Declaração final do G20 reitera metas do Acordo de Paris

MEIO AMBIENTE

Rio de Janeiro (RJ), 18/11/2024 – Mesa de abertura do G20, no MAM, na zona central da capital fluminense. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Mesa de abertura do G20, no MAM, na zona central da capital fluminense. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Documento pede ampliação do financiamento climático

A declaração final da Cúpula dos Líderes do G20 reitera o compromisso dos países do grupo com as principais diretrizes do Acordo de Paris. Houve acordo com a meta de limitar o aumento global da temperatura média global para bem abaixo de 2ºC acima dos níveis pré-industriais. Também foi reconhecido que os impactos da mudança do clima serão significativamente menores com uma elevação limitada a 1,5ºC.

O Acordo de Paris foi assinado em 2015 pelos 193 Estados-Membros da Organização das Nações Unidas (ONU). Ele fixou a Agenda 2030, que abrange 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Cada um deles se desdobra em um conjunto de metas.

A declaração final da Cúpula dos Líderes do G20 lembra que, desde 2015, houve progresso efetivo em apenas 17% das metas dos ODS e lista uma série de desafios.

Ocupando atualmente a presidência do G20, o Brasil sedia a Cúpula dos Líderes, que ocorre no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro nesta segunda-feira (18) e nesta terça-feira (19). A declaração final, com 22 páginas na versão em inglês e 24 na versão em português, foi divulgada ao fim da programação do primeiro dia.

O texto aborda cinco tópicos: situação política e econômica internacional; inclusão social e luta contra a fome e a pobreza; desenvolvimento sustentável e ações climáticas; reforma das instituições globais de governança; e inclusão e efetividade no G20.

Havia dúvidas sobre a adesão da Argentina ao texto final. O governo liderado por Javier Milei chegou a manifestar algumas divergências. O líder da Argentina já fez críticas públicas ao Acordo de Paris. Mesmo assim, o país assinou a declaração.  O país assinou o documento, ainda que tenha divulgado um comunicado registrando ressalvas e “desvinculando-se parcialmente de todo o conteúdo da Agenda 2030”.

Além de reiterar diretrizes do Acordo de Paris, o trecho da declaração dedicado ao desenvolvimento sustentável e ações climáticas estabelece compromisso com o multilateralismo e fixa a urgência de iniciativas efetivas para enfrentar as crises e os desafios decorrentes da mudança do clima, perda de biodiversidade, desertificação, degradação dos oceanos e do solo, secas e poluição.

Foi enfatizada a meta para triplicar a capacidade de energia renovável globalmente e duplicar a taxa média anual global de melhorias na eficiência energética. O texto incluiu também o compromisso com a conclusão, até o final deste ano, das negociações de um instrumento internacional que estabeleça o combate à poluição plástica.

Os avanços envolvendo a Iniciativa do G20 sobre Bioeconomia (GIB) foram destacados: em setembro, representantes dos países do grupo lançaram os 10 Princípios de Alto Nível sobre Bioeconomia. “Estamos determinados a liderar ações ambiciosas, oportunas e estruturais em nossas economias nacionais e no sistema financeiro internacional com o objetivo de acelerar e ampliar a ação climática, em sinergia com as prioridades de desenvolvimento sustentável e os esforços para erradicar a pobreza e a fome”, acrescenta o texto.

Financiamento

A declaração também estabelece a necessidade de uma maior colaboração e apoio internacional com o objetivo de ampliar o financiamento e investimento climático público e privado. O texto destaca a importância de otimizar as operações dos fundos verdes  e defende mecanismos inovadores como a proposta do Fundo Florestas Tropicais Para Sempre (TFFF). Manifesta ainda apoio para que a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2024 (COP-29), em andamento em Baku (Azerbaijão), avance nas negociações sobre financiamento ambiental.

“Os países em desenvolvimento precisam ser apoiados em suas transições para emissões de baixo carbono, nós trabalharemos para facilitar o financiamento de baixo custo para esses países. Nós reconhecemos o importante papel do planejamento energético doméstico, do fortalecimento de capacidades, das estratégias de políticas e marcos legais, bem como da cooperação entre diferentes níveis de governo, na criação de ambientes facilitadores para atrair financiamento para as transições energéticas”, diz o texto.

Desde o início do ano, uma das grandes discussões nas atividades da agenda construída pelo Brasil para sua presidência no G20 foi a tributação dos super ricos. A proposta tem sido apontada como um caminho para financiar iniciativas sociais e ambientais. A questão esteve em pauta nos debates da trilha de finanças do G20. O Brasil defende que seja pactuada a adoção de um imposto mínimo sobre os super ricos, de forma a evitar uma guerra fiscal entre os países. No entanto, há resistências. Representantes dos Estados Unidos, por exemplo, têm defendido que cabe a cada governo tratar da questão internamente.

