SDS: Policiais do Bope são presos após invadirem casa e matarem 2 homens no Recife

ASSASSINATO

PMs são agentes do Batalhão de Operações Especiais (Bope). Ação foi em decorrência de denúncia de tráfico na comunidade do Detran, no bairro da Iputinga, no Recife.

Rhaldney Fernandes da Silva Caluete, de 32 anos, e Bruno Henrique Vicente da Silva, de 28 anos — Foto: Reprodução/WhatsApp
Rhaldney Fernandes da Silva Caluete, de 32 anos, e Bruno Henrique Vicente da Silva, de 28 anos — Foto: Reprodução/WhatsApp

Os nove policiais militares que invadiram a casa em que dois homens foram mortos em uma ação da PM, na comunidade do Detran, na Iputinga, Zona Oeste do Recife, foram detidos nesta terça (21). Agentes aparecem em vídeo feito por câmera de segurança arrombando a porta da residência e, depois, carregando os corpos das vítimas.

Policiais durante operação na comunidade do Detran, na Iputinga, Zona Oeste do Recife — Foto: Reprodução/WhatsApp
Policiais durante operação na comunidade do Detran, na Iputinga, Zona Oeste do Recife — Foto: Reprodução/WhatsApp

De acordo com o diretor adjunto de Planejamento Operacional da PM, coronel Fred Saraiva, os policiais militares tinham um chamado para o bairro Casa Amarela, na Zona Norte da cidade, quando desviaram e foram para a comunidade.

Os PMs detidos são do Batalhão de Operações Especiais (Bope). Eles tiveram as armas apreendidas e foram ouvidos na Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DJPM), responsável por investigar delitos cometidos por militares.

A declaração do coronel foi dada durante entrevista coletiva no Quartel do Derby, no Recife. O coronel disse, ainda, que os PMs relataram que desviaram a rota por terem recebido outro chamado.

“Há a possibilidade de crime de descumprimento de missão, por exemplo, se eles estavam indo para Casa Amarela, mas deliberadamente, sem ordem superior, desviaram para outro local, isso caracteriza um descumprimento de missão”, afirmou.

De acordo com a PM, os homens mortos, identificados como Rhaldney Fernandes da Silva Caluete e Bruno Henrique Vicente da Silva, eram suspeitos de tráfico de drogas. Os policiais teriam ido ao local para verificar uma denúncia e, lá, teria havido uma troca de tiros em que os suspeitos morreram.

O coronel ainda afirmou que, caso seja confirmada, a conduta dos agentes pode resultar numa prisão administrativa pelo descumprimento de alguma norma administrativa da corporação ou uma atuação em flagrante por crime militar.

Pouco tempo depois da ação da PM, moradores da comunidade protestaram na BR-101 e incendiaram um ônibus às margens da via. Pneus e entulhos também foram queimados na pista.

De acordo com o coronel, os policiais justificaram a abordagem por ter sido um flagrante que, segundo eles, iniciou em via pública.

“É importante dizer que, mesmo que para a lei seja um flagrante ou não, há um aprofundamento das requisições. […] Vamos apurar em profundidade e punir caso se comprove o desvio de conduta”, disse o coronel.

Com a morte de Rhaldney e Bruno, subiu para 10 o número de mortos em confrontos com a PM em cinco dias no Grande Recife. O coronel reforça que a corporação não compactua com atuações excessivas.

“A gente precisa entender que existe a presença de tráfico em algumas comunidades e isso é grave. Indivíduos violentos, relativamente bem armados e dispostos para o confronto. A gente não pode dizer que todo confronto tem sua origem na vontade do policial, pelo contrário, em troca de tiros, a vida do policial também está em risco”, disse.

Ação filmada

Uma câmera de segurança do local registrou o momento em que policiais militares arrombaram o portão de uma casa, entraram na residência e, posteriormente, retiraram corpos num lençol (veja vídeo no início do texto).

De acordo com a Polícia Civil, agentes do Batalhão de Operações Especiais (Bope) foram à comunidade após receberem denúncias de que os dois homens, com 28 e 31 anos, estavam com armas de fogo e entorpecentes.

Os homens foram identificados como Rhaldney Fernandes da Silva Caluete e Bruno Henrique Vicente da Silva. Eles, segundo a Polícia Civil, foram “abordados pelo efetivo policial”.

“Houve troca de tiros entre as vítimas e o efetivo policial. As vítimas foram socorridas, porém não resistiram aos ferimentos”, afirmou a Polícia Civil.

Nas imagens da câmera de segurança de uma residência da comunidade, é possível ver, também, os PMs colocando os corpos retirados do local num camburão. Os dois homens foram levados para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Caxangá, mas não resistiram aos ferimentos.

O que diz a PM

A Polícia Militar disse, por meio de nota, que os policiais envolvidos na operação foram ouvidos pela Diretoria de Polícia Judiciária Militar e que após as oitivas “será apurado se houve quebra dos protocolos policiais, para que se possa definir responsabilidades na operação”.

A PM também disse que, com os homens que foram mortos, foram apreendidos 527 gramas e mais 28 pequenas porções de maconha, 150 pedras de crack, uma balança de precisão, dois revólveres calibre 38 e 12 munições, sendo nove deflagradas.

De acordo com a Polícia Civil, o caso foi registrado como tentativa de homicídio e homicídio decorrente de intervenção policial e as investigações seguem “até o esclarecimento do caso”.

*Por Fernanda Soares/g1 PE

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