” de esquerda e “tem discurso golpista que vale para um lado e não vale para outro”.

“A senhora tem dificuldades com o agronegócio, porque a senhora nunca trabalhou, a senhora nunca produziu, não sabe o que é prosperidade construída pelo trabalho. Todo mundo sabe, o mundo sabe que a senhora tem um discurso alinhado com essas ONGs internacionais”, afirmou o parlamentar.

Ao responder aos ataques, Marina afirmou que fez uma longa oração antes da audiência e que está “em paz”. Disse também que aprendeu que é “melhor receber injustiça” do que “praticar injustiça”.

“Depois do que aconteceu no Senado […] as pessoas iam achar muito normal fazer o que está acontecendo aqui num nível piorado […]. Fui terrivelmente agredida”, ponderou a ministra.

No fim de maio, a ministra abandonou uma audiência na Comissão de Infraestrutura do Senado, após ser alvo de declarações consideradas machistas e ofensivas.

Evair voltou ainda a dizer que Marina tinha sido “adestrada” e que a ministra “tem uma incrível capacidade de repetições de discurso, de oratória e de dados”.

Essa não foi a primeira vez que o parlamentar usou o termo. Em outubro do ano passado, durante uma audiência na comissão de Agricultura, Evair disse que a ministra havia sido muito bem “adestrada” pela equipe do ministério para não responder às perguntas na comissão. A ministra rebateu e afirmou que não aceitaria ser chamada de adestrada.

‘Vergonha’ e ‘pedido de demissão’

Outros deputados atacaram a gestão da ministra. O deputado Zé Trovão (PL-SC) afirmou que Marina é uma “vergonha como ministra”, enquanto o capitão Alberto Neto (PL-AM) sugeriu que ela deveria “pedir demissão”.

Já o presidente da comissão de Agricultura, Rodolfo Nogueira (PL-MS), pontuou que Marina se apresenta como um símbolo de defesa ambiental, mas é protagonista de um dos capítulos mais desastrosos da política ambiental.

“A senhora, que fez a sua carreira, se apresentando como símbolo da defesa ambiental, protagoniza hoje um dos capítulos mais contraditórios e desastrosos da política ambiental brasileira. Sob sua gestão, o desmatamento na Amazônia aumentou 482%”, afirmou.

“Ao contrário da narrativa da senhora, de que hoje a culpa do desmatamento não é mais do Bolsonaro e a culpa dos incêndios das queimadas, do aumento das queimadas, não são mais culpa do presidente Bolsonaro, a culpa hoje é de São Pedro”, prosseguiu.

Rumo

  • A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, foi convocada para falar na Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados e voltou a ser alvo de ataques de parlamentares.

  • O deputado Evair Vieira Melo (PP-ES) usou termos como “adestrada” e “mal-educada” e disse que ela “nunca trabalhou” ou “produziu” algo.

  • Outros deputados atacaram a gestão da ministra. O deputado Zé Trovão (PL-SC) afirmou que Marina é uma “vergonha” e o capitão Alberto Neto (PL-AM) sugeriu que ela deveria “pedir demissão”.

  • Ao responder aos ataques, a ministra afirmou que fez uma longa oração antes da audiência e que está “em paz”.

  • Em maio, Marina já havia sido alvo de ataques considerados machistas por senadores e deixou a sessão

Por Marcela Cunha, Kellen Barreto, g1 e TV Globo — Brasília

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