FRAUDE
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Reportagem da RBS TV revelou que fraudadores conseguiram fazer retirada de empréstimos consignados em nome de terceiros e alterar senhas em portais do governo federal para conseguir benefícios.
Golpistas conseguiram acessar benefícios do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) para contratar empréstimos consignados de aposentados. O esquema também permitia o acesso a serviços federais de forma on-line, sem a ciência das vítimas. Confira como agir diante desses casos.
O Ministério da Gestão e Inovação compartilhou, em nota, orientações de como proceder diante do esquema, tanto para a prevenção quanto para descobrir eventuais fraudes:
- Não aceitar ajuda de desconhecidos para mudar a senha no portal Gov.Br;
- Seguir o link de recuperação de senha, caso a senha cadastrada inicialmente não funcione;
- Em caso de dúvidas, falar com um atendente pelo gov.br/atendimento.
Além disso, é necessário confirmar se é possível acessar a conta de pessoa física no portal Gov.Br. Caso a senha cadastrada originalmente ou o e-mail não garantam o acesso, há indícios de fraude. Consultar com frequência o portal, para verificar se há irregularidades, é também uma medida de precaução.
O especialista em tecnologia Ronaldo Prazo alerta que, mesmo com os esforços virtuais, os esquemas possivelmente contam com a conivência de um agente interno, e não de hackers.
“A hipótese mais plausível é que seja alguém de dentro, algum funcionário, um operador ou alguém mais técnico que tenha permissão de ir na base de dados e fazer essa alteração da senha”, afirma.
Ele também diz que os golpistas conseguem mudar o e-mail inicialmente atrelado à pessoa física. Sem aplicar a senha de terceiros, isso não seguiria o fluxo normal. Para ele, é um indício de que a fraude conta com a participação de agentes, que usam o banco de dados do sistema.
O esquema
Uma quadrilha realizava um esquema em que tinha acesso ao INSS para contratar empréstimos consignados em nome de terceiros, sem a ciência dos aposentados. Além disso, permitia o acesso à conta Gov.Br, de onde se beneficiavam.
De acordo com uma corretora que prefere não ser identificada, o grupo cobrava de R$ 70 a R$ 100 para desbloquear os benefícios nessas contas, em questão de minutos. Legalmente, para conseguir o valor da aposentadoria, o processo é feito em uma agência ou pela internet, mas leva semanas ou meses até ser aprovado.
A quadrilha negociava acesso a conta de aposentados e, com isso, faziam empréstimos consignados, sem a ciência deles. Para isso, originavam uma nova senha, com a provável conivência de funcionários. Uma vítima teve um prejuízo de R$ 74 mil, com a fraude, em razão de sete empréstimos consignados que não solicitou.
Os fraudadores eram encontrados na internet, e o contato para negociar os benefícios era feito por telefone.
Segundo a Polícia Federal, em operações realizadas no passado, estagiários e terceirizados estavam envolvidos no esquema. Também foi investigado que algumas senhas foram conseguidas por fraudadores a partir de dispositivos clandestinos instalados em computadores de servidores do INSS.
Nota do Ministério da Gestão e Inovação:
“O Ministério da Gestão orienta as pessoas a não aceitar ajuda de terceiros para recuperação da senha do GOV.BR. No site oficial do governo, existe o passo a passo para recuperação de senha: https://www.gov.br/governodigital/pt-br/acessibilidade-e-usuario/atendimento-gov.br/duvidas-na-conta-gov.br/recuperar-conta-gov.br. Caso seja necessário, os usuários podem utilizar os canais oficiais da pasta para sanar dúvidas sobre a sua conta no GOV.BR, como o gov.br/atendimento
Em relação às possíveis fraudes, o Ministério da Gestão esclarece que fará uma comunicação às autoridades competentes para a averiguação dos fatos. Todas as informações de acessos e atendimentos são registradas na plataforma do governo federal, o que facilita a investigação.
Lembrando que sempre que uma senha do GOV.BR for resetada, a conta se torna de nível bronze. Neste nível, os serviços mais sensíveis (como a declaração pré-preenchida de Imposto de Renda e a solicitação da Carteira de Trabalho Digital) não estão disponíveis, só podendo ser acessados com uma conta Prata ou Ouro. Caso exista a desconfiança de uma possível fraude, o ministério ressalta a importância do registro de um Boletim de Ocorrência para possibilitar a devida investigação policial”. *Por g1.