REDES SOCIAIS

86% dos usuários de Internet entre 9 e 17 anos (aproximadamente 21 milhões de brasileiros) têm perfil em rede social, mas praticamente metade não têm seus e-mails e perfis verificados pelos pais. Este é um dos resultados que chamam atenção na pesquisa TIC KIDS ONLINE BRASIL, que entrevistou presencialmente 2.604 crianças e adolescentes, assim como seus pais e responsáveis. A pesquisa é feita pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil desde 2012 e procura levantar evidências sobre o uso da internet por crianças e adolescentes no Brasil.
Como as redes sociais interferem no comportamento dos jovens? Elas podem aumentar os casos de ansiedade e depressão entre crianças e adolescentes? Podem piorar a concentração? De que forma os pais devem acompanhar seus filhos no ambiente virtual? Como estar atento sem quebrar a confiança do filho? Que regras podem ser combinadas? No episódio de hoje, a gente conversa com a psiquiatra Julia Khoury, que é mestre e doutora em dependências tecnológicas.
Prós e contras
Primeiramente, esse envolvimento pode trazer efeitos positivos e negativos. Segundo estudo que eu e meus colegas já realizamos, o uso da rede social é importante para que o adolescente receba apoio emocional, construa uma comunidade e tenha espaço para se expressar. No entanto, pode impactar negativamente a saúde mental e o bem-estar dele.
Em nosso trabalho no Grupo de Pesquisa em Ciberpsicologia da Nottingham Trent University, conversamos com jovens adolescentes, seus pais e professores sobre os desafios percebidos e os danos do uso das redes sociais. Como resultado, descobrimos que eles passam cada vez mais tempo online, apresentam mudanças de comportamento devido ao julgamento antecipado de colegas, e sofrem consequências cognitivas e emocionais graves, como problemas de atenção, estresse e ansiedade.
Além disso, novas pesquisas sugerem que dessas redes também pode interferir na satisfação que a criança ou adolescente tem com a vida. Em uma grande amostra do Reino Unido com mais de 17 mil jovens entre 10 e 21 anos, pesquisadores descobriram que os efeitos prejudiciais aparecem principalmente aos 14, 15 e 19 anos para meninos, e aos 11, 12, 13 e 19 anos para meninas.
Outro fator a ser avaliado é em relação ao tempo excessivo de exposição às telas, que pode estar associado a sintomas de estresse, ansiedade, depressão e vícios. De acordo com a Academia Americana de Pediatria, crianças menores de 2 anos não devem ser expostas em momento nenhum às telas, e aquelas com até 5 anos devem usá-las por, no máximo, uma hora por dia, com foco em conteúdo educacional. Só que, embora não saibamos exatamente que tipo de informação as crianças estão assistindo nas redes sociais, é improvável que seja algo de alta qualidade. Fonte (G1)