Na declaração final da Cúpula dos Líderes, há uma breve menção a essa discussão no tópico sobre inclusão social e luta contra a fome e a pobreza. “Com total respeito à soberania tributária, nós procuraremos nos envolver cooperativamente para garantir que indivíduos de patrimônio líquido ultra-alto sejam efetivamente tributados. A cooperação poderia envolver o intercâmbio de melhores práticas, o incentivo a debates em torno de princípios fiscais e a elaboração de mecanismos antievasão, incluindo a abordagem de práticas fiscais potencialmente”.

Foi a primeira vez que o Brasil presidiu o G20 desde 2008, quando foi implantado o atual formato do grupo, composto pelas 19 maiores economias do mundo, bem como a União Europeia e mais recentemente a União Africana. A Cúpula dos Líderes é o ápice do mandato brasileiro. A África do Sul sucederá o Brasil na presidência do grupo.

Pernambuco soma 165 cozinhas comunitárias; número triplicou desde janeiro de 2023

COMBATE A FOME

A implementação de cada unidade é realizada em parceria com os municípios, que recebem R$ 50 mil de investimento estadual para a implantação e R$ 20 mil mensais para manutenção (Foto: Vinícius Lins/SAS)
A implementação de cada unidade é realizada em parceria com os municípios, que recebem R$ 50 mil de investimento estadual para a implantação e R$ 20 mil mensais para manutenção (Foto: Vinícius Lins/SAS)

Por Adelmo Lucena/DP

Em janeiro de 2023 o Estado contava com apenas 55 unidades em operação

O Governo de Pernambuco atingiu, nesta quinta-feira (14), um importante marco na luta contra a fome com a inauguração da Cozinha Comunitária Bartolomeu Teotônio de Macedo, em Dormentes, no Sertão do São Francisco. Com a unidade, o Governo Raquel Lyra triplica o número de cozinhas comunitárias inauguradas, sendo esta a 71ª cozinha entregue em 2024 e a 165ª em funcionamento.

Em janeiro de 2023 o Estado contava com apenas 55 unidades em operação. “O combate à fome sempre será uma prioridade do nosso governo, não só no discurso, mas também na prática. Já entregamos 110 cozinhas que hoje entregam mais de 700 mil refeições por mês, ao mesmo tempo em que triplicamos o volume de recursos repassados aos municípios para assistência social. Apenas em 2024 vai superar os R$ 80 milhões”, ressaltou a governadora Raquel Lyra.

O espaço servirá 200 almoços diários de segunda a sexta-feira. São beneficiadas pessoas em situação de vulnerabilidade social e insegurança alimentar, cadastradas pelos Centros de Referência em Assistência Social (CRAS) e Centros de Referência Especializado em Assistência Social (CREAS) locais. Com a inauguração, passam a ser entregues 726 mil refeições mensais através das cozinhas.

“Até o final do ano, o Governo de Pernambuco tem como meta ultrapassar o número de 200 cozinhas comunitárias. Isso é um reflexo do compromisso contínuo com o combate à fome e a promoção da segurança alimentar e nutricional em todo o Estado”, detalhou o secretário de Assistência Social, Combate à Fome e Políticas sobre Drogas, Carlos Braga.

As cozinhas comunitárias integram o Programa Bom Prato, administrado pela Secretaria de Assistência Social, Combate à Fome e Políticas sobre Drogas (SAS), por meio de sua Secretaria Executiva de Combate à Fome (SECOF). A implementação de cada unidade é realizada em parceria com os municípios, que recebem R$ 50 mil de investimento estadual para a implantação e R$ 20 mil mensais para manutenção. O Estado garante, ainda, monitoramento e apoio técnico constante para assegurar a qualidade das refeições.

Combater a fome e incentivar a agricultura familiar: saiba quais são as engrenagens das Cozinhas Comunitárias

COZINHAS COMUNITÁRIAS
As atividades das Cozinhas Comunitárias vão além de assegurar uma refeição saudável para pessoas em vulnerabilidade (Foto: Divulgação/SAS)
As atividades das Cozinhas Comunitárias vão além de assegurar uma refeição saudável para pessoas em vulnerabilidade (Foto: Divulgação/SAS)

Pernambuco atualmente conta com 110 espaços como este que são peças-chave no combate à fome

A hora do almoço se aproxima e é possível sentir o cheiro da refeição se espalhando pela cozinha à medida que as pessoas vão se aproximando. O espaço parece estar cada vez menor, mas na verdade é a quantidade de bocas que está aumentando. Esse é o dia a dia das Cozinhas Comunitárias, uma iniciativa que visa combater a fome e ainda gerar lucros para os agricultores locais.

Essas duas características formam os pilares das 110 Cozinhas Comunitárias distribuídas em todas as regiões do estado de Pernambuco. Os espaços são engrenagens importantes na máquina que visa promover a segurança alimentar e garantir mais dignidade para a população carente.

As atividades das Cozinhas Comunitárias vão além de assegurar uma refeição saudável para pessoas em vulnerabilidade e ainda realizam atividades de inclusão social produtiva, fortalecimento da ação coletiva e da identidade comunitária e ações de educação alimentar e nutricional.

Estes espaços são destinados para os municípios que possuem um número elevado de pessoas em situação de miséria ou pobreza. Estão na mira das Cozinhas Comunitárias grupos sociais vulneráveis à fome, a exemplo de trabalhadores de baixa renda, idosos, desempregados, pessoas LGBTQIA+, com deficiência, povos indígenas, povos de terreiros, povos quilombolas, pescadores artesanais, comunidades ribeirinhas, povos ciganos, catadores de material reciclável, vítimas de violências, entre outros.

Em Pernambuco, 161 dos 184 municípios já aderiram ao programa e os que desejam fazer parte da iniciativa devem encaminhar ofício de manifestação de interesse à Secretaria Executiva de Combate à Fome.

Em julho de 2023, o Governo do Estado investiu ainda mais nas Cozinhas Comunitárias e instalou os equipamentos no interior de Pernambuco. Municípios como Santa Cruz da Baixa Verde, Mirandiba, Solidão e Tuparetama, no Sertão, foram contemplados com a iniciativa.

“A cidade está muito feliz com a inauguração da Cozinha Comunitária porque agora muitas pessoas sabem que vão ter pelo menos uma refeição garantida por dia. Também fiquei muito feliz que a cozinha veio para Vicência e agora vou poder ajudar essas pessoas mais necessitadas”, disse Lilia Gomes, uma das funcionárias do espaço.

Para alcançar a meta de implementar o serviço em mais municípios, foram investidos somente no ano passado R$ 29,5 milhões, um valor três vezes maior que em 2022. Até o fim de 2024, o objetivo do Governo do Estado é alcançar 205 cozinhas em funcionamento.

A iniciativa também é incentivada pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). O apoio é feito por meio da publicação de editais de seleção pública ou indicação de emendas parlamentares.

Enquanto a população se prepara para ter uma refeição digna nas Cozinhas Comunitárias, no outro lado da cidade agricultores locais colhem os alimentos que irão nutrir os mais necessitados. Esta é uma das principais características do projeto, que também fortalece a agricultura familiar.
Com a parceria, espera-se que parte dos recursos financeiros repassados às cozinhas sejam destinados ao fomento da agricultura familiar do próprio território, estimulando a economia local.
“Sou agricultora há dez anos e na minha plantação tem feijão, batata e inhame. Eu soube das Cozinhas Comunitárias quando fui à Secretaria de Agricultura. Eu me candidatei para oferecer meus produtos e fiquei feliz com isso porque agora vou ter uma renda certa todo mês. Quero que as pessoas que precisam da Cozinha Comunitária que continuem indo para se alimentar bem”, relatou a agricultora Maria do Carmo, de 56 anos.
De acordo com a Secretaria de Assistência Social, são investidos R$ 50 mil para adequação do imóvel e equipagem da unidade, além de R$ 20 mil mensais para insumos e manutenção. Este último valor é destinado ao fomento da agricultura familiar do próprio território, estimulando a economia local.
“Na parceria celebrada com o Estado, é exigido que os municípios garantam que a matéria-prima para o preparo das refeições seja, preferencialmente, oriunda da agricultura familiar da região, estando o município livre para a compra em outras localidades, apenas quando não houver produção na região ou nos casos de situações específicas emergenciais ou de calamidade que impossibilitem o abastecimento local”, explica o secretário de Assistência Social.
Para selecionar os agricultores que irão fornecer os alimentos para as cozinhas, os municípios publicam editais de credenciamento para a aquisição de alimentos, que permitem a agricultores locais se habilitarem ao fornecimento dos insumos das cozinhas.
De acordo com a secretaria, os preços dos alimentos fornecidos pelos agricultores são estabelecidos pelo próprio município, a partir de uma pesquisa de preços já adotada por outros órgãos da administração pública.
A parceria assegura ao agricultor familiar a certeza de uma demanda fixa por parte da Cozinha Comunitária e promove a  segurança de renda.
Um estudo desenvolvido pelo Instituto Fome Zero (IFZ) mostra que 13 milhões de pessoas deixaram de passar fome no Brasil e 20 milhões de pessoas deixaram de sofrer de insegurança alimentar moderada em 2023. Isso representa uma redução de 30% da insegurança alimentar total (grave moderada) no país e projetos como as Cozinhas Comunitárias têm auxiliado a reverter o atual cenário. *Por Diario de Pernambuco